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A repetição de acidentes com crianças deixadas em carros obrigou as montadoras a desenvolver desde sistemas que permitem abrir automaticamente o porta-malas, até sensores de respiração

Um número impressionante vem preocupando a indústria automobilística: apenas no verão de 1998, 11 crianças morreram asfixiadas por ficar presas no porta-malas de veículos nos EUA.

Outras 19 perderam a vida ao ser esquecidas no interior de carros em estacionamentos.

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Em virtude disso, a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), agência do governo norte-americano que cuida da segurança no trânsito daquele país, iniciou, desde o ano passado, uma campanha para evitar a repetição desse tipo de acidente.

A principal providência foi a recomendação de que os veículos produzidos sejam equipados com um mecanismo que permita abrir a tampa do porta-malas de seu interior.

A DaimlerChrysler saiu na frente, com um sistema que, segundo a empresa, pode ser operado por crianças até de três anos.

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Consiste em uma pequena alça, de cor amarela, que permanece iluminada (mesmo com o carro desligado) por até uma hora depois de a tampa do compartimento ser fechada.

Essa alça é acoplada ao sistema de abertura interna do porta-malas. Basta girá-la suavemente para abri-lo. Já a Ford apresentou, em outubro, um sistema de detecção e alarme que avisa sobre a presença de pessoas dentro do carro.

Ainda experimental, o recurso foi instalado em um Volvo S80 e é composto basicamente por dois sensores e um processador, acionados pelo chaveiro, o mesmo que ativa o alarme do carro.

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Uma vez acionado, um dos sensores vai procurar por batimentos cardíacos no interior do veículo e, em caso positivo, avisa o motorista por intermédio do próprio chaveiro.

Sensor cardíaco Por meio do chaveiro, o motorista pode ser avisado sobre a presença de alguém no interior do veículo.

Esse dispositivo foi desenvolvido por causa da morte das 19 crianças trancadas dentro de carros, durante o verão norte-americano.

No Brasil, embora não existam estatísticas sobre o assunto, houve um caso semelhante em junho de 2000, na cidade de Franca.

Um pai esqueceu sua filha de 1 ano e 4 meses no interior do carro, no estacionamento. Ao retornar, quatro horas depois, a criança ainda estava viva, mas não resistiu.

Fuga rápida-Basta um toque de qualquer parte do corpo no sensor para a tampa do porta-malas se abrir.

O equipamento também é útil em casos de assalto, quando a vítima fica presa no compartimento

O outro sensor, por sua vez, detecta a existência de dióxido de carbono (gás exalado pelo ser humano durante a respiração) no porta-malas, o que indica a presença de uma pessoa no compartimento.

Se houver alguém ali, o sistema poderá simplesmente avisar o motorista ou até mesmo abrir a tampa, de acordo com a preferência do dono do carro.

Mesmo que esse sensor falhe, ainda há um dispositivo chamado touchpad, que abre o porta-malas, bastando um simples contato de qualquer parte do corpo.

Isso é especialmente útil no caso de crianças muito pequenas, já que o interior do compartimento é escuro. Apenas tateando em volta ela pode acabar encostando no touchpad. Vale também para assaltos em que ladrões prendem as vítimas no porta-malas.

E não é só isso: o sistema da Ford permite também que o motorista se previna ao deixar o automóvel no estacionamento por longo tempo. Basta imaginar a cena: você estaciona seu carro e sai para fazer compras. Ao voltar, percebe que restou apenas seu veículo no pátio.

Para assegurar-se de que não exista risco de “surpresas desagradáveis”, basta acionar os sensores para ter certeza de que não há ninguém em seu interior. Como se nota, até as montadoras de automóveis estão se preocupando com a violência urbana. E não é só no Brasil.

Airbags externos – Depois de desenvolver várias soluções para a proteção dos ocupantes dos veículos, as montadoras de automóveis estão pensando um pouco mais em quem está fora deles: os pedestres.

A Ford, por exemplo, está projetando airbags externos, que serão instalados logo acima do pára-choque e sobre o capô, junto ao pára-brisa.

Isso porque, após o primeiro impacto, a tendência é o corpo da vítima ser atirado em direção ao vidro do carro. O disparo das bolsas é efetuado por sensores que detectam a iminência de um atropelamento, em velocidades a partir de 16 km/h, aproximadamente.

Já a Mazda trabalha no projeto de uma espécie de radar que identifica a presença de pedestres cruzando a via. Esse sistema é útil à noite, ou em situações de pouca visibilidade, como neblina, por exemplo.

Assim que detecta uma pessoa à frente, o equipamento avisa o motorista por meio de um mostrador no painel, além de acionar a buzina automaticamente, alertando o pedestre.

O melhor, porém, é que se trata de equipamentos simples, cuja tecnologia se encontra em um nível bem adiantado.

A expectativa é de que esses itens possam estar disponíveis nos automóveis em um futuro bem próximo.

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