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Scania prepara fábrica para produzir caminhões elétricos no Brasil, mas espera mercado amadurecer

Montadora concluiu os investimentos industriais em São Bernardo do Campo e afirma estar pronta para iniciar a produção nacional assim que houver demanda suficiente. Estratégia reforça a aposta em um portfólio multienergia para acompanhar a transição do transporte pesado.

A Scania concluiu a preparação industrial para fabricar caminhões elétricos no Brasil, mas ainda aguarda que o mercado atinja uma escala capaz de justificar o início da produção nacional. A informação foi revelada por Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America, em entrevista à Agência Transporte Moderno durante o Fórum Transporte Sustentável 2026. Embora a fábrica de São Bernardo do Campo (SP) esteja pronta, a fabricante avalia que a infraestrutura de recarga e o volume de demanda ainda precisam evoluir antes da ativação da linha de montagem.

A Scania deu mais um passo importante em sua estratégia de eletrificação no Brasil. Após concluir os investimentos industriais na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), a empresa afirma estar tecnicamente preparada para produzir caminhões elétricos no País, mas condiciona o início da fabricação ao amadurecimento do mercado.

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A confirmação foi feita por Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America, em entrevista à Agência Transporte Moderno, durante o Fórum Transporte Sustentável 2026, promovido pela OTM Editora.

Estamos prontos. A questão é atingir uma massa crítica que justifique finalizar esse investimento“, afirmou o executivo.

Na prática, isso significa que toda a infraestrutura industrial necessária para fabricar caminhões elétricos já está instalada na unidade paulista. A própria fábrica já produz chassis de ônibus elétricos, o que reduz significativamente o esforço necessário para ampliar a produção para os caminhões.

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Hoje, porém, a operação brasileira limita-se à comercialização do Scania 30 G, modelo elétrico importado da Suécia destinado principalmente às operações urbanas e regionais. Segundo a fabricante, apenas uma unidade foi comercializada até o momento, adquirida pela transportadora Reiter Log.

A declaração também antecipa uma estratégia que a própria Scania já havia revelado anteriormente à Agência Transporte Moderno, em 2025. Na ocasião, Podgorski informou que a previsão era iniciar a produção nacional em novembro de 2027, com ritmo inicial de aproximadamente um caminhão por dia, aumentando gradualmente conforme o crescimento da demanda.

O projeto faz parte do ciclo de investimentos de R$ 2 bilhões anunciado pela fabricante para o período entre 2024 e 2028, embora a empresa não detalhe qual parcela desse montante foi destinada especificamente à preparação da linha de veículos elétricos.

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Mais do que produzir caminhões elétricos, a estratégia da Scania busca acompanhar o ritmo da transição energética do transporte de cargas. Para a empresa, não basta que exista tecnologia disponível. É necessário que toda a cadeia evolua simultaneamente.

Segundo Podgorski, a eletrificação deverá seguir trajetória semelhante à observada anteriormente com os caminhões movidos a gás natural e biometano.

A maturação de uma nova solução exige a criação de um ecossistema. O do gás já está praticamente formado. O do elétrico ainda precisa ser construído“, afirmou em entrevista à Agência Transporte Moderno.

Essa visão reflete um dos maiores desafios da eletrificação no transporte pesado. Diferentemente dos automóveis de passeio, caminhões exigem infraestrutura robusta de recarga, elevado fornecimento de energia elétrica e planejamento operacional muito mais complexo.

Na avaliação da fabricante, os primeiros mercados capazes de absorver caminhões elétricos em maior escala deverão estar concentrados nos grandes corredores logísticos do Sul e Sudeste, especialmente nas ligações entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas, regiões onde há maior densidade logística e melhores condições para implantação de eletropostos de alta potência.

Ao mesmo tempo, a Scania não abandona outras alternativas de descarbonização.

A empresa continua investindo fortemente nos caminhões movidos a gás natural e biometano, tecnologia introduzida pela marca no Brasil há cerca de sete anos e que agora começa a atrair concorrentes.

Para Podgorski, esse movimento representa uma confirmação de que a estratégia adotada pela empresa estava correta.

Apresentamos essa solução há cinco anos. Fizemos todos os testes de viabilidade e hoje ela é uma solução de prateleira, com todas as opções de especificação disponíveis também para os veículos a gás“, explicou o executivo à Agência Transporte Moderno.

Segundo ele, os caminhões a gás deixaram de atender apenas aplicações específicas, como coleta de resíduos, e hoje já podem operar praticamente em qualquer segmento do transporte rodoviário de cargas.

A chegada de novos fabricantes ao segmento, inclusive empresas chinesas, também é vista de forma positiva pela Scania.

O fato de outros fabricantes entrarem mostra que o ecossistema tem viabilidade econômica e existe demanda“, destacou.

Na avaliação da empresa, o aumento da concorrência tende a acelerar investimentos em infraestrutura de abastecimento, reduzir custos operacionais e ampliar a disponibilidade do combustível para os transportadores.

Outro vetor importante dessa estratégia é o avanço do biometano, combustível renovável produzido a partir de resíduos orgânicos.

O biometano já é uma realidade. Existem investimentos importantes sendo feitos nessa cadeia. É a mesma tecnologia, mas com uma solução já descarbonizada“, afirmou Podgorski.

Sob o ponto de vista técnico, a estratégia da Scania demonstra uma visão multienergia, na qual diferentes tecnologias convivem simultaneamente. Em vez de apostar exclusivamente na eletrificação, a fabricante entende que diferentes aplicações exigirão soluções distintas durante muitos anos.

Para operações urbanas de distribuição e logística regional, os caminhões elétricos tendem a ganhar espaço à medida que a infraestrutura evoluir. Já no transporte rodoviário de longa distância, tecnologias como gás natural, biometano, combustíveis renováveis e, futuramente, hidrogênio, deverão coexistir com o diesel por um período prolongado.

Essa abordagem acompanha uma tendência global observada entre fabricantes europeus de veículos comerciais, que passaram a adotar portfólios diversificados em vez de concentrar todos os investimentos em uma única tecnologia.

No Brasil, entretanto, a eletrificação pesada ainda enfrenta obstáculos importantes.

O custo elevado dos veículos, a escassez de pontos de recarga de alta potência, o tempo necessário para carregamento e as limitações da infraestrutura elétrica ainda restringem a adoção em larga escala.

Por outro lado, o avanço dos corredores de recarga, o crescimento das fontes renováveis de energia e a redução gradual do custo das baterias tendem a melhorar esse cenário nos próximos anos.

“A decisão da Scania mostra maturidade estratégica. Diferentemente do mercado de automóveis, onde a eletrificação avança rapidamente, o transporte pesado depende de infraestrutura, disponibilidade energética e viabilidade econômica muito mais complexas. Ao preparar a fábrica antes da consolidação da demanda, a empresa reduz o tempo de resposta quando o mercado estiver pronto. Paralelamente, mantém uma estratégia multienergia baseada em gás, biometano e eletrificação, modelo que hoje representa uma das abordagens mais consistentes da indústria global de caminhões.”Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®

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Fábrica: São Bernardo do Campo (SP)
Situação da produção: estrutura industrial concluída, aguardando demanda
Modelo elétrico vendido no Brasil: Scania 30 G (importado)
Investimentos anunciados: R$ 2 bilhões (2024–2028)
Previsão anterior para produção nacional: novembro de 2027 (informada anteriormente à Agência Transporte Moderno)
Produção inicial estimada: cerca de 1 caminhão por dia
Caminhões a gás em operação no Brasil: mais de 2 mil unidades
Projeção para o fim de 2026: aproximadamente 2.500 caminhões a gás

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Massa crítica – Volume mínimo de mercado necessário para tornar economicamente viável a produção de um veículo em determinada fábrica.

Portfólio multienergia – Estratégia que reúne diferentes tecnologias de propulsão, como diesel, gás natural, biometano e eletrificação, permitindo atender aplicações distintas.

Ecossistema da eletrificação – Conjunto formado por infraestrutura de recarga, disponibilidade de energia, fornecedores, operadores logísticos e políticas públicas necessárias para viabilizar o uso de veículos elétricos.

Fonte: Declarações de Christopher Podgorski, presidente e CEO da Scania Latin America, concedidas à Agência Transporte Moderno durante o Fórum Transporte Sustentável 2026, promovido pela OTM Editora.

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