A DENZA amplia sua ofensiva tecnológica na Europa com um superesportivo elétrico capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos e recuperar quase toda a carga da bateria em apenas nove minutos, segundo a fabricante. Mas a evolução vai além da potência: envolve sistemas capazes de controlar individualmente o torque, adaptar a suspensão em milissegundos e integrar diferentes funções eletrônicas do veículo.
A DENZA, marca premium do Grupo BYD, amplia sua presença no mercado europeu com a apresentação do superesportivo elétrico Z, do SUV híbrido plug-in BAO 5 e de novas tecnologias de assistência à condução para o Z9GT.
A ofensiva reúne três propostas tecnológicas diferentes: desempenho extremo com eletrificação, capacidade fora de estrada combinada à propulsão híbrida e sistemas eletrônicos capazes de auxiliar o motorista em situações complexas do trânsito urbano.
O principal destaque mecânico é o DENZA Z, apresentado nas configurações Coupé, Spider e Racing. Todas utilizam três motores elétricos, bateria Blade de segunda geração e uma arquitetura desenvolvida especificamente para veículos esportivos.
DENZA Z combina 1.604 cv e três motores elétricos
O DENZA Z utiliza a plataforma e³ Sports Car, com um motor elétrico dianteiro e dois traseiros, sendo um responsável por cada roda do eixo posterior. Essa configuração permite gerenciar individualmente a força aplicada às rodas traseiras.
O conjunto entrega 1.604 cv de potência combinada e 1.240 Nm de torque, números que colocam o modelo entre os esportivos elétricos de elevado desempenho.
No Z Coupé, a aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 2,25 segundos, com velocidade máxima de 300 km/h, de acordo com os dados divulgados pela fabricante.
A configuração Z Racing, equipada com pneus semi-slick opcionais, reduz o tempo de aceleração para 1,96 segundo e alcança velocidade máxima de 350 km/h.
A utilização de motores independentes nas rodas traseiras permite realizar a vetorização eletrônica de torque, recurso que controla a distribuição de força conforme as condições de aderência e as solicitações do motorista.
O sistema também possibilita uma manobra denominada curva de bússola, na qual as rodas traseiras movimentam o veículo ao redor do eixo dianteiro, aproveitando o controle independente dos motores elétricos.
Suspensão magnetorreológica ajusta o amortecimento em milissegundos
Uma das principais novidades de engenharia do DENZA Z é a suspensão DiSus-M, que utiliza amortecedores preenchidos com fluido magnetorreológico para controlar os movimentos da carroceria.
Esse fluido altera suas características de escoamento quando submetido a um campo magnético, permitindo modificar rapidamente a resistência dos amortecedores durante os movimentos de compressão e retorno.
Na prática, a tecnologia busca combinar maior controle da carroceria em curvas com respostas mais adequadas às irregularidades do pavimento, reduzindo a necessidade de um ajuste fixo entre conforto e esportividade.
O conjunto utiliza suspensão dianteira por braços duplos triangulares e traseira multilink. Coupé e Spider contam com suspensão pneumática, enquanto a versão Racing utiliza molas helicoidais, em uma configuração mais direcionada à utilização em circuito.
O gerenciamento eletrônico é realizado pelo Vehicle Motion Control (VMC), responsável por coordenar sistemas como freios, suspensão e direção. A DENZA informa tempo de transmissão de sinais de apenas 10 milissegundos, favorecendo respostas rápidas dos sistemas controlados.
Outro recurso é o gerenciamento eletrônico em caso de estouro de pneu. O sistema identifica a ocorrência e ajusta a distribuição de torque, trabalhando em conjunto com os controles de estabilidade para reduzir a possibilidade de perda de controle direcional.
Os freios utilizam discos de carbono-cerâmica, com pinças de seis pistões na dianteira e quatro na traseira. Segundo a fabricante, a solução proporciona redução de aproximadamente 30 kg na massa não suspensa, além de maior resistência térmica durante frenagens intensas.
Bateria de 76 kWh promete recarga de 10% a 97% em nove minutos
O DENZA Z utiliza bateria Blade de segunda geração, com 76 kWh de capacidade, integrada estruturalmente à carroceria pela tecnologia Cell-to-Body (CTB).
Essa arquitetura permite aproveitar a bateria como parte da estrutura do veículo, contribuindo para o melhor aproveitamento do espaço e para a rigidez torcional anunciada em mais de 40.000 Nm por grau.
A autonomia divulgada varia conforme a configuração: 409 km no Z Coupé, 399 km no Z Spider e 379 km no Z Racing. As diferenças entre versões não devem ser interpretadas isoladamente, pois fatores como aerodinâmica, pneus e equipamentos podem influenciar a eficiência energética.
O material apresentado, entretanto, não identifica o ciclo de homologação utilizado para esses três valores. Portanto, não é possível compará-los diretamente com resultados do Inmetro ou tratá-los como autonomia efetiva em utilização cotidiana.
A principal novidade está no sistema de carregamento FLASH, cuja tecnologia permite fornecer até 1.500 kW por conector, dependendo da infraestrutura compatível e das condições de funcionamento.
Segundo a DENZA, o sistema permite recuperar a carga de 10% a 70% em apenas cinco minutos ou de 10% a 97% em nove minutos, reduzindo significativamente o período de imobilização para recarga.
Mesmo em temperaturas extremamente baixas, a fabricante anuncia desempenho elevado: de 20% a 97% em 12 minutos, sob temperatura ambiente de -30 °C.
É importante observar que 1.500 kW representam um valor máximo anunciado para a tecnologia de carregamento, não uma potência necessariamente mantida durante todo o processo ou integralmente absorvida pelo veículo em qualquer condição.
Para mercados como o brasileiro, a disponibilidade de carregadores compatíveis será determinante para aproveitar os tempos de recarga anunciados, considerando as limitações de infraestrutura e a necessidade de fornecimento elétrico adequado.
BAO 5 aposta em 544 cv e estrutura preparada para o off-road
Outra novidade apresentada pela DENZA é o BAO 5, SUV híbrido plug-in de cinco lugares, com 4,9 metros de comprimento e estrutura de chassi de longarinas, configuração tradicionalmente associada a veículos preparados para utilização fora de estrada.
O sistema Super Hybrid DMO (Dual Mode Off-road) combina motor 1.5 turbo a gasolina com dois motores elétricos, um em cada eixo, permitindo gerenciamento eletrônico da tração.
O motor a combustão desenvolve 150 cv e 240 Nm, enquanto os motores elétricos dianteiro e traseiro entregam, individualmente, 272 cv e 388 cv.
A potência combinada do sistema é de 544 cv e 760 Nm de torque, permitindo acelerar de 0 a 100 km/h em 4,8 segundos na versão Elegance e cinco segundos na Ultimate.
A potência combinada é inferior à soma das potências individuais porque os componentes do sistema híbrido não necessariamente atingem seus valores máximos simultaneamente, além de existirem limitações de gerenciamento energético e funcionamento do conjunto.
Embora o motor a gasolina tenha como uma de suas funções principais a geração de energia elétrica, o sistema DMO também permite seu aproveitamento mecânico na propulsão em determinadas condições de funcionamento.
O BAO 5 utiliza bateria Blade de 31,8 kWh, com autonomia elétrica anunciada de 90 km e alcance combinado de 834 km, ambos pelo ciclo WLTP.
O consumo ponderado divulgado é de 23,6 km/l, resultado que considera o procedimento de homologação para veículos híbridos plug-in e o aproveitamento da energia previamente armazenada na bateria.
Esse indicador não deve ser interpretado como consumo constante em viagens longas com a bateria descarregada, já que a eficiência de um híbrido plug-in depende diretamente do padrão de utilização e da frequência de recarga.
Na versão Ultimate, a suspensão hidráulica inteligente DiSus-P permite elevar a carroceria em até 90 mm, alcançando vão livre do solo de 310 mm.
Os ângulos de ataque e saída são de 39° e 34°, respectivamente, características importantes para superar rampas, valetas e obstáculos sem contato excessivo da carroceria com o terreno.
O conjunto também oferece ajustes independentes de suspensão, gerenciamento eletrônico de tração e nivelamento da carroceria, ampliando as possibilidades de adaptação do SUV às condições de utilização.
Z9GT receberá assistência avançada para condução urbana em 2027
Além dos novos modelos, a DENZA anunciou a evolução do sistema de assistência ao motorista God’s Eye, com a introdução do City Navigation on Driving Assistant (CNOA).
A tecnologia está prevista para chegar ao DENZA Z9GT em 2027, por atualização remota de software (OTA), utilizando componentes de hardware já instalados no veículo.
O sistema foi desenvolvido para auxiliar o motorista em situações urbanas, incluindo conversões, cruzamentos, rotatórias, mudanças de faixa e identificação de pedestres e ciclistas.
O conjunto de sensores inclui um LiDAR, 11 câmeras, três radares de ondas milimétricas e 12 sensores ultrassônicos, responsáveis por captar informações sobre o ambiente ao redor do automóvel.
O LiDAR utiliza pulsos de laser para medir distâncias e construir uma representação espacial do ambiente, enquanto câmeras e radares fornecem informações complementares para o reconhecimento de obstáculos, veículos e outros usuários da via.
A DENZA informa que o software está em processo de calibração e adaptação para atender aos requisitos regulatórios europeus, incluindo a regulamentação R171 da ONU.
O monitoramento do motorista considera direção do olhar, posição da cabeça e presença das mãos no volante, buscando verificar se o condutor permanece atento às condições de circulação.
É fundamental destacar que o CNOA não transforma o Z9GT em um veículo autônomo. O motorista continua responsável pela condução e precisa supervisionar o funcionamento da tecnologia, intervindo sempre que necessário.
A disponibilidade efetiva dependerá da conclusão das etapas de homologação e das condições autorizadas em cada mercado. Portanto, a previsão de lançamento em 2027 ainda não representa disponibilidade irrestrita do recurso.
A apresentação europeia também inclui o DENZA D9, monovolume premium com propulsão híbrida, e o Z9GT, oferecido nas configurações totalmente elétrica e híbrida.
O material apresentado não confirma preços europeus para o Z e o BAO 5, nem estabelece datas ou condições de comercialização desses modelos no mercado brasileiro.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A evolução apresentada pela DENZA demonstra uma transformação importante na engenharia dos automóveis eletrificados: o desempenho deixa de depender exclusivamente da potência dos motores e passa a envolver o gerenciamento integrado de energia, torque, suspensão e frenagem.
No Z, os três motores elétricos permitem distribuir a força de maneira individualizada, enquanto a suspensão magnetorreológica adapta o amortecimento em intervalos extremamente curtos. A integração entre os sistemas eletrônicos passa a ter papel central no aproveitamento da capacidade mecânica do veículo.
Entretanto, 1.604 cv não representam, isoladamente, melhor comportamento dinâmico. Massa total, pneus, calibração da suspensão, gerenciamento térmico e capacidade de frenagem continuam determinantes para o desempenho consistente, especialmente em circuito.
A recarga de até 1.500 kW também exige atenção. Para alcançar os tempos anunciados, não basta instalar uma bateria compatível: veículo, carregador, cabos, conectores e rede elétrica precisam trabalhar dentro das condições previstas. A capacidade de gerenciamento térmico será fundamental para atingir resultados próximos aos divulgados.
No BAO 5, o aspecto mais interessante é a utilização da eletrificação para melhorar o controle de tração fora de estrada. A resposta rápida dos motores elétricos permite modular o torque com precisão, mas a capacidade real de superar obstáculos também depende dos pneus, da geometria do veículo e da aderência disponível.
Já o CNOA representa uma evolução dos sistemas de assistência, sem eliminar a responsabilidade humana. Automatizar determinadas manobras não significa oferecer condução autônoma, distinção fundamental para evitar expectativas equivocadas sobre segurança e capacidade operacional.
Para acompanhar as novidades da engenharia dos veículos elétricos, sistemas híbridos e tecnologias de assistência à condução da DENZA, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- Ofensiva premium da BYD – A DENZA amplia sua atuação europeia com produtos que exploram diferentes segmentos, desde esportivos elétricos até SUVs híbridos e veículos familiares de luxo.
- Três motores elétricos – A configuração do Z permite controlar individualmente o torque das rodas traseiras, recurso importante para o gerenciamento da tração e do comportamento dinâmico.
- Recarga FLASH – A potência anunciada de até 1.500 kW representa uma evolução tecnológica, mas seu aproveitamento depende de infraestrutura compatível e condições adequadas da bateria.
- Eletrificação no off-road – O BAO 5 utiliza motores elétricos para modular a força transmitida aos eixos, combinando a resposta elétrica com a autonomia proporcionada pelo sistema híbrido.
- Assistência urbana – O God’s Eye com CNOA busca ampliar as situações em que o veículo pode auxiliar o motorista, mantendo a necessidade de supervisão humana.
- Mercado brasileiro – A chegada dessas tecnologias ao país dependerá de decisões comerciais, homologações e, no caso da recarga ultrarrápida, da evolução da infraestrutura disponível.
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- Suspensão magnetorreológica – Sistema de amortecimento que utiliza um fluido sensível a campos magnéticos para alterar rapidamente a resistência dos amortecedores, ajudando a controlar os movimentos da carroceria.
- Cell-to-Body (CTB) – Arquitetura na qual as células da bateria são integradas à estrutura do veículo, permitindo melhor aproveitamento do espaço e contribuição para a rigidez estrutural.
- Vetorização de torque – Tecnologia que controla a distribuição da força entre rodas ou eixos, melhorando a capacidade de tração e influenciando o comportamento do automóvel nas curvas.
- Atualização OTA (Over-the-Air) – Processo que permite instalar atualizações de software no veículo por conexão de dados, sem necessidade de intervenção física para cada atualização, desde que o hardware e os requisitos de homologação sejam compatíveis.


