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Inspeção Veicular: Reinventando a roda

Há quem diga que a inspeção ambiental veicular implantada na cidade de São Paulo em 2008 e encerrada em janeiro 2013 era apenas para verificar se os veículos estavam com suas características originais ou não, ou se estavam poluindo mais ou menos que o projeto do veículo.

Porém, notícias com o título “Grande SP tem que reduzir 26% das viagens de carro para ter ar aceitável” confirmam que voltamos à etapa zero para a solução.

Relembrando, no ano de 2012 foi divulgado pela concessionária que realizava a inspeção ambiental veicular, atualmente em liquidação, que no município de São Paulo havia sido inspecionado em um ano aproximadamente três milhões de veículos.

O DETRAN naquela época estimava uma frota de 4,5 milhões de veículos na cidade de São Paulo.Portanto, se seguirmos esta analogia, haveria por volta de 1,5 milhão que representa um terço da frota e não cumpriam as responsabilidades legais. Se estimarmos que destes 1,5 milhão pelo menos um milhão estivessem circulando, haveria de ter uma força tarefa para retirar todos estes veículos de circulação.

Infelizmente, não há uma fiscalização efetiva e nem pátio suficiente para este fim, além de uma ação extremamente impopular. Realizando uma pesquisa rápida na data de hoje, dia da mesma reportagem, em websites de busca de vendas de veículos encontra-se facilmente a oferta de automóveis irregulares, alguns já denominados como “sucata, venda somente de peças”, mas outros não.

Como por exemplo, um FIAT Tipo, ano 1994, que o valor ofertado é de R$ 2.500 e nas observações o anunciante explica que o bem à venda tem R$ 2.000 de multas e documento para fazer, mas que está funcionando perfeitamente. Isto é, a falta de fiscalização faz com que o munícipe publique abertamente um veículo irregular e com preço atrativo, deixando os dados para contato.

Algumas questões que se pode pensar antes de qualquer ação precipitada para redução de viagens são, por exemplo: não há uma etapa anterior antes de tornar mais rígida o período de restrição do rodízio ou o pedágio urbano, principalmente na cidade de São Paulo? Os veículos irregulares vão respeitar o rodízio ou pedágio urbano? Qual é a estimativa de pessoas que irão migrar para o transporte coletivo diante desta notícia alarmante?

Há um estudo conjunto entre metrô, trem e ônibus para suprir esta capacidade adicional caso a região metropolitana esteja engajada em deixar os veículos em casa? E a renovação da frota de veículos? Não seriam os mais velhinhos, como o FIAT Tipo, que estão poluindo mais? Quantos veículos irregulares estão circulando normalmente nos dias de hoje na região metropolitana de São Paulo?

Enquanto isso, segundo a reportagem, as estimativas do Instituto Saúde e Cidadania indicam que 62,5 mil pessoas vão morrer na cidade de São Paulo em 15 anos por causa da poluição. Muito deles possivelmente se exercitando de bicicleta, incentivo promovido pela prefeitura de São Paulo.

Luiz Vicente Figueira de Mello Filho, coordenador do curso de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas. Mestre em engenharia automotiva, engenheiro mecânico, bacharel em administração de empresas e pós-graduado em Comunicação e Marketing.

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