Um carro elétrico compacto, com motor traseiro, tração traseira e suspensão independente, alcançou a marca de um milhão de unidades produzidas em apenas dois anos. O Geely EX2, conhecido como Xingyuan na China, atingiu o resultado em 20 de outubro de 2026, depois de estrear comercialmente em outubro de 2024. O número corresponde à produção acumulada mundial, não necessariamente às vendas realizadas aos consumidores. No Brasil, o hatch já é comercializado a partir de R$ 124.600 e tem produção nacional programada para dezembro de 2026, no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR). O modelo utiliza uma arquitetura específica para veículos eletrificados e aposta na combinação de dimensões compactas, aproveitamento do espaço interno e eficiência energética para disputar o mercado de elétricos acessíveis.
Um milhão de veículos produzidos em apenas dois anos
O Geely EX2 alcançou um milhão de unidades produzidas mundialmente, segundo anúncio realizado pela fabricante em 20 de outubro de 2026.
O resultado chama atenção pela velocidade de crescimento. Em maio de 2025, o modelo havia atingido 200 mil unidades produzidas. Em março de 2026, chegou a 600 mil, avançando para 800 mil em agosto e alcançando o primeiro milhão em outubro.
É importante diferenciar produção, entregas e vendas no varejo. O marco de um milhão representa veículos que saíram das linhas de montagem, incluindo unidades eventualmente destinadas à exportação, distribuição e formação de estoques.
A fabricante não detalhou quantos automóveis foram destinados ao mercado chinês e quantos seguiram para outros países.
Vendas na China mostram a força dos elétricos compactos
Na China, onde é comercializado como Geely Xingyuan, o hatch registrou 465.775 vendas no varejo em 2025, segundo os dados apresentados pela China EV DataTracker.
O modelo manteve volumes expressivos em 2026, com 310.391 unidades vendidas entre janeiro e setembro. Apenas em setembro, foram 44.275 veículos, acima dos 39.651 registrados em agosto e dos 32.306 comercializados em julho.
O resultado reforça a importância dos elétricos compactos de menor preço no mercado chinês, onde fabricantes disputam consumidores por meio de eficiência, equipamentos, tecnologia e custos de utilização.
Além da China, o EX2 ampliou sua presença internacional, chegando a mercados da América Latina, Sudeste Asiático, Austrália e Reino Unido. Em determinados países, o modelo utiliza a denominação E2.
Motor traseiro e suspensão multilink diferenciam o projeto
Do ponto de vista da engenharia, um dos principais diferenciais do EX2 é a utilização da arquitetura GEA (Global Intelligent Electric Architecture), desenvolvida para veículos eletrificados.
O projeto combina motor elétrico instalado na traseira, tração traseira e suspensão traseira independente multilink, configuração menos comum entre hatches elétricos compactos de entrada.
Concorrentes chineses como o BYD Seagull, conhecido no Brasil como Dolphin Mini, utilizam tração dianteira e suspensão traseira por eixo de torção.
A suspensão multilink permite controlar os movimentos das rodas por meio de diferentes braços, oferecendo maior liberdade de calibração da geometria durante o trabalho da suspensão.
Entretanto, uma suspensão independente não garante automaticamente melhor conforto ou estabilidade. O resultado depende também de amortecedores, molas, pneus, distribuição de massa e ajustes do projeto.
Baterias LFP e autonomia variam conforme a versão
Na China, o Xingyuan utiliza motores de 58 kW (aproximadamente 79 cv) ou 85 kW (aproximadamente 116 cv), dependendo da configuração.
As baterias são de fosfato de ferro-lítio (LFP), comercializadas pela Geely sob a denominação Aegis Short Blade. As capacidades inicialmente divulgadas são de 30,12 kWh e 40,16 kWh, associadas a autonomias de 310 km e 410 km no ciclo chinês CLTC.
Uma atualização apresentada em maio de 2026 ampliou a oferta com uma configuração de até 480 km de autonomia CLTC, além de introduzir o sistema multimídia Flyme Auto 2.0.
Esses valores precisam ser interpretados com cuidado. O ciclo CLTC é diferente do WLTP europeu e do padrão brasileiro de homologação do Inmetro. Portanto, os 480 km anunciados na China não representam automaticamente a distância homologada para utilização no Brasil.
Versão brasileira oferece 116 cv e 289 km de autonomia Inmetro
O Geely EX2 comercializado no Brasil utiliza motor elétrico traseiro de aproximadamente 116 cv e 150 Nm de torque, associado a uma bateria LFP de 39,4 kWh.
A autonomia homologada pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV/Inmetro) é de 289 quilômetros, número que deve ser utilizado nas comparações com outros veículos elétricos vendidos no País.
O hatch mede aproximadamente 4,13 metros de comprimento, 1,80 metro de largura e 2,65 metros de distância entre eixos, aproveitando a arquitetura elétrica para oferecer espaço interno competitivo.
Outro diferencial é a distribuição dos compartimentos de bagagem. O modelo possui porta-malas traseiro de 375 litros e compartimento dianteiro de 70 litros, totalizando 445 litros de capacidade distribuída entre as duas áreas.
Com o rebatimento dos bancos traseiros, o volume do compartimento posterior pode chegar a 1.320 litros, segundo as especificações apresentadas para o projeto.
Produção brasileira começa em dezembro na fábrica da Renault
A principal novidade para o consumidor brasileiro é a confirmação da produção nacional do Geely EX2 a partir de dezembro de 2026.
A fabricação acontecerá no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná, dentro da parceria industrial entre Renault e Geely.
A unidade já iniciou a produção do Geely EX5 EM-i, SUV com tecnologia híbrida, e se prepara para receber o hatch totalmente elétrico.
A operação integra o plano industrial conjunto das empresas, que prevê investimentos e modernização das instalações para a fabricação de diferentes veículos eletrificados.
A produção nacional pode contribuir para reduzir a dependência de veículos importados completos e melhorar o planejamento de fornecimento, mas não garante automaticamente redução de preços.
O valor final continuará dependendo de fatores como escala de fabricação, conteúdo nacional, custos industriais, tributação e estratégia comercial.
Oferta limitada mostra a importância da fabricação nacional
O EX2 já enfrenta um desafio relevante no mercado brasileiro: a disponibilidade de unidades para pronta entrega.
Reportagem publicada pelo UOL em outubro apontou restrições na oferta de veículos elétricos importados, incluindo o EX2, associadas a dificuldades no transporte marítimo e à disponibilidade de navios especializados.
Em determinados casos, consumidores passaram a enfrentar prazos de espera de vários meses, evidenciando como a logística internacional pode influenciar diretamente a comercialização.
Nesse cenário, o início da produção em São José dos Pinhais representa uma oportunidade para aproximar a fabricação do mercado consumidor e ampliar a previsibilidade de abastecimento.
Entretanto, a Renault Geely do Brasil ainda não divulgou o volume de produção previsto para o EX2 nem a proporção de componentes que serão fabricados localmente.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O sucesso industrial do Geely EX2 demonstra como a competitividade dos veículos elétricos compactos depende de uma combinação entre arquitetura eficiente, aproveitamento do espaço e custos de produção.
A utilização de motor e tração traseiros permite organizar o conjunto motopropulsor de maneira diferente dos compactos convencionais, enquanto a plataforma dedicada à eletrificação contribui para distribuir os componentes sem a necessidade de acomodar um motor a combustão e seus sistemas associados.
Outro aspecto relevante é a suspensão traseira multilink, solução que oferece maior liberdade de ajuste da geometria das rodas. Entretanto, sua vantagem depende da calibração completa do veículo, e não apenas do tipo de construção utilizado.
As baterias LFP também merecem destaque. Essa composição química utiliza fosfato de ferro-lítio no material catódico e apresenta características interessantes de durabilidade e estabilidade térmica, embora a densidade energética possa ser inferior à de outras composições em determinadas aplicações.
A diferença entre as autonomias anunciadas na China e no Brasil exige atenção. Os ciclos CLTC e Inmetro possuem procedimentos distintos, razão pela qual comparar diretamente os números pode gerar uma percepção incorreta sobre a eficiência dos veículos.
A produção nacional representa outro ponto importante. Fabricar o EX2 no Paraná pode reduzir a exposição às dificuldades logísticas da importação, mas os benefícios dependerão da escala industrial, da cadeia de fornecedores e do conteúdo efetivamente produzido no País.
O principal destaque não está apenas no primeiro milhão de unidades produzidas, mas na demonstração de que um elétrico compacto pode alcançar grande escala comercial utilizando uma arquitetura específica, motor traseiro e soluções técnicas pouco comuns nessa faixa de preço. Para o consumidor brasileiro, o próximo passo será observar como a fabricação nacional influenciará disponibilidade, preços e atendimento pós-venda.
Para acompanhar carros elétricos, produção nacional, baterias, autonomia e engenharia automotiva, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 1 milhão – Quantidade acumulada de Geely EX2 produzidos mundialmente até 20 de outubro de 2026.
- Outubro de 2024 – Início da trajetória comercial do modelo, conhecido como Xingyuan na China.
- 465.775 unidades – Vendas no varejo chinês registradas em 2025.
- 289 km – Autonomia homologada pelo Inmetro para o EX2 brasileiro.
- R$ 124.600 – Preço inicial anunciado para a versão Pro no Brasil.
- Dezembro de 2026 – Previsão de início da produção nacional em São José dos Pinhais.
- Arquitetura GEA – Plataforma elétrica utilizada no desenvolvimento do modelo.
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- Bateria LFP – Bateria de íons de lítio que utiliza fosfato de ferro-lítio no material catódico, com características de durabilidade e estabilidade térmica.
- Suspensão multilink – Sistema independente que utiliza múltiplos braços para controlar os movimentos e a geometria das rodas.
- Tração traseira – Configuração em que a força de propulsão é transmitida às rodas posteriores do veículo.
- Autonomia Inmetro – Distância homologada conforme o procedimento brasileiro de avaliação de consumo energético e alcance dos veículos elétricos.


