Reduzir o consumo de diesel, aumentar a capacidade de carga e diminuir o tempo de manutenção são desafios fundamentais para o transporte rodoviário. Na Fenatran 2026, que acontece de 9 a 13 de novembro, em São Paulo, a Cummins apresentará tecnologias desenvolvidas para melhorar esses indicadores. Entre as novidades estão o motor F4.5 de nova geração, que passa de 210 para 240 hp e promete reduzir o consumo em até 9%, e o novo F3.0, com 200 hp e 620 Nm de torque. A evolução também inclui um sistema de pós-tratamento de emissões 30% mais leve, novos eixos para caminhões 6×2 e 6×4 e motores remanufaturados com custo de aquisição potencialmente mais de 20% inferior ao de outras soluções de reposição da fabricante.
Motor F4.5 ganha potência e promete consumir menos diesel
Um dos principais destaques técnicos é a nova geração do Cummins F4.5, motor diesel de quatro cilindros desenvolvido para aplicações comerciais que exigem maior capacidade de entrega de potência e torque.
A potência máxima passa de 210 hp para 240 hp, um crescimento de aproximadamente 14,3%, obtido por meio de aprimoramentos no turbocompressor, no sistema de injeção e na calibração eletrônica.
Segundo a fabricante, as modificações poderão proporcionar redução de até 9% no consumo de combustível em comparação com a geração atual, dependendo da aplicação. O resultado ainda integra avaliações de desempenho e eficiência realizadas no Brasil.
A engenharia brasileira também participou da adaptação dos materiais internos para garantir compatibilidade com biodiesel B20, combustível composto por 20% de biodiesel e 80% de diesel de origem fóssil.
Novo F3.0 entrega 200 hp e 620 Nm com menor cilindrada
Outra novidade é o Cummins F3.0, desenvolvido para ampliar a oferta de motores de quatro cilindros destinados a veículos comerciais leves e médios.
Com 3,0 litros de cilindrada, potência de até 200 hp e torque máximo de 620 Nm, o projeto procura oferecer desempenho adequado às necessidades de transporte utilizando um conjunto mais compacto.
A arquitetura incorpora avanços no processo de combustão, sistema de injeção, gerenciamento térmico e controle de emissões, buscando equilibrar força, eficiência energética e custos operacionais.
A utilização de menor cilindrada não garante automaticamente economia de combustível. O resultado depende da carga transportada, calibração, relações de transmissão e condições de utilização.
Pós-tratamento 30% mais leve contribui para a capacidade de carga
A evolução tecnológica também alcança os equipamentos responsáveis pelo tratamento dos gases de escapamento.
A nova geração do Cummins Single Module, destinada aos motores F3.8 e F4.5, apresenta redução de 30% na massa e de 5% nas dimensões, além de ganho de 2% em eficiência, segundo a fabricante.
O conjunto incorpora melhorias no misturador de gases, sensores e gerenciamento eletrônico, buscando aprimorar o controle das emissões e facilitar a integração aos veículos.
A redução de peso pode contribuir para diminuir a massa do caminhão e preservar parte de sua capacidade de carga útil, dependendo da configuração.
O sistema passou por aproximadamente dois anos de testes e validações no Brasil, considerando características de operação e combustíveis utilizados no mercado nacional.
Dosagem de ureia exige precisão para controlar emissões
Outra novidade é o sistema UL2.2, desenvolvido pela Cummins para administrar a dosagem de fluido à base de ureia utilizado no pós-tratamento dos gases.
O equipamento utiliza uma bomba que pressuriza o fluido e o envia ao injetor, permitindo controlar a quantidade aplicada conforme as condições de funcionamento do motor.
Em sistemas de redução catalítica seletiva, conhecidos como SCR, o fluido contribui para a transformação dos óxidos de nitrogênio (NOx) em nitrogênio e água por meio de reações químicas no catalisador.
O gerenciamento correto da dosagem é fundamental para atender aos limites de emissões e evitar consumo desnecessário do fluido.
A nova solução também procura reduzir componentes periféricos e facilitar a integração ao veículo, estando prevista para aplicações com o Single Module e outros projetos de fabricantes de veículos comerciais.
Novos eixos atendem caminhões 6×2 e 6×4
Na área de transmissões e eixos, a Cummins apresentará soluções desenvolvidas para diferentes necessidades de transporte.
O MT-17XHE, destinado a configurações 6×4, inaugura a plataforma High Efficiency, voltada à redução das perdas energéticas no trem de força.
Projetado para aplicações com Peso Bruto Total Combinado (PBTC) de até 91 toneladas, o eixo está em fase final de homologação, com lançamento previsto para julho de 2027.
Já o MS-18X HD, desenvolvido no Brasil para veículos 6×2, suporta até 58,5 toneladas de PBTC, capacidade 11% superior à do MS-18X.
Produzido em Osasco, São Paulo, o conjunto foi desenvolvido considerando as condições regulamentares relacionadas à Resolução 882 do Contran.
É importante observar que a capacidade técnica de um eixo não determina, isoladamente, a carga legal permitida para qualquer caminhão. A configuração completa, os limites por eixo e as regras de circulação também precisam ser considerados.
Peças falsificadas podem comprometer a durabilidade do motor
No mercado de reposição, a Cummins apresentará resultados de um ensaio realizado com cabeçote e kit de reforma falsificados, adquiridos fora dos canais autorizados.
Os componentes foram avaliados conjuntamente em condições controladas, em um teste inicialmente previsto para 500 horas de funcionamento.
O procedimento foi interrompido antecipadamente por critérios de segurança após a identificação de pressão interna do motor acima dos parâmetros esperados.
O resultado demonstra que peças visualmente semelhantes às originais podem apresentar diferenças de materiais, tolerâncias dimensionais e processos de fabricação, comprometendo o funcionamento do conjunto.
Entretanto, como o ensaio utilizou componentes falsificados em conjunto, ele não permite determinar isoladamente qual peça provocou a alteração observada.
Motores remanufaturados podem reduzir custos de reposição
Outra solução apresentada é a ampliação da linha Backbone ReCon, formada por conjuntos parciais de motores remanufaturados para aplicações do F3.8 ao L9.
A proposta é reutilizar uma base remanufaturada compatível com diferentes configurações, permitindo recuperar e reaproveitar determinados componentes externos do motor anterior, desde que estejam em condições adequadas.
Segundo a Cummins, a solução pode oferecer redução superior a 20% no custo de aquisição em comparação com o motor básico ReCon, conforme a aplicação.
A montagem final é realizada pela rede autorizada, com garantia de fábrica de 12 meses.
Além do benefício econômico potencial, a remanufatura contribui para reduzir o descarte de componentes que ainda podem ser recuperados, ampliando o aproveitamento de materiais.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – As novidades da Cummins demonstram que a evolução dos veículos comerciais não depende apenas de motores mais potentes. Eficiência energética, controle de emissões, transmissão e manutenção precisam ser desenvolvidos como partes de um mesmo conjunto.
O aumento de potência do F4.5 para 240 hp, acompanhado da perspectiva de redução de até 9% no consumo, merece atenção porque envolve melhorias em sobrealimentação, injeção e calibração. Entretanto, o ganho de eficiência deverá ser analisado conforme a aplicação, já que a carga e o percurso influenciam diretamente o resultado.
O Single Module 30% mais leve também representa uma evolução importante. Em caminhões, reduzir a massa dos componentes auxiliares pode favorecer a disponibilidade de carga, enquanto o menor volume facilita o trabalho de integração realizado pelas fabricantes.
Nos eixos, a busca por menores perdas mecânicas no trem de força complementa os avanços do motor. Parte da energia produzida durante a combustão é dissipada até chegar às rodas; reduzir essas perdas contribui para melhorar a eficiência do veículo completo.
A remanufatura merece destaque por outra razão. Recuperar motores com processos industriais controlados pode reduzir custos e preservar materiais, desde que sejam respeitados os critérios de inspeção, qualidade e montagem.
O teste com peças falsificadas reforça a importância da precisão industrial. Diferenças aparentemente pequenas em materiais e tolerâncias podem comprometer a confiabilidade, especialmente em motores diesel submetidos a elevadas pressões e longos períodos de operação.
O principal avanço apresentado para a Fenatran está na integração de tecnologias que procuram reduzir o custo por quilômetro transportado. Mais potência só representa vantagem quando acompanha eficiência, durabilidade e disponibilidade operacional. Para transportadores e frotistas, é esse equilíbrio que determina a competitividade de um caminhão.
Para acompanhar motores diesel, engenharia de caminhões, eficiência energética, manutenção e tecnologias do transporte pesado, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- Fenatran 2026 – Feira realizada de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo.
- Cummins F4.5 – Nova geração com até 240 hp e redução projetada de até 9% no consumo.
- Cummins F3.0 – Motor de 3,0 litros, com até 200 hp e 620 Nm.
- Single Module – Sistema de pós-tratamento 30% mais leve e 5% menor.
- MT-17XHE – Eixo para configurações 6×4, com PBTC de até 91 toneladas.
- MS-18X HD – Eixo produzido em Osasco para aplicações 6×2, com capacidade de até 58,5 toneladas de PBTC.
- Backbone ReCon – Linha de motores parciais remanufaturados com garantia de 12 meses.
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- Pós-tratamento de emissões – Conjunto de sistemas que atua sobre os gases de escapamento para reduzir a emissão de poluentes.
- SCR (Redução Catalítica Seletiva) – Tecnologia que utiliza um agente redutor derivado de ureia para converter óxidos de nitrogênio em substâncias menos nocivas no catalisador.
- PBTC (Peso Bruto Total Combinado) – Massa máxima autorizada ou tecnicamente especificada para o conjunto formado pelo veículo trator e seus implementos, conforme o contexto.
- Motor remanufaturado – Conjunto recuperado por processo industrial que inclui inspeções, substituição de componentes e verificações técnicas para atender às especificações estabelecidas.

