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Novo Geely EX5 muda de tração, chega a 329 cv e abre grande distância para versão brasileira

Evolução que estreia na China em 23 de setembro adota arquitetura de 800 V, motor traseiro de 329 cv, bateria de até 70 kWh, LiDAR e um surpreendente porta-malas dianteiro de 160 litros.

O Geely EX5 vendido atualmente no Brasil tem 218 cv, tração dianteira, bateria de 60,22 kWh e autonomia de até 413 km pelo Inmetro. A evolução que chega ao mercado chinês em 23 de setembro praticamente redesenha sua base técnica: serão 329 cv, tração traseira, sistema elétrico de 800 V, até 70 kWh de bateria e 635 km pelo ciclo CLTC. Mais do que uma atualização estética, estamos diante de uma mudança profunda na arquitetura do SUV elétrico.

A Geely prepara para 23 de setembro de 2026, na China, a estreia comercial de uma evolução substancial do SUV elétrico conhecido internacionalmente como EX5 e comercializado no mercado chinês como Galaxy E5.

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Embora mantenha a identidade visual do modelo já conhecido, as alterações técnicas são significativas. O novo carro troca a configuração de motor dianteiro e tração dianteira por um conjunto instalado no eixo traseiro, passa para uma arquitetura elétrica de 800 volts, recebe baterias de maior capacidade e incorpora um conjunto mais sofisticado de sensores para assistência à condução.

A comparação é especialmente interessante para o Brasil porque o EX5 iniciou sua trajetória nacional em 2025 e permanece sendo comercializado com uma configuração tecnicamente bastante diferente daquela que agora será apresentada aos chineses. O modelo brasileiro utiliza motor elétrico de 160 kW (218 cv) e 320 Nm, enquanto a nova especificação chinesa passa para 245 kW (329 cv).

De 218 para 329 cv

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Esta é provavelmente a mudança que mais chama atenção inicialmente.

O EX5 comercializado no Brasil possui 218 cv e 320 Nm, acelera de zero a 100 km/h em até 6,9 segundos na versão Pro e tem velocidade máxima de 180 km/h. O motor movimenta as rodas dianteiras.

No novo Galaxy E5 chinês, o motor passa para o eixo traseiro e desenvolve 245 kW, equivalentes a aproximadamente 329 cv. Isso representa aumento próximo de 51% na potência em relação aos 218 cv do carro brasileiro.

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São 111 cv adicionais.

Mais importante, entretanto, é a mudança da arquitetura de tração. Em vez de puxar o automóvel pelas rodas dianteiras, o novo modelo passa a empurrá-lo pelas traseiras.

Essa solução também muda a distribuição dos componentes e pode alterar significativamente o comportamento dinâmico do automóvel.

400 V dão lugar aos 800 V

Outra transformação importante está na arquitetura elétrica.

A nova geração chinesa passa para um sistema de 800 volts, enquanto a configuração anterior utiliza uma arquitetura de 400 V. A mudança não significa simplesmente que o motor ficou mais potente. Uma arquitetura de maior tensão permite transmitir determinada potência utilizando menos corrente elétrica.

Na prática, isso pode contribuir para reduzir perdas térmicas e facilitar a utilização de potências elevadas durante a recarga rápida.

A Geely também prepara uma nova tecnologia de carregamento associada à plataforma de 800 V e baterias com capacidade de recarga de até 6C. Os detalhes completos deverão ser divulgados juntamente com o lançamento de 23 de setembro. Portanto, ainda é prudente aguardar as especificações definitivas antes de estabelecer tempos de recarga diretamente comparáveis aos do EX5 brasileiro.

No Brasil, o modelo atual aceita até 100 kW em corrente contínua e pode passar de 30% para 80% da bateria em aproximadamente 20 minutos. Em corrente alternada, aceita 11 kW.

Bateria cresce para até 70 kWh

Também haverá mudança importante no armazenamento de energia.

O EX5 brasileiro utiliza uma bateria Short Blade LFP de 60,22 kWh. Na versão Pro, a Geely informa autonomia de até 413 km pelo Inmetro; na MAX, o site brasileiro informa 349 km.

O novo modelo chinês terá duas alternativas.

A primeira utilizará bateria de aproximadamente 61,5 kWh, associada a uma autonomia declarada de 550 km CLTC. A segunda terá aproximadamente 70 kWh e alcançará 635 km CLTC.

Aqui existe uma ressalva fundamental: 413 km Inmetro e 635 km CLTC não podem ser comparados diretamente, pois são obtidos por metodologias diferentes.

As informações preliminares publicadas sobre o novo modelo apontam equivalências de aproximadamente 451 km WLTP para a bateria menor e 521 km WLTP para a maior. Esses números também não constituem homologação brasileira.

Portanto, ainda não é possível afirmar qual seria a autonomia do novo EX5 pelo Inmetro.

Comparativo: EX5 Brasil x novo Galaxy E5 China

Geely EX5 atual no Brasil
Potência: 218 cv (160 kW)
Torque: 320 Nm
Tração: dianteira
Arquitetura elétrica: 400 V
Bateria: 60,22 kWh LFP
Autonomia: até 413 km Inmetro na Pro
Recarga DC: até 100 kW
0 a 100 km/h: 6,9 segundos na Pro
Comprimento: 4.615 mm
Largura: 1.901 mm
Altura: 1.670 mm
Entre-eixos: 2.750 mm

Novo Geely Galaxy E5/EX5 na China
Potência: 329 cv (245 kW)
Tração: traseira
Arquitetura elétrica: 800 V
Baterias: 61,5 ou 70 kWh
Autonomia: 550 ou 635 km CLTC
Comprimento: 4.636 mm
Largura: 1.920 mm
Altura: 1.670 mm
Entre-eixos: 2.750 mm
Porta-malas dianteiro: 160 litros
Capacidade do compartimento dianteiro: até 50 kg
Rodas: 19 polegadas

Ou seja, o novo carro fica 21 mm mais comprido e 19 mm mais largo, conserva exatamente os 2.750 mm de entre-eixos e mantém a altura de 1.670 mm.

Novo arranjo mecânico cria frunk de 160 litros

A transferência do conjunto de propulsão para a traseira também permitiu aproveitar melhor a área dianteira.

O novo EX5 terá um porta-malas dianteiro de 160 litros, conhecido como frunk. O compartimento suporta até 50 kg e terá abertura elétrica do capô.

É uma capacidade bastante relevante para um compartimento dianteiro e pode ser especialmente útil para guardar cabos de carregamento, pequenas bagagens e objetos que normalmente ocupariam espaço no porta-malas traseiro.

O EX5 atualmente vendido no Brasil destaca-se pelo aproveitamento interno, oferecendo 461 litros no compartimento traseiro e até 1.877 litros com os bancos rebatidos, mas não dispõe desse grande compartimento dianteiro da nova configuração chinesa.

LiDAR amplia capacidade dos sistemas de assistência

Outra diferença importante está sobre o teto.

O novo Galaxy E5 recebe LiDAR, além de sensores adicionais nos para-lamas dianteiros e outras câmeras para ampliar a capacidade de percepção do ambiente.

O conjunto será associado ao sistema G-Pilot H5/G-ASD, que inclui funções mais avançadas de assistência à condução, inclusive Navigate On Autopilot (NOA) em vias urbanas e rodovias, segundo as informações divulgadas sobre o modelo chinês.

O EX5 brasileiro já dispõe de um pacote abrangente de assistências, dependendo da versão, mas não utiliza essa configuração com LiDAR apresentada para o novo modelo chinês.

Mudanças também aparecem por fora

Visualmente, a Geely optou pela evolução em vez de uma ruptura completa.

As proporções continuam familiares, mas aparecem maçanetas convencionais, substituindo as unidades embutidas utilizadas no EX5 brasileiro, além de para-choques redesenhados, elementos cromados foscos e o módulo LiDAR instalado na região superior do veículo.

Também muda a localização da tomada de carregamento, posicionada no para-lama traseiro do lado do motorista no novo modelo.

No interior permanecem elementos conhecidos da estratégia digital da Geely, como grande central multimídia, painel digital e head-up display, acompanhados pelo sistema de áudio Flyme Sound. A nova configuração também utiliza seletor da transmissão atrás do volante e mantém comandos físicos no console central.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O ponto mais importante desta evolução do EX5 não está nos 111 cv adicionais. Está na mudança completa da lógica utilizada para entregar essa potência.

Passar de tração dianteira para traseira e de uma arquitetura de 400 para 800 volts significa alterar dois elementos fundamentais de um veículo elétrico: a disposição do conjunto de propulsão e a maneira como a energia circula pelo sistema de alta tensão.

A arquitetura de 800 V merece atenção especial. Para entregar a mesma potência elétrica, aumentar a tensão permite reduzir a corrente. E corrente elevada significa maiores perdas por efeito Joule e maior geração de calor. É justamente por isso que arquiteturas de alta tensão são particularmente interessantes quando o objetivo é trabalhar com recargas muito rápidas e elevada potência.

O aumento da bateria de 60,22 para até 70 kWh também é relevante, mas não explica sozinho o salto anunciado de autonomia. Eficiência do conjunto de propulsão, eletrônica de potência, aerodinâmica, gerenciamento térmico e software precisam trabalhar em conjunto.

Existe ainda um ganho prático que traduz muito bem a mudança de arquitetura: o frunk de 160 litros. Transferir o motor para trás liberou espaço dianteiro suficiente para criar praticamente um segundo porta-malas.

A potência, por sua vez, muda de patamar. Os atuais 218 cv já são suficientes para levar o EX5 Pro brasileiro de zero a 100 km/h em 6,9 segundos. Com 329 cv, o novo modelo entra em uma faixa de desempenho consideravelmente superior, embora ainda seja necessário aguardar a divulgação completa dos números de aceleração e torque da configuração que estreia no dia 23.

Mas existe uma questão ainda mais interessante para nós: quando — e se — essa evolução chegará ao Brasil?

Até o momento, a Geely não confirmou que o novo conjunto de 329 cv, tração traseira, arquitetura de 800 V, bateria de 70 kWh e LiDAR será oferecido no mercado brasileiro. Portanto, não seria correto tratar essa configuração como substituta já confirmada do EX5 nacional.

O que já podemos afirmar é que a distância tecnológica entre o EX5 atualmente vendido no Brasil e o Galaxy E5 que estreia na China em 23 de setembro aumentará consideravelmente.

E isso acontece pouco mais de um ano depois da chegada do modelo ao nosso mercado — um exemplo bastante claro da velocidade com que a indústria chinesa de veículos elétricos está atualizando plataformas, baterias e sistemas eletrônicos.

Para acompanhar lançamentos, avaliações, tecnologia e análises do setor automotivo, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 329 cv – Potência do novo motor elétrico traseiro, contra 218 cv do EX5 brasileiro.
  • 800 V – Nova arquitetura elétrica utilizada pelo modelo que estreia na China.
  • 70 kWh – Capacidade da maior bateria anunciada para a nova configuração.
  • 635 km – Autonomia máxima declarada pelo ciclo chinês CLTC; não deve ser comparada diretamente aos números do Inmetro.
  • 160 litros – Capacidade do novo porta-malas dianteiro.
  • 2.750 mm – Entre-eixos permanece igual ao do EX5 atual, apesar do crescimento externo da carroceria.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Arquitetura de 800 V – Sistema elétrico de alta tensão que permite trabalhar com elevada potência utilizando menor corrente, favorecendo eficiência e potencial de recarga rápida.
  • Tração traseira – Configuração na qual o motor transmite força às rodas posteriores. No novo EX5, o motor elétrico deixa o eixo dianteiro e passa para o traseiro.
  • CLTC – Ciclo chinês utilizado para homologar consumo e autonomia. Seus resultados não devem ser comparados diretamente aos obtidos pelo Inmetro.
  • LFP – Química de bateria de lítio-ferro-fosfato, utilizada pela família Short Blade da Geely.
  • LiDAR – Sensor que utiliza pulsos de luz para mapear objetos e distâncias ao redor do veículo, complementando câmeras e outros sensores dos sistemas de assistência.
  • Frunk – Abreviação de front trunk, o porta-malas instalado sob o capô dianteiro em alguns veículos elétricos.
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