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BYD estreia carregador de 1.500 kW no Brasil. Quais carros podem usar toda a potência?

Primeiro Flash Charging comercial foi instalado em Brasília e promete adicionar até 400 km em cinco minutos, mas a velocidade depende diretamente da capacidade elétrica do veículo.

A BYD colocou em operação comercial no Brasil um carregador capaz de entregar até 1.500 kW, potência muito acima da encontrada atualmente na maior parte da infraestrutura pública de recarga. A promessa é adicionar até 400 quilômetros de autonomia em apenas cinco minutos, aproximando a parada de um elétrico do tempo gasto no abastecimento convencional. Existe, porém, uma condição fundamental por trás desses números: instalar um carregador extremamente potente não faz qualquer carro elétrico carregar nessa velocidade. O verdadeiro limite pode estar do outro lado do cabo.

A BYD iniciou a operação comercial do Flash Charging no Brasil, com a primeira unidade instalada na concessionária Denza de Brasília (DF), pertencente ao Grupo Saga.

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Na apresentação, o piloto Felipe Massa realizou a primeira recarga no equipamento ao lado dos executivos Tyler Li e Alexandre Baldy.

Segundo a fabricante, o sistema pode atingir potência de até 1.500 kW, permitindo acrescentar até 400 quilômetros de autonomia em cinco minutos nos veículos preparados para trabalhar com essa tecnologia.

Em modelos compatíveis, a BYD afirma que a bateria pode passar de 10% para 70% em cinco minutos e atingir 97% em nove minutos.

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Mas a expressão mais importante nessa informação é justamente: modelos compatíveis.

Ter 1.500 kW disponíveis não significa carregar a 1.500 kW

Existe uma diferença fundamental entre a potência máxima que o carregador consegue fornecer e aquela que o automóvel consegue efetivamente receber.

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A estação pode disponibilizar até 1.500 kW, mas o veículo possui seus próprios limites elétricos, térmicos e eletrônicos.

Se determinado elétrico aceita uma potência máxima muito inferior, instalá-lo em um Flash Charging não transforma automaticamente sua capacidade de recarga.

Na prática, carregador e veículo negociam eletronicamente as condições da recarga. O automóvel determina quanto pode receber naquele momento e a estação entrega energia dentro desses parâmetros.

Portanto, os números de 400 km em cinco minutos, 10% a 70% no mesmo período e 97% em nove minutos não podem ser generalizados para qualquer carro elétrico.

Eles dependem de veículos desenvolvidos para operar com o sistema.

Denza Z9 GT será o primeiro compatível no Brasil

A própria BYD deixa essa limitação clara ao informar que o Denza Z9 GT será o primeiro modelo comercializado no Brasil compatível com a tecnologia Flash Charging.

Isso significa que, neste primeiro momento, a chegada do carregador está à frente da disseminação de automóveis capazes de explorar sua capacidade.

E essa relação entre infraestrutura e veículo será determinante para a expansão da recarga ultrarrápida.

Para trabalhar com potências extremamente elevadas, não basta aumentar a capacidade da estação.

O automóvel precisa ter arquitetura elétrica, bateria, células, barramentos, conectores, cabos, sistema de gerenciamento eletrônico e controle térmico dimensionados para receber grandes quantidades de energia em pouco tempo.

Esse talvez seja o aspecto técnico mais importante da estreia brasileira.

Quanto maior a potência, maior o desafio térmico

Uma recarga rápida não envolve apenas transferir eletricidade.

Parte do desafio está em controlar a temperatura durante o processo.

Quanto maior a corrente e a potência envolvidas, mais importante se torna limitar perdas elétricas e administrar o calor gerado no sistema.

Por isso, a capacidade máxima de recarga anunciada para um automóvel não significa necessariamente que aquela potência será mantida durante toda a sessão.

A potência pode variar de acordo com o estado de carga da bateria, sua temperatura, condições ambientais e estratégia definida pelo sistema de gerenciamento.

É a chamada curva de recarga.

Normalmente, a potência disponível precisa ser administrada ao longo do processo para preservar os limites operacionais definidos para bateria e componentes.

Assim, observar somente o número máximo em quilowatts não é suficiente para determinar quanto tempo um veículo ficará conectado.

O próprio carro pode ser o gargalo

Imagine um carregador capaz de fornecer 1.500 kW conectado a um automóvel cuja arquitetura permita receber uma potência muito menor.

Nesse caso, o limite será determinado pelo veículo.

O mesmo princípio vale para praticamente qualquer estação rápida.

Um carregador de maior potência pode oferecer vantagens quando utilizado por carros preparados para recebê-la, mas não elimina as limitações de modelos projetados para taxas menores.

Isso também ajuda a explicar por que a infraestrutura brasileira precisará evoluir em paralelo com os automóveis.

Não basta espalhar carregadores de potência cada vez maior.

É necessário observar quantos veículos conseguem efetivamente aproveitar essas estações, onde eles circulam e qual potência conseguem sustentar durante a recarga.

Armazenamento ajuda a lidar com a rede elétrica

A potência de 1.500 kW cria outro desafio: de onde vem tanta energia naquele instante?

A solução apresentada pela BYD combina o carregador com um sistema integrado de armazenamento de energia.

A eletricidade pode ser acumulada ao longo do tempo e posteriormente liberada em potência elevada durante a recarga do automóvel.

Isso reduz a necessidade de a rede elétrica entregar instantaneamente toda a potência de pico demandada pelo veículo.

É uma diferença importante.

Um carregador de 1,5 MW representa uma carga extremamente elevada para uma instalação elétrica. A própria BYD compara essa potência à utilização simultânea de cerca de 200 chuveiros elétricos de 7.500 W.

O armazenamento estacionário funciona, portanto, como uma espécie de reservatório de energia elétrica, carregado em condições administráveis para ajudar a atender picos muito maiores.

Isso amplia as possibilidades de implantação, mas não significa que uma estação dessa potência possa ser instalada em qualquer lugar sem estudos de infraestrutura, conexão elétrica e demanda.

BYD quer mil carregadores até o fim de 2027

A estação instalada em Brasília é a primeira de um plano consideravelmente maior.

A BYD anunciou a intenção de colocar em operação mil carregadores ultrarrápidos no Brasil até o final de 2027.

Segundo a empresa, existem aproximadamente 10 mil estações com a tecnologia na China, e o Brasil se torna o primeiro país das Américas a receber o Flash Charging em operação comercial.

A escolha de Brasília também acompanha a expansão dos eletrificados na região.

Segundo os números apresentados pela fabricante, a capital federal registrou 5.048 emplacamentos de veículos eletrificados em agosto, ficando atrás apenas de São Paulo entre as cidades brasileiras.

A BYD informa ainda que o Brasil chegou naquele mês a 951 mil eletrificados emplacados desde 2022.

Recarga de cinco minutos não será imediatamente o novo padrão

A comparação com o tempo de abastecimento de um veículo a combustão é inevitável.

Se um automóvel realmente consegue recuperar centenas de quilômetros de alcance durante uma parada de cinco minutos, uma das principais diferenças práticas entre abastecer e recarregar diminui consideravelmente.

Mas isso ainda não significa que todo carro elétrico poderá parar no novo carregador e sair cinco minutos depois com centenas de quilômetros adicionais de autonomia.

Para isso, três elementos precisam funcionar em conjunto: a estação precisa fornecer a potência, a infraestrutura local precisa disponibilizar a energia e o veículo precisa conseguir recebê-la.

O Flash Charging resolve apenas uma parte dessa equação.

E talvez seja justamente essa a principal mudança que a nova geração de recarga começa a provocar.

Depois de anos discutindo principalmente quantos carregadores existem, a próxima pergunta passa a ser: quantos carros conseguem realmente aproveitar tudo o que eles oferecem?

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Um carregador de 1.500 kW impressiona, principalmente quando aparece acompanhado da possibilidade de acrescentar 400 quilômetros em cinco minutos.

Mas precisamos evitar uma interpretação comum quando falamos de recarga elétrica: potência da estação não é potência garantida no carro.

É parecido com ter uma fonte capaz de entregar muito mais energia do que determinado equipamento consegue consumir. Quem estabelece um dos limites continua sendo o próprio equipamento.

No automóvel elétrico, isso envolve bateria, química das células, tensão do sistema, corrente suportada, temperatura, cabos, conectores e estratégia do gerenciamento eletrônico.

E existe outra diferença importante.

Mesmo um veículo capaz de atingir uma potência elevadíssima não necessariamente permanece naquele pico durante toda a recarga. É a curva completa, e não apenas o maior número registrado, que determina o tempo final.

Por isso, o aspecto mais interessante do Flash Charging talvez não seja simplesmente o carregador de 1.500 kW.

É o surgimento de uma nova geração de veículos capaz de receber energia em uma velocidade que até pouco tempo parecia incompatível com uma bateria automotiva.

A infraestrutura começa a chegar ao Brasil antes mesmo de existir uma frota significativa preparada para explorá-la.

O Denza Z9 GT será o primeiro.

A partir daí, teremos uma questão importante para acompanhar: quanto dessa potência os próximos carros vendidos no Brasil realmente conseguirão utilizar?

Para acompanhar carros elétricos, baterias e as tecnologias que estão mudando a maneira de abastecer nossos veículos, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Até 1.500 kW – É a potência máxima informada pela BYD para o Flash Charging instalado em Brasília.
  • 400 km em cinco minutos – A fabricante afirma que o sistema pode acrescentar esse alcance em veículos compatíveis; o resultado não pode ser generalizado para qualquer elétrico.
  • 10% a 70% – É a evolução de carga prometida em cinco minutos nos modelos preparados para explorar a tecnologia, chegando a 97% em nove minutos.
  • Carro também limita – A potência efetivamente recebida depende das características e dos limites estabelecidos pelo próprio veículo.
  • Energia armazenada – A estação utiliza armazenamento integrado para acumular eletricidade e disponibilizar elevada potência durante a sessão de recarga.
  • Mil unidades – A BYD pretende colocar mil carregadores ultrarrápidos em operação no Brasil até o final de 2027.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • kW – Quilowatt é uma unidade de potência. Na recarga, indica a velocidade instantânea com que a energia pode ser transferida; não deve ser confundido com kWh, que representa quantidade de energia.
  • Curva de recarga – Variação da potência recebida pela bateria durante a sessão. O pico anunciado é apenas um ponto dessa curva e não necessariamente permanece constante.
  • Gerenciamento térmico – Conjunto de sistemas responsáveis por controlar a temperatura da bateria e de outros componentes, fundamental durante recargas de elevada potência.
  • Armazenamento estacionário – Bateria instalada junto à infraestrutura de recarga que pode acumular energia gradualmente e liberá-la em potência elevada quando um veículo precisa carregar.
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