A indústria automobilística evolui em eletrificação, conectividade e segurança, mas um aspecto permanece praticamente imutável: a preferência do consumidor pelas cores neutras. Levantamento mostra que mais de 80% dos carros vendidos em 2025 receberam pintura em branco, preto, cinza ou prata, consolidando uma tendência que influencia desde a produção das montadoras até o valor de revenda dos veículos.
A escolha da cor do automóvel continua sendo muito mais racional do que emocional. Um estudo realizado pela consultoria iSeeCars revela que 80,4% dos veículos novos vendidos em 2025 receberam pintura em branco, preto, cinza ou prata, confirmando a predominância das chamadas cores monocromáticas.
O levantamento mostra que essa preferência vem crescendo continuamente. Em 1996, essas quatro tonalidades representavam 47,3% das vendas. Hoje, praticamente quatro em cada cinco veículos deixam as concessionárias com uma dessas cores.
O branco permanece como líder absoluto, respondendo por 25,7% das vendas. Em seguida aparecem o preto (23,4%), o cinza (22,9%) e o prata (8,4%).
Entre as cores consideradas mais vivas, apenas o azul, com 9,1%, mantém participação relevante. O vermelho representa 7% das vendas, enquanto verde (2,2%), marrom (0,4%), bege (0,4%), laranja (0,3%) e amarelo (0,1%) ocupam parcelas bastante pequenas do mercado.
O estudo mostra ainda que algumas tonalidades praticamente desapareceram dos catálogos. Roxo e dourado, por exemplo, tiveram participação estatística próxima de zero nas vendas de veículos novos.
Nas picapes, a predominância das cores neutras é ainda mais evidente. 83,5% das unidades comercializadas utilizam branco, preto, cinza ou prata, sendo o branco responsável sozinho por 33,6% desse segmento.
Essa preferência está diretamente ligada ao comportamento do consumidor. Veículos em cores tradicionais costumam apresentar maior facilidade de revenda, atraindo um público mais amplo e reduzindo a desvalorização ao longo dos anos.
Outro aspecto relevante é a manutenção. Cores claras, especialmente o branco, tendem a esconder melhor poeira, pequenos riscos e marcas superficiais, enquanto o preto exige lavagens mais frequentes por evidenciar sujeira e microarranhões.
Em países de clima quente, como o Brasil, o branco também oferece uma vantagem prática. A pintura reflete maior quantidade de radiação solar, reduzindo o aquecimento da carroceria e contribuindo para temperaturas internas mais amenas.
Do lado das fabricantes, a concentração da produção em poucas cores também reduz custos industriais. Menor variedade simplifica processos de pintura, logística, controle de estoque e distribuição para concessionárias.
Embora muitas marcas invistam em cores exclusivas, acabamentos especiais e pinturas perolizadas, a preferência pela discrição continua predominando entre consumidores que enxergam o automóvel também como patrimônio.
Curiosamente, o crescimento dos SUVs e das picapes também contribuiu para esse cenário. Esses segmentos são tradicionalmente comercializados em tonalidades neutras, reforçando ainda mais a predominância das cores monocromáticas.
Mesmo com tecnologias cada vez mais sofisticadas embarcadas nos automóveis, a cor continua sendo uma decisão fortemente influenciada por fatores econômicos, culturais e de mercado.
Embora a escolha da cor não altere diretamente o desempenho mecânico do veículo, ela pode influenciar aspectos práticos da utilização diária. Pinturas claras absorvem menos calor, reduzindo a temperatura interna quando o veículo permanece estacionado ao sol. Em contrapartida, cores escuras exigem maior cuidado com lavagem e polimento, pois evidenciam riscos, poeira e pequenas imperfeições na pintura.
Outro ponto importante está no valor residual. Estudos do mercado de seminovos mostram que veículos em branco, preto, cinza e prata costumam encontrar compradores com maior rapidez, preservando melhor sua cotação. Para quem troca de carro com frequência, a cor pode representar uma diferença financeira significativa na revenda.
| Cores de carros mais populares por participação de mercado: 2025 – Estudo da iSeeCars | ||
| Classificação | Cor | 2025 |
| 1 | Branco | 25,7% |
| 2 | Preto | 23,4% |
| 3 | Cinza | 22,9% |
| 4 | Azul | 9,1% |
| 5 | Prata | 8,4% |
| 6 | Vermelho | 7,0% |
| 7 | Verde | 2,2% |
| 8 | Marrom | 0,4% |
| 9 | Bege | 0,4% |
| 10 | Laranja | 0,3% |
| 11 | Amarelo | 0,1% |
| 12 | Ouro | 0,0% |
| 13 | Roxo | 0,0% |
Comentário de Tarcisio Dias – A indústria investe bilhões em eletrificação, inteligência artificial, condução autônoma e novos materiais, mas a preferência do consumidor continua surpreendentemente conservadora quando o assunto é cor. Isso mostra que, na hora da compra, a racionalidade ainda pesa mais que a emoção.
Não se trata apenas de gosto pessoal. O comprador brasileiro pensa no futuro. Um carro em cor neutra é mais fácil de vender, agrada um público maior e reduz o risco de desvalorização. Para muitos consumidores, a cor faz parte da estratégia de investimento no veículo.
Ao mesmo tempo, é curioso observar como a personalidade dos automóveis vem diminuindo. Em décadas passadas, era comum encontrar modelos em amarelo, verde, vinho, azul-claro ou marrom. Hoje, basta olhar um estacionamento para perceber um verdadeiro “mar de cinza”. A busca pela praticidade acabou transformando as ruas em ambientes visualmente mais homogêneos.
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- Reflexão térmica — Cores claras absorvem menos calor, contribuindo para reduzir a temperatura interna do veículo.
- Valor de revenda — Branco, preto, cinza e prata apresentam maior aceitação no mercado de usados e seminovos.
- Manutenção da pintura — Pinturas escuras evidenciam riscos e sujeira com maior facilidade, exigindo cuidados mais frequentes.
- Produção industrial — Fabricar menor variedade de cores reduz custos de pintura, logística e estoque para as montadoras.
- Perfil do consumidor — A escolha da cor está cada vez mais ligada à praticidade, liquidez e preservação do valor do veículo.

