A DAF amplia sua estratégia no mercado de caminhões vocacionais com o CF 6×4 Construção Betoneira, desenvolvido a partir da operação real da Bennter no Rio Grande do Sul. Rodando entre estradas, cidades e canteiros de obras, o caminhão permitiu avaliar relação de diferencial, desempenho em aclives, consumo, robustez e dirigibilidade. A experiência avançou e a empresa já adquiriu outras três unidades, agora com transmissão automatizada.
A DAF Caminhões prepara para a próxima Fenatran a apresentação do CF 6×4 Construção Betoneira, configuração que representa um passo importante na ampliação da presença da fabricante brasileira nos chamados caminhões vocacionais.
Diferentemente de um caminhão dedicado predominantemente ao transporte rodoviário, um vocacional precisa responder às características específicas da atividade para a qual foi concebido. No caso de uma betoneira, isso significa conviver diariamente com duas condições bastante distintas: deslocamentos sobre asfalto e circulação em canteiros de obras, terrenos irregulares, barro e aclives.
O projeto foi desenvolvido e testado em parceria com a Bennter, empresa gaúcha especializada no fornecimento de argamassa e concreto usinado.
Do canteiro de obras para a engenharia
Um dos pontos mais interessantes do projeto está no método utilizado para desenvolver a configuração. O caminhão foi colocado diretamente na operação da Bennter para que a engenharia pudesse observar seu comportamento nas condições encontradas diariamente pelo cliente.
Foram analisados aspectos como relação de diferencial, capacidade de enfrentar aclives, robustez, consumo de combustível e dirigibilidade.
A experiência permitiu que informações fornecidas por motoristas e gestores da frota fossem utilizadas para promover ajustes no veículo. Entre eles, houve alterações na relação do diferencial, buscando adequar a resposta do trem de força às condições encontradas na operação realizada no Rio Grande do Sul.
“Quando colocamos um caminhão em uma operação como a da Bennter, conseguimos transformar a experiência do cliente em informação para o desenvolvimento do produto. O resultado é um veículo cada vez mais adequado à realidade brasileira e às necessidades específicas de cada aplicação”, afirma Luis Gambim, diretor Comercial da DAF Caminhões Brasil.
Para Alan Messias, diretor de Desenvolvimento de Produtos da fabricante, os testes operacionais permitem encontrar situações que dificilmente seriam reproduzidas integralmente em laboratório.
“O uso real é uma etapa fundamental no desenvolvimento de um caminhão vocacional. A operação mostra situações que dificilmente poderiam ser reproduzidas integralmente em laboratório. É a partir dessa experiência que conseguimos aperfeiçoar o caminhão e encontrar o equilíbrio entre robustez, produtividade, conforto e eficiência”, explica.
Motor PACCAR PX-7 entrega 308 cv e 1.200 Nm
O CF 6×4 utilizado nos testes da Bennter é equipado com o PACCAR PX-7 de 6,7 litros, motor que desenvolve 308 cv de potência e 1.200 Nm de torque.
Na configuração atualmente avaliada, o propulsor trabalha associado a uma transmissão de nove velocidades.
Mais do que a potência máxima, uma operação desse tipo exige atenção à maneira como o torque chega às rodas. Uma betoneira trabalha carregada e precisa vencer rampas, movimentar-se em baixa velocidade e enfrentar pisos com menor aderência.
É nesse contexto que a escolha da relação do diferencial ganha importância. Alterar essa relação modifica o equilíbrio entre força disponível nas rodas e velocidade de deslocamento, permitindo adequar o caminhão às características predominantes da operação.
Tração 6×4 atende condições fora do asfalto
A configuração 6×4 significa que o caminhão possui três eixos e dois deles recebem força do motor.
Essa arquitetura aumenta a capacidade de tração em comparação com configurações nas quais apenas um eixo traseiro é motriz, característica particularmente importante quando o veículo entra em terrenos de obras.
Para uma betoneira, entretanto, não basta privilegiar somente a capacidade de enfrentar pisos difíceis.
Boa parte do percurso até o cliente pode ocorrer sobre asfalto. O projeto precisa, portanto, encontrar um compromisso entre tração no canteiro, consumo nas estradas, capacidade de carga, manobrabilidade e desempenho com o veículo carregado.
É justamente essa combinação de condições que tornou a operação da Bennter uma base de desenvolvimento para o modelo.
Bennter amplia experiência com transmissão automatizada
Os resultados obtidos com o caminhão levaram a empresa gaúcha a ampliar a experiência com o CF. A Bennter adquiriu três novas unidades equipadas com transmissão automatizada.
A mudança permitirá comparar o comportamento dessa solução com a configuração já utilizada.
Em operações severas, a transmissão automatizada pode contribuir para padronizar as trocas de marcha e reduzir a interferência da experiência individual do motorista na utilização do trem de força.
Ao mesmo tempo, será a operação diária que mostrará como o conjunto responde às particularidades do transporte de concreto, especialmente em manobras, aclives e deslocamentos sobre terrenos de baixa aderência.
DAF busca espaço além do transporte rodoviário
O CF Betoneira também revela uma movimentação estratégica da DAF no Brasil.
A fabricante vem ampliando sua atuação para além dos caminhões predominantemente rodoviários e avançando em aplicações ligadas à construção, mineração e operações florestais.
Esses segmentos apresentam exigências bastante diferentes das encontradas no transporte de longa distância. O veículo pode enfrentar pisos severos, ciclos constantes de aceleração e frenagem, operações em baixa velocidade, elevada carga e maior exposição dos componentes estruturais.
No transporte de concreto existe ainda uma particularidade: tempo faz parte da operação.
O caminhão precisa transportar o material mantendo suas características e chegar ao local de aplicação dentro da programação estabelecida. Uma indisponibilidade mecânica pode comprometer não apenas o veículo, mas também a carga e o planejamento da obra.
Por isso, atributos como disponibilidade, confiabilidade e produtividade assumem peso decisivo na escolha do equipamento.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O aspecto mais interessante do DAF CF Betoneira não está simplesmente na configuração 6×4 ou nos 308 cv do motor. Está na forma como o caminhão está sendo desenvolvido: a aplicação participa diretamente da definição do produto.
Um caminhão betoneira vive uma situação mecânica bastante particular. Durante parte do dia pode trafegar normalmente sobre asfalto, mas poucos quilômetros depois precisa entrar carregado em um terreno irregular, realizar manobras em espaços restritos e vencer rampas onde a aderência pode ser limitada.
É justamente por isso que a relação do diferencial mencionada pela DAF merece atenção. Não se trata apenas de trocar uma relação por outra. Uma relação mais adequada à aplicação pode aumentar a multiplicação de torque nas rodas e facilitar o trabalho em baixa velocidade e aclives. Em contrapartida, essa escolha também precisa considerar velocidade de cruzeiro, rotação do motor e consumo nos deslocamentos rodoviários.
O PACCAR PX-7 com 1.200 Nm também deve ser analisado nesse contexto. Para uma betoneira, interessa muito mais a disponibilidade de força na faixa de utilização do que simplesmente um número elevado de potência máxima.
Outro ponto será acompanhar as novas unidades com transmissão automatizada. Em uma frota, reduzir diferenças de condução entre motoristas pode trazer ganhos em consumo, desgaste da embreagem e utilização do trem de força, mas uma aplicação vocacional exige calibração adequada para manobras e deslocamentos de baixa velocidade.
O desenvolvimento em campo, portanto, é especialmente relevante. Um caminhão vocacional eficiente não é necessariamente aquele com maior potência, mas aquele cujo motor, transmissão, diferencial, chassi e configuração de eixos trabalham de maneira coerente com a atividade realizada.
Para acompanhar caminhões, transporte, tecnologia e análises técnicas do setor automotivo, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- CF Betoneira 6×4 – Nova configuração vocacional da DAF destinada à operação com betoneira e que será apresentada na Fenatran.
- Teste em operação real – O desenvolvimento ocorre junto à Bennter, utilizando situações encontradas diariamente no transporte de concreto.
- 308 cv e 1.200 Nm – São os números informados para o motor PACCAR PX-7 de 6,7 litros utilizado no caminhão avaliado.
- Relação de diferencial – Foi um dos elementos ajustados durante o desenvolvimento para adequar o desempenho às condições da operação.
- Transmissão automatizada – A Bennter adquiriu três novas unidades nessa configuração, ampliando os testes e a comparação operacional.
- Estratégia vocacional – A DAF busca ampliar sua participação em aplicações específicas, incluindo construção, mineração e operações florestais.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
- Caminhão vocacional – É desenvolvido para uma aplicação específica, como betoneira, mineração, construção ou operação florestal, exigindo configuração adequada ao tipo de trabalho.
- Configuração 6×4 – Indica um caminhão com três eixos, sendo dois eixos motrizes, característica que aumenta a capacidade de tração em terrenos de menor aderência.
- Relação do diferencial – Determina parte da multiplicação de torque entre a transmissão e as rodas. Relações diferentes podem privilegiar força em baixa velocidade ou velocidade de deslocamento, dependendo da aplicação.
- Torque – É a força de rotação entregue pelo motor. Os 1.200 Nm do PX-7 são especialmente importantes quando o caminhão precisa arrancar carregado ou enfrentar aclives.
- Transmissão automatizada – Realiza automaticamente o acionamento da embreagem e as trocas de marcha, buscando combinar facilidade de condução, padronização operacional e proteção do trem de força.
- Disponibilidade operacional – Representa quanto tempo o caminhão permanece efetivamente disponível para trabalhar. Em uma betoneira, uma parada inesperada pode afetar veículo, carga e programação da obra simultaneamente.


