Um caminhão elétrico capaz de trocar sua bateria principal em apenas cinco minutos, continuar rodando com uma reserva de energia e reduzir a dependência de longas paradas para recarga. Essa é a proposta de uma nova arquitetura apresentada em 20 de outubro de 2026 pela CATL, uma das maiores fabricantes de baterias do mundo. Batizado de Dual-Electric Range Extender, o sistema utiliza dois conjuntos de baterias: um principal, removível, com capacidade de até 513 kWh, e outro fixo, de 77 kWh, destinado a funcionar como reserva. A tecnologia integra o ecossistema QiJi de troca de baterias para caminhões pesados, que tem como meta alcançar 900 estações até o final de 2026 e 2 mil em 2027. A fabricante também apresentou uma bateria de 760 kWh, desenvolvida para caminhões com autonomia anunciada superior a 600 quilômetros.
Duas baterias procuram eliminar longas paradas de caminhões elétricos
A principal novidade está na utilização de uma arquitetura elétrica denominada A+B, que combina dois conjuntos de armazenamento com funções diferentes.
O conjunto A é uma bateria principal removível, instalada na parte inferior do caminhão e disponível nas capacidades de 432 kWh ou 513 kWh. Ela fornece a energia utilizada durante a maior parte da operação e pode ser substituída em estações específicas.
O conjunto B é uma bateria fixa de 77 kWh, que funciona como reserva quando a bateria principal atinge níveis reduzidos de carga. Segundo a CATL, o sistema permite utilizar a bateria removível até aproximadamente 5% de estado de carga (SOC), sem a necessidade de interromper imediatamente a viagem.
Na prática, o caminhão pode continuar em operação utilizando a energia armazenada no conjunto auxiliar enquanto se aproxima de uma estação de troca. Entretanto, a autonomia adicional depende do consumo do veículo, da carga transportada, do percurso e das condições de utilização.
Range extender elétrico não utiliza motor a combustão
Embora receba a denominação Dual-Electric Range Extender, a solução apresentada não deve ser confundida com os sistemas tradicionais de extensão de autonomia que utilizam um motor a combustão para gerar eletricidade.
Nesse caso, a extensão da autonomia acontece por meio de uma segunda bateria, sem a necessidade de um gerador térmico embarcado.
A arquitetura procura combinar a flexibilidade de substituir rapidamente a bateria principal com a segurança operacional de manter uma reserva energética permanente.
O principal benefício potencial está na redução do tempo de imobilização, especialmente em operações de transporte nas quais o veículo precisa cumprir horários rigorosos e percorrer grandes distâncias.
Troca de bateria em cinco minutos pode mudar a logística
O ecossistema QiJi, desenvolvido pela CATL, utiliza estações capazes de remover uma bateria descarregada e instalar outra previamente carregada.
A fabricante anuncia que o procedimento pode ser realizado em aproximadamente cinco minutos, intervalo que procura aproximar a disponibilidade operacional dos caminhões elétricos à encontrada em veículos abastecidos com diesel.
O processo apresenta uma diferença importante em relação à recarga convencional: a energia é reposta pela substituição física do conjunto, e não pela transferência de toda a eletricidade necessária para a bateria instalada no caminhão.
Isso permite que as baterias retiradas sejam carregadas separadamente, enquanto o veículo continua sua operação. Entretanto, a eficiência do modelo depende de estoque de baterias, padronização dos componentes, disponibilidade das estações e capacidade da rede elétrica.
O benefício também depende da localização das estações nas rotas utilizadas pelos transportadores. Uma rede insuficiente pode limitar a flexibilidade operacional.
Baterias padronizadas buscam atender diferentes configurações
Para ampliar a compatibilidade entre caminhões, a CATL estabeleceu dois formatos de bateria removível para o sistema QiJi.
| Bateria | Capacidade | Entre-eixos de referência |
|---|---|---|
| QiJi 260# | 432 kWh | 3.800 mm |
| QiJi 300# | 513 kWh | 4.200 mm |
| Bateria auxiliar fixa | 77 kWh | Conforme integração ao veículo |
Com a bateria principal de 432 kWh e a auxiliar de 77 kWh, a capacidade nominal combinada chega a 509 kWh. Na configuração maior, o total alcança 590 kWh.
Esses valores representam a soma das capacidades anunciadas, não necessariamente a energia integralmente utilizável para propulsão.
A padronização é importante porque a troca automatizada exige compatibilidade dimensional, mecânica, elétrica e de comunicação entre a bateria, o caminhão e a estação.
Rede QiJi pretende chegar a 2 mil estações em 2027
A expansão da infraestrutura será decisiva para viabilizar a tecnologia em grande escala.
Segundo a CATL, cinco corredores principais de operação já estão em funcionamento, acumulando mais de cinco milhões de quilômetros de utilização estável.
A fabricante apresentou as seguintes metas para ampliar a rede:
- Até o final de 2026 – 900 estações de troca de baterias.
- Até 2027 – 2 mil estações, com ampliação da cobertura rodoviária chinesa.
- Objetivo de longo prazo – 10 mil estações.
Os números representam metas de expansão, e não estações já disponíveis em sua totalidade.
Durante o anúncio, a CATL também informou acordos com 14 parceiros, incluindo as empresas de logística SF Express, ZTO Express e YTO Express, associados a um volume inicial de 13 mil unidades encomendadas.
Nova bateria de 760 kWh promete mais de 600 quilômetros
Além da tecnologia de troca rápida, a CATL apresentou quatro novas soluções da família Tectrans II, desenvolvidas para diferentes necessidades do transporte pesado.
| Versão | Aplicação | Diferencial |
|---|---|---|
| Ultraleve | Transporte de curta distância | Menor massa do conjunto |
| Ultrafina | Caminhões basculantes e construção | Espessura reduzida de 860 para 580 mm |
| Entre-eixos curto | Regiões montanhosas e portos | Compatibilidade com entre-eixos de 3.350 mm |
| Longo Alcance | Transporte rodoviário | 760 kWh e autonomia anunciada superior a 600 km |
A versão de longo alcance utiliza arquitetura elétrica de 800 V, solução que pode contribuir para administrar potências elevadas de operação e carregamento, dependendo da configuração do veículo.
Já a bateria ultrafina permite reduzir a ocupação vertical do conjunto, favorecendo determinadas configurações de carroceria e a utilização de implementos com até 8,8 metros de comprimento, conforme a aplicação anunciada.
A CATL não detalhou o ciclo de medição utilizado para os mais de 600 quilômetros. Portanto, não é possível comparar diretamente essa autonomia com valores homologados por outros procedimentos ou reproduzi-la em qualquer operação de transporte.
CATL afirma que elétricos já representam metade do mercado chinês de caminhões pesados
A fabricante afirma que mais de 430 mil caminhões pesados elétricos utilizam suas baterias, o que representaria participação superior a 70% no mercado considerado pela empresa.
Segundo os dados apresentados, a participação dos caminhões pesados elétricos no mercado chinês passou de 5,2% em 2022 para 50,28% em setembro de 2026.
O avanço ajuda a explicar a estratégia de desenvolver soluções específicas para transporte comercial, no qual tempo de disponibilidade, capacidade de carga e custo por quilômetro são fundamentais.
A CATL também estima uma economia superior a 460 mil yuans em três anos para usuários de seu sistema elétrico em comparação com caminhões a diesel.
Entretanto, essa projeção depende de condições como preços da energia, contratos de locação de baterias, quilometragem, manutenção e características da operação. A fabricante não apresentou no material uma metodologia completa que permita reproduzir o cálculo para todos os mercados.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O sistema Dual-Electric Range Extender apresenta uma abordagem interessante para um dos maiores desafios da eletrificação do transporte pesado: reduzir o tempo em que o caminhão permanece parado para recuperar energia.
A utilização de uma bateria principal removível e outra fixa de reserva oferece uma alternativa à necessidade de instalar um único conjunto de grande capacidade que dependa exclusivamente de recarga convencional. Entretanto, a solução acrescenta complexidade relacionada à integração elétrica, ao gerenciamento energético e à padronização dos equipamentos.
Do ponto de vista da engenharia, a possibilidade de utilizar a bateria principal até 5% de estado de carga exige um sistema capaz de controlar a transferência de energia e administrar a passagem para o conjunto auxiliar. A continuidade da operação dependerá da calibração eletrônica e das condições térmicas e elétricas dos dois conjuntos.
A troca em cinco minutos também merece uma análise cuidadosa. Substituir fisicamente uma bateria não equivale a carregá-la em cinco minutos. A operação transfere para a estação a responsabilidade pelo carregamento, pelo armazenamento e pelo gerenciamento dos conjuntos disponíveis, criando uma infraestrutura que precisa acompanhar a demanda da frota.
Outro aspecto importante é a massa das baterias. Em caminhões, cada quilograma destinado ao armazenamento de energia pode influenciar a capacidade de carga útil, dependendo da configuração e da legislação aplicável. Por isso, as versões ultraleve e ultrafina também representam avanços relevantes, mesmo sem anunciar autonomias tão elevadas quanto a solução de 760 kWh.
A arquitetura de 800 V apresentada para a configuração de longo alcance pode favorecer aplicações de elevada potência, mas a velocidade real de recarga dependerá da capacidade dos carregadores e dos limites térmicos das células. Da mesma forma, autonomia superior a 600 quilômetros precisa ser avaliada considerando carga, velocidade, topografia e consumo real.
O maior diferencial dessa estratégia está na integração entre caminhão, bateria e infraestrutura de energia, e não apenas no tamanho do acumulador. Para o Brasil, onde o transporte rodoviário percorre grandes distâncias, a viabilidade de uma solução semelhante dependeria de padronização, investimentos em corredores logísticos e comparação econômica com a recarga de alta potência.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 20 de outubro de 2026 – Data de apresentação da nova arquitetura elétrica da CATL.
- Dual-Electric Range Extender – Sistema que combina bateria removível principal e bateria fixa auxiliar.
- 432 ou 513 kWh – Capacidades anunciadas para os conjuntos removíveis.
- 77 kWh – Capacidade da bateria fixa utilizada como reserva energética.
- Cinco minutos – Tempo anunciado para a substituição da bateria principal.
- 2 mil estações – Meta da rede QiJi até 2027.
- 760 kWh – Capacidade da versão Tectrans II de longo alcance, com autonomia anunciada superior a 600 km.
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- Battery swapping – Sistema de substituição de baterias descarregadas por unidades previamente carregadas, reduzindo o tempo de parada do veículo.
- Estado de carga (SOC) – Indicador percentual que representa a quantidade de energia armazenada na bateria em relação à sua capacidade de referência.
- Arquitetura de 800 V – Sistema elétrico de alta tensão utilizado em determinadas aplicações para transmissão de potência e gerenciamento energético.
- Custo Total de Propriedade (TCO) – Indicador que reúne os custos de aquisição ou contratação, energia, manutenção e operação de um veículo durante determinado período.

