O Alpine A110 FUTURE marcou presença histórica no Goodwood Festival of Speed, onde o piloto da BWT Alpine F1, Pierre Gasly, pilotou o protótipo pela famosa subida da colina. O modelo não é apenas um conceito de exibição, mas uma plataforma de testes rodante para a nova Alpine Performance Platform (APP), arquitetura modular que servirá de base para a futura linha de esportivos elétricos da marca, prometendo manter a agilidade lendária do A110 com propulsão puramente eletrificada.
O projeto A110 FUTURE foi desenhado para provar que um esportivo elétrico pode ser leve, afiado e genuinamente prazeroso de dirigir, desafiando a percepção comum de que carros a bateria são necessariamente pesados.
A Alpine Performance Platform (APP) utiliza uma tecnologia de bateria cell-to-pack, organizada em dois andares dentro de um chassi de alumínio fundido sob alta pressão, que atua como parte da estrutura rígida do veículo.
Este arranjo inteligente permite que o carro mantenha a silhueta baixa e o posicionamento de dirigir esportivo típicos do A110 a combustão, mesmo com o novo sistema elétrico.
A distribuição de peso é otimizada com um sistema de 800V que divide a energia em 25% na dianteira e 75% na traseira.
O trem de força elétrico incorpora dois motores traseiros de alto desempenho, capazes de atingir até 21.500 rpm, equipados com inversores de carboneto de silício para máxima eficiência.
A tração é gerenciada pelo inédito sistema Active Torque Vectoring 2.0, que controla o torque individualmente em cada roda traseira para eliminar o subesterço e garantir precisão máxima em curvas.
Além da vetorização, o sistema de Wheel Slip Torque Control gerencia a transferência de carga e o torque durante acelerações e frenagens, mantendo o controle dinâmico ideal.
O desenvolvimento do A110 FUTURE contou com uma estratégia de engenharia virtual sem precedentes, utilizando mais de 45.000 km simulados no simulador DiM250 da marca.
Este esforço reduziu drasticamente a dependência de protótipos físicos, otimizando a calibração do chassi, a gestão térmica e o desenvolvimento de software antes mesmo do primeiro teste real.
O protótipo antecipa o que a Alpine chama de “próximo ícone” da marca, focado em performance pura para estrada e pista.
A presença da Alpine em Goodwood celebrou não apenas o futuro, mas também o passado da marca, com a exibição do lendário A442B vencedor de Le Mans em 1978 e modelos atuais como o A290 e o A390.
Para o consumidor, o A110 FUTURE sinaliza que a Alpine não pretende abandonar a leveza, seu pilar histórico, na transição para a era dos elétricos.
A meta da marca é clara: superar o desempenho dos melhores esportivos a combustão atuais, mantendo o DNA de pilotagem que tornou o A110 uma referência mundial.
A arquitetura APP é flexível o suficiente para suportar diferentes estilos de carroceria e configurações de tração (RWD ou AWD), garantindo longevidade ao projeto.
O lançamento reforça o compromisso da Alpine com a eletrificação de alta performance enquanto mantém o foco em “conveniência de pilotagem” e prazer ao volante.
Com o A110 FUTURE, a Alpine reafirma sua posição como uma das fabricantes mais focadas em engenharia esportiva dentro do cenário global.
O modelo de testes já demonstra uma calibração refinada, utilizando pré-controle de torque para respostas instantâneas ao comando do condutor.
A Alpine planeja que a terceira geração do A110 seja o primeiro verdadeiro esportivo elétrico de massa da marca a cumprir as expectativas rigorosas dos entusiastas.
O protótipo visto em Goodwood é a prova concreta de que a tecnologia APP está em estágio avançado de validação técnica.
A marca espera que o A110 FUTURE seja a pedra angular de uma nova linha que, por fim, consolidará a eletrificação como sinônimo de performance esportiva.
Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias
A Alpine está realizando um movimento tecnicamente muito sofisticado. A decisão de não criar um “carro elétrico genérico” e sim manter a configuração de coupé de dois lugares, usando a bateria como peça estrutural do chassi, é o caminho para resolver o problema de peso que aflige os esportivos elétricos. O uso de motores de fluxo axial (implícito na alta rotação e densidade) e inversores de carboneto de silício é o estado da arte para extrair potência mantendo a compactação.
O ponto de atenção editorial aqui é a tecnologia Active Torque Vectoring 2.0. Ao controlar o torque de forma independente em cada roda traseira em um sistema elétrico, a Alpine consegue simular — ou até melhorar — a agilidade de um carro a combustão com diferencial mecânico convencional, mas com uma velocidade de resposta que é impossível em sistemas mecânicos.
O uso do simulador DiM250 para validar a dinâmica é vital; a Alpine está desenvolvendo o “feeling” de condução em bits e bytes antes de colocar o primeiro parafuso. Para o mercado, o futuro A110 elétrico será o parâmetro de comparação para o peso e a dinâmica de esportivos, e a Alpine está sendo muito clara sobre como pretende vencer esse desafio.
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Retrovisor Mecânica Online®
- Plataforma APP: Arquitetura modular dedicada a esportivos elétricos, permitindo configurações de tração traseira (RWD) ou integral (AWD).
- Tecnologia de Bateria: Sistema de 800V com design cell-to-pack para maior densidade e rigidez estrutural.
- Performance Elétrica: Motores de alta rotação (até 21.500 rpm) com inversores de carboneto de silício (SiC).
- Vetoração de Torque: Sistema Active Torque Vectoring 2.0 para controle preciso em curvas e redução de subesterço.
- Design Minimalista: Manutenção da silhueta do A110, mesmo com o pacote de baterias posicionado em dois níveis.
- Desenvolvimento Digital: Mais de 45.000 km acumulados em simuladores de alta performance antes dos testes dinâmicos reais.
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- Active Torque Vectoring (Vetorização de Torque) – Tecnologia que distribui a força do motor de forma independente para cada roda. Em curvas, ela “empurra” o carro para o lado interno, tornando a direção muito mais precisa.
- Cell-to-Pack – Tecnologia onde as células de bateria são montadas diretamente na estrutura do veículo, sem precisar de módulos individuais, economizando muito peso e espaço.
- Carboneto de Silício (SiC) – Material semicondutor usado nos inversores elétricos que permite que o sistema suporte altas correntes com menos calor, aumentando a eficiência e o alcance.
- Mule (Protótipo de Desenvolvimento) – Carro de testes que muitas vezes usa a “casca” de um modelo antigo ou provisório para testar a mecânica nova em segredo antes do lançamento oficial.

