A Marcopolo apresenta no CONATRE 2026 o Volare Attack 10 Híbrido Elétrico/Etanol, um micro-ônibus que aposta em uma arquitetura Range Extender desenvolvida para unir eletrificação, autonomia ampliada e eficiência energética. O modelo utiliza tração totalmente elétrica, enquanto um motor turbo 1.0 abastecido exclusivamente com etanol funciona apenas como gerador de energia. A solução representa um avanço tecnológico relevante para a descarbonização do transporte pesado brasileiro ao combinar matriz renovável nacional, menor emissão operacional e eficiência superior frente a sistemas híbridos convencionais.
A Marcopolo participa da terceira edição do Congresso Internacional da Mobilidade Elétrica e Baixo Carbono, o CONATRE 2026, levando uma das soluções mais avançadas de eletrificação desenvolvidas no Brasil para transporte coletivo.
O destaque da fabricante é o Volare Attack 10 Híbrido Elétrico/Etanol, um micro-ônibus projetado para aplicações severas e operações que exigem elevada autonomia, eficiência energética e redução real de emissões de carbono.
Mais do que um conceito experimental, o modelo já está em operação assistida no setor sucroenergético paulista, funcionando como laboratório real para coleta de dados de consumo, durabilidade e eficiência térmica.
A arquitetura técnica chama atenção por utilizar um sistema 100% elétrico de tração, enquanto o motor a combustão atua exclusivamente como gerador energético, sem qualquer conexão mecânica com as rodas.
Essa configuração é chamada de Range Extender (REX), uma das soluções mais promissoras da atual transição energética para veículos comerciais pesados e semipesados.
Diferentemente dos híbridos tradicionais, nos quais o motor térmico pode impulsionar diretamente o veículo em determinadas situações, aqui ele atua apenas produzindo eletricidade.
Isso significa que o comportamento dinâmico permanece totalmente elétrico, com entrega instantânea de torque, condução silenciosa e respostas progressivas típicas de motores de alta tensão.
O sistema utiliza o motor HORSE HR10 turbo de três cilindros e 1.0 litro, calibrado para entregar 85 kW de potência elétrica equivalente, operando exclusivamente com etanol.
A grande diferença está na estratégia de funcionamento. O propulsor trabalha somente quando necessário para recarga, permanecendo ligado por cerca de um terço do tempo total de operação.
Além disso, ele atua sempre na faixa ideal de rotação e eficiência térmica, condição impossível em motores automotivos convencionais submetidos às variações constantes do acelerador.
Essa operação estabilizada reduz perdas mecânicas, melhora o rendimento energético e diminui drasticamente as emissões evaporativas e de combustão incompleta.
O sistema foi desenvolvido pela HORSE em parceria com a WEG, integrando o gerador de energia à arquitetura eletrônica de potência do veículo.
A energia produzida alimenta um conjunto com três packs de baterias de alta tensão, responsáveis por armazenar 122 kWh de capacidade energética total.
Essa reserva energética permite ao veículo operar longos períodos em tração puramente elétrica, enquanto o gerador entra em funcionamento de forma inteligente para manter a carga ideal.
Com isso, o Volare alcança autonomia de até 450 quilômetros, número extremamente competitivo para aplicações urbanas e intermunicipais de média distância.
Outro diferencial técnico é que a solução utiliza baterias menores que as de ônibus elétricos puros equivalentes, reduzindo peso total e ampliando eficiência operacional.
Em veículos elétricos pesados, o peso das baterias é um desafio crítico porque compromete carga útil, capacidade de passageiros e eficiência dinâmica.
Ao usar a arquitetura Range Extender, a Marcopolo reduz esse impacto estrutural sem sacrificar alcance operacional.
Essa solução também reduz custos industriais, já que baterias representam atualmente o componente mais caro na eletrificação veicular.
Outro ponto técnico relevante está na gestão térmica embarcada, responsável por manter temperatura ideal tanto no sistema de baterias quanto no conjunto gerador.
Esse controle térmico garante maior vida útil das células, estabilidade de entrega energética e segurança operacional mesmo em ciclos severos de trabalho.
A regeneração energética durante frenagens também contribui diretamente para a eficiência do conjunto.
Sempre que o motorista desacelera, parte da energia cinética é convertida novamente em eletricidade e devolvida ao banco de baterias.
Esse processo reduz desgaste mecânico dos freios e melhora significativamente o custo operacional ao longo da vida útil do veículo.
O modelo também apresenta níveis reduzidos de NVH (Noise, Vibration and Harshness), referência técnica para ruído, vibração e aspereza estrutural.
Como a tração é exclusivamente elétrica, o deslocamento se torna muito mais silencioso, melhorando conforto acústico para passageiros e operadores.
Do ponto de vista ambiental, o uso de etanol como combustível gerador é estratégico para o Brasil.
Além de ser renovável, o biocombustível possui ciclo de carbono muito inferior ao diesel, especialmente quando produzido a partir da cana-de-açúcar.
Essa característica torna o Volare uma solução particularmente eficiente para a realidade brasileira, onde infraestrutura elétrica ainda enfrenta limitações para recarga rápida em larga escala.
Ao utilizar geração embarcada renovável, o sistema elimina a dependência de redes externas robustas para manter alta disponibilidade operacional.
“A tecnologia apresentada pela Marcopolo mostra maturidade técnica e entendimento profundo das necessidades brasileiras. O país possui etanol competitivo, indústria local forte e uma matriz energética que favorece soluções híbridas inteligentes em vez da eletrificação pura imediata”, afirma Tarcisio Dias, editor do Mecânica Online®.
A presença do veículo no CONATRE também reforça o papel da engenharia nacional no desenvolvimento de tecnologias avançadas para mobilidade sustentável.
O sucesso do projeto fez com que HORSE e WEG planejem a padronização dessa arquitetura para veículos comerciais leves e pesados.
Isso abre caminho para uma nova geração de plataformas híbridas nacionais capazes de acelerar a descarbonização do transporte coletivo e logístico brasileiro.
Mais do que um protótipo, o Volare Attack 10 sinaliza um novo caminho tecnológico: a integração entre eletrificação inteligente e biocombustíveis renováveis como solução prática para o transporte pesado.
• Powertrain 100% elétrico com tração sem conexão mecânica térmica
• Motor gerador HORSE HR10 1.0 turbo de 85 kW
• Funcionamento exclusivo com etanol renovável
• Sistema Range Extender inteligente
• 122 kWh de capacidade total em baterias
• Autonomia de até 450 km
• Frenagem regenerativa com recuperação energética
• Menor peso que elétricos puros equivalentes
• Redução de NVH e maior conforto acústico
• Projeto nacional com engenharia Marcopolo, HORSE e WEG
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
Range Extender – Sistema em que o motor a combustão funciona apenas gerando eletricidade para alimentar baterias e motores elétricos.
Frenagem regenerativa – Tecnologia que reaproveita a energia da desaceleração para recarregar as baterias.
NVH – Indicador técnico que mede ruído, vibração e aspereza percebidos durante a operação do veículo.

