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Quando a tecnologia esbarra nos impostos

Hugo Ferreira*

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A indústria da mobilidade experimenta em todos os seus ramos uma expansão significativa.

Fala-se em romper o recorde de produção da indústria automotiva esse ano (2,1 milhões de unidades), assim como em bater o recorde de exportação (U$ 6,9 bilhões estimados para 2004, que representam 25% a mais que em 2003).

Essas notícias são boas para todos e significam que o mercado reage positivamente.

Isso reflete, no entanto, em novos desafios, principalmente para as áreas de engenharia que, geralmente, são incumbidas de encontrar soluções para produzir com mais eficiência, melhor qualidade e menores custos.

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Assim, novos produtos são desenvolvidos compostos de materiais mais leves, resistentes e fáceis de moldar, com qualidade idêntica ou superior, e menor custo.

Além disso, novos processos são criados, com o objetivo de reduzir o tempo de desenvolvimento e produção. Tudo para atender a um mercado cada vez mais competitivo e acirrado.

Com isso, o consumidor ganha ao dispor de produtos inovadores, desenvolvidos e manufaturados com alta tecnologia.

O custo dessa tecnologia é muito debatido entre os representantes do setor, pois de nada adianta desenvolvê-las se os consumidores não têm como pagar.

Assim, a indústria tem feito sua parte, mas isso não é o bastante para dar continuidade ao crescimento. O Brasil hoje fábrica um dos carros mais baratos do mundo, quando sai da fábrica, e um dos mais caros na conta do consumidor.

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É preciso, então, verificar o que torna o automóvel brasileiro caro para a população e, um dos motivos que chama atenção é a excessiva carga tributária sobre os produtos da indústria automotiva.

Hoje, compra-se um automóvel pelo preço de dois. Um fica com o governo e o outro leva-se para a garagem. Esse tem sido o foco dos debates das entidades de classe como Anfavea e Sindipeças no embate com o governo.

Assim, fica difícil pensar em colocar mais tecnologia nos carros enquanto não for feita uma reestruturação nas cargas tributárias e isso é, infelizmente, uma contestação terrível. Já se fala, inclusive, que só resta a volta ao tempo das carroças do Collor.

Ninguém quer que aconteça, mas o mercado estabelece regras e atualmente o preço é mandatário. Não há consumidores suficientes para justificar a implementação das mesmas tecnologias vistas em paises da Europa, Estados Unidos e Japão.

É uma equação que precisa ser feita. O Brasil tem um produto competitivo, capacidade instalada, conhecimento e, no entanto, o produto chega caro ao consumidor.

E não é só a penalização que existe dos impostos sobre os veículos. Existe também o baixo poder aquisitivo.

É possível dobrar o poder de compra do trabalhador, sem afetar o custo das empresas com a folha de pagamento, se fosse feita uma redução dos encargos trabalhistas, a exemplo do que existe nos Estados Unidos. É mais um nó que existe na cadeia produtiva e que precisa ser desatado.

O que a indústria pode fazer para ajudar com essa equação? Os avanços obtidos na engenharia de processos têm como objetivo reduzir custos, deixar os produtos mais competitivos e condensar parte dos encargos elevados.

São investimentos em manufatura. Na parte de solda já existem processos moderníssimos que apresentaram progressos fantásticos na velocidade, no custo e na resistência de vida do processo que permitiu juntar materiais de diferentes conteúdos, sem afetar a qualidade do produto final.

É uma tecnologia que se espera ter no Brasil até o fim da década, mas já está em vasta aplicação nos EUA e Europa.

Outro exemplo é o uso da tecnologia de hidroformação que tem sido usada fortemente na parte estrutural dos veículos.

É um investimento alto, uma tecnologia nova que provavelmente também tende a ser aplicada aqui, principalmente na parte de chassis e em componentes estruturais em geral.

Esse processo envolve a aplicação de pressão de fluidos ao interior de uma peça tubular em bruto, presa dentro de uma matriz que definirá o formato da peça acabada.

Em seguida, aumenta-se a pressão do fluido interno para forçar a peça em bruto a expandir-se dentro da matriz, e assumir, assim, o formato da peça acabada.

Essas e outras tecnologias poderão ser conferidas no Congresso SAE BRASIL 2004, um rico fórum onde os engenheiros das áreas automotiva e aeroespacial discutirão os aspectos que são cruciais e fundamentais para a continuidade do ritmo de expansão produtiva e crescimento de mercado.

O Congresso trará contribuições importantes, pois convida os ícones da cadeia de suprimento para debater temas palpitantes, e eles terão a oportunidade de discutir os aspectos que preocupam e, a partir daí, tirar as dúvidas sobre como se sustenta um período de crescimento como o que é desejado por toda a indústria e prometido pelo governo.

Esse é, portanto, um dos principais papéis do Congresso, o qual presidirei; uma arena para que todos esses temas sejam abordados e equacionados.

Há ainda espaço para apresentação de soluções para os gargalos da cadeia produtiva e os entraves existentes fora dela, como os trâmites burocráticos, as questões de logística e também na parte de tecnologia da informação.

A troca de informações mostra-se, assim, uma necessidade. A ajuda mútua entre os profissionais da área técnica-administrativa é crucial e fundamental para a continuidade do ritmo e do crescimento da indústria. Isso move a SAE International há quase 100 anos.

No Brasil, esse trabalho foi iniciado há 13 e, desde então, o Congresso SAE BRASIL tem convidado especialistas da cadeia produtiva para mostrar a tecnologia da mobilidade em seu ‘estado da arte’.

Esse ano, o XIII Congresso e Exposição Internacional de Tecnologia da Mobilidade SAE BRASIL acontece de 16 a 18 de novembro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Haverá 45 fóruns e painéis de debates, além da apresentação de mais de 260 trabalhos técnicos e uma exposição tecnológica com mais de 90 empresas.

Tudo centrado no tema Tecnologia e Negócios. Crescimento e Competitividade nas Áreas da Mobilidade.

Hugo Ferreira é presidente do Congresso SAE BRASIL 2004 e presidente da Dana South America

Artigo escrito pelo engenheiro Hugo Ferreria, presidente do Congresso SAE BRASIL 2004
e também presidente da Dana South America

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