O celular tornou-se um dos maiores adversários da segurança no trânsito. Em uma sondagem realizada pela Continental Pneus com 463 motoristas brasileiros, 35% apontaram o uso do aparelho ao volante como o principal risco nas ruas e rodovias. O levantamento também revela um contraste importante: enquanto a distração preocupa, somente 4% citaram as condições e a manutenção dos veículos entre os principais fatores de risco.
Durante a Semana Nacional do Trânsito, realizada de 18 a 25 de setembro de 2026, a Continental Pneus chama atenção para um comportamento que se tornou parte da rotina de muitos condutores: utilizar o celular enquanto dirige.
Na sondagem promovida pela empresa, 35% dos participantes apontaram o celular ao volante como o maior risco no trânsito. A falta de atenção dos motoristas apareceu em segundo lugar, com 19%, seguida pelo excesso de velocidade, citado por 17%.
O levantamento não possui metodologia científica e representa exclusivamente a percepção dos 463 participantes que responderam à sondagem no site da Continental entre abril e maio de 2026. Ainda assim, os resultados ajudam a mostrar como os próprios motoristas percebem os perigos presentes na condução cotidiana.
Mais de 6 mil mortes nas rodovias federais
Os números apresentados pela Continental ajudam a dimensionar o problema da segurança viária no Brasil. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal citados pela empresa, 72.483 sinistros foram registrados nas rodovias federais em 2025, deixando 83.483 pessoas feridas e provocando 6.044 mortes.
Embora os números representem redução em comparação com 2024, ainda correspondem a aproximadamente 16 mortes por dia somente nas rodovias federais brasileiras.
A distração ao volante também é tratada internacionalmente como um dos desafios para reduzir acidentes. Documento técnico da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) já destacava, em 2020, os riscos associados ao uso do celular durante a condução.
O problema está na combinação de três formas diferentes de distração.
A visual ocorre quando o motorista retira os olhos da via para observar uma mensagem, aplicativo ou notificação. A manual aparece quando uma ou ambas as mãos deixam o volante para manipular o aparelho. Já a cognitiva acontece quando a atenção mental deixa de estar concentrada no trânsito.
Uma simples interação com o smartphone pode reunir simultaneamente essas três condições.
Motoristas reconhecem o perigo, mas se consideram seguros
Outro resultado da sondagem chama atenção para a percepção individual de risco. Apesar de apontarem diferentes ameaças presentes no trânsito, 93% dos participantes afirmaram considerar sua própria condução segura ou muito segura.
O dado sugere uma diferença entre reconhecer a existência dos riscos e perceber como o próprio comportamento pode contribuir para eles.
O motorista pode acreditar que alguns segundos olhando para uma tela representam pouco tempo. Entretanto, um automóvel continua percorrendo uma distância considerável enquanto o condutor está distraído.
A 100 km/h, por exemplo, um veículo percorre aproximadamente 27,8 metros por segundo. Isso significa que três segundos de desatenção representam cerca de 83 metros percorridos — distância próxima ao comprimento de um campo de futebol — sem atenção integral ao que acontece à frente.
Segurança também depende do automóvel
A Continental destaca que comportamento responsável não é o único componente da segurança viária. As condições mecânicas e os equipamentos do veículo também influenciam sua capacidade de evitar uma colisão ou reduzir suas consequências.
Estudo da UNECE de 2026 citado pela fabricante destaca tecnologias como controle eletrônico de estabilidade (ESC), freios ABS e airbags entre os recursos importantes para a segurança da frota.
O ABS evita o bloqueio prolongado das rodas durante frenagens intensas, ajudando o motorista a manter capacidade direcional. Já o ESC monitora parâmetros como trajetória, velocidade das rodas e movimentos do veículo e pode atuar individualmente nos freios para ajudar a corrigir situações de perda de estabilidade.
Os airbags entram em outra etapa: não evitam necessariamente a colisão, mas trabalham em conjunto com cintos de segurança e a estrutura do veículo para reduzir as consequências do impacto para os ocupantes.
Pneus são parte fundamental da equação
Se há um resultado da sondagem que merece atenção especial, é a baixa percepção sobre manutenção. Apenas 4% dos entrevistados apontaram as condições e a manutenção dos veículos entre os maiores riscos para a segurança.
É justamente nesse aspecto que os pneus exercem papel fundamental. Independentemente da quantidade de recursos eletrônicos disponíveis, toda aceleração, frenagem e mudança de direção depende, no final, da capacidade dos pneus de transmitir forças entre o veículo e o pavimento.
“O comportamento do motorista continua sendo decisivo para evitar acidentes, mas ele precisa estar acompanhado de um veículo em boas condições e corretamente alinhado. Pneus calibrados, dentro dos limites legais de desgaste e balanceados também são fundamentais para garantir aderência, estabilidade e eficiência nas frenagens”, afirma Renato Siqueira, gerente de Assistência Técnica da Continental Pneus.
A calibragem incorreta pode alterar a área e a maneira como a banda de rodagem trabalha sobre o pavimento, aumentar o desgaste irregular e afetar estabilidade e consumo. Pneus excessivamente desgastados, por sua vez, apresentam menor capacidade de escoar água, aumentando o risco de perda de aderência em piso molhado.
Segurança pesa mais que preço na escolha do pneu
A sondagem também apresentou um resultado positivo sobre o comportamento de compra. Segurança e desempenho foram apontados por 42% dos participantes como prioridade na escolha dos pneus, enquanto apenas 8% indicaram o preço como principal critério.
Isso reforça que parte dos consumidores já percebe o pneu não apenas como item de reposição, mas como componente diretamente relacionado ao comportamento dinâmico do automóvel.
Escolher corretamente o produto, entretanto, envolve respeitar especificações como dimensões, índice de carga, índice de velocidade e características determinadas para o veículo, além de acompanhar regularmente pressão e desgaste.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A discussão sobre segurança no trânsito costuma procurar um único culpado, quando na realidade existe uma cadeia de fatores. Motorista, veículo, pneus, infraestrutura e condições ambientais trabalham simultaneamente, e uma falha em qualquer desses elementos pode reduzir a margem disponível para evitar um acidente.
O celular talvez seja um dos exemplos mais claros porque introduz uma variável completamente desnecessária no momento da condução. Quando o motorista desvia os olhos, as mãos ou a concentração para uma tela, ele reduz justamente aquilo que não pode ser recuperado posteriormente: tempo de reação.
Mas existe outro aspecto que merece a mesma atenção. Mesmo um motorista atento precisa que o veículo responda quando surge uma situação de emergência. E é nesse momento que manutenção, pneus, freios, suspensão, iluminação e sistemas eletrônicos deixam de ser apenas itens técnicos para se transformarem em elementos efetivos de segurança.
Um automóvel equipado com ABS e controle eletrônico de estabilidade não consegue superar os limites físicos de um pneu sem aderência adequada. Da mesma forma, pneus novos não compensam completamente uma condução distraída ou velocidade incompatível com as condições da via.
Segurança viária funciona melhor quando prevenção humana e capacidade mecânica caminham juntas. O motorista precisa enxergar o perigo, reagir rapidamente e comandar o veículo; a mecânica precisa transformar esse comando em frenagem, estabilidade e mudança de trajetória com eficiência.
É justamente essa combinação que deveria ganhar espaço durante a Semana Nacional do Trânsito: menos distração, mais prevenção e manutenção em dia.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 35% apontam o celular – Na sondagem da Continental, o uso do aparelho ao volante foi considerado o principal risco no trânsito pelos participantes.
- 93% se consideram seguros – A grande maioria afirma dirigir de maneira segura ou muito segura, apesar de reconhecer diferentes comportamentos perigosos nas vias.
- Manutenção pouco lembrada – Apenas 4% colocaram as condições e a manutenção dos veículos entre os maiores riscos para a segurança.
- Pneus ganham importância – São responsáveis pelo contato do automóvel com o pavimento e interferem diretamente em frenagem, estabilidade e capacidade de transmitir forças.
- Segurança supera preço – 42% disseram priorizar segurança e desempenho na compra dos pneus, contra 8% que apontaram o preço como principal critério.
- Três tipos de distração – Usar o celular pode provocar simultaneamente distrações visual, manual e cognitiva.
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- Tempo de reação – É o intervalo entre o motorista perceber um perigo e começar efetivamente a agir. Durante esse período, o automóvel continua percorrendo distância, razão pela qual distrações podem aumentar significativamente o espaço necessário para evitar uma colisão.
- ABS – Sistema que controla o bloqueio das rodas em frenagens intensas. Seu principal benefício é permitir que o motorista mantenha maior capacidade de direcionar o veículo durante a frenagem.
- ESC – O controle eletrônico de estabilidade identifica diferenças entre a trajetória pretendida pelo motorista e o movimento efetivo do automóvel. Quando necessário, pode acionar individualmente os freios e interagir com outros sistemas para ajudar a estabilizar o veículo.
- Aderência – É a capacidade de interação entre pneu e pavimento para transmitir as forças de aceleração, frenagem e mudança de direção. Água, desgaste, pressão inadequada e condições do piso podem reduzir essa capacidade.
- Aquaplanagem – Ocorre quando o pneu perde contato adequado com o pavimento devido à camada de água. Sulcos desgastados, velocidade elevada e grande volume de água aumentam o risco.
- Calibragem – A pressão dos pneus influencia desgaste, estabilidade, consumo e comportamento em frenagens. A referência correta deve ser a pressão recomendada pelo fabricante do veículo para cada condição de carga.

