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Cummins ganha 2% de eficiência em eixos e economiza 1.090 L/ano

Aos 70 anos da operação de Osasco, a marca lança dois eixos dedicados a caminhões e ônibus elétricos, além de uma nova plataforma de alta eficiência para veículos a diesel.

Um ganho de eficiência de apenas 2% parece número modesto até você multiplicá-lo por uma frota inteira. É exatamente esse tipo de conta que a Cummins está fazendo ao apresentar sua nova geração de eixos, desenvolvida inteiramente pela engenharia brasileira. Por trás do anúncio estão dois caminhos distintos e complementares: preparar componentes para aguentar as forças únicas de um caminhão elétrico, e espremer cada gota de eficiência extra de um sistema que ainda vai conviver com o motor a diesel por muitos anos.

Ao celebrar 70 anos da operação de Osasco (SP), a Cummins inaugura um capítulo inédito em sua história com uma nova geração de produtos, desenvolvidos pela engenharia brasileira.

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Os projetos respondem às transformações da indústria do transporte e consolidam duas frentes estratégicas: a eletrificação dos veículos comerciais e o desenvolvimento de tecnologias voltadas à eficiência energética do trem de força.

Segundo Kleber Assanti, diretor geral da Divisão de Eixos da Cummins, as demandas impostas pela eletrificação e pela busca por eficiência exigiram uma abordagem de engenharia que vai muito além da evolução incremental dos produtos, sustentando uma geração inteiramente nova de plataformas tecnológicas.

Preparados para a eletrificação – Substituir o motor a combustão por um sistema elétrico altera a dinâmica mecânica do veículo, impondo novos desafios aos componentes responsáveis por transmitir torque, suportar cargas e garantir durabilidade.

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Nos veículos elétricos, durante desaceleração e frenagem regenerativa, o diferencial passa a atuar em sentido contrário, assumindo papel semelhante ao freio-motor, porém em níveis muito mais elevados de energia.

Segundo Rafael Souza, diretor de Produto e PMO da Divisão de Eixos da Cummins, nessa condição componentes como coroa, pinhão e rolamentos recebem esforços quase inexistentes em aplicações convencionais, somados ao peso adicional das baterias, que eleva significativamente as cargas aplicadas aos eixos, especialmente em operações urbanas.

Para responder a essa realidade, a Cummins desenvolveu dois eixos específicos para aplicações eletrificadas: o MS-14X e o MC-17X.

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O MS-14X é voltado a caminhões elétricos urbanos, destinado a operações de last mile na configuração 6×2, atendendo aplicações de até 17 toneladas.

Embora preserve a arquitetura externa da plataforma do eixo MS-120, praticamente todo o conjunto interno foi replanejado, incorporando diferencial derivado da família 14X, rolamentos de maior capacidade e componentes internos reforçados para suportar os esforços da frenagem regenerativa.

Entre as tecnologias incorporadas está o processo de Shot Pinning, tratamento por jateamento controlado com microesferas de aço que eleva a resistência à fadiga e aos carregamentos cíclicos característicos dos veículos elétricos.

O eixo MS-120, originalmente voltado a aplicações de cerca de 11 toneladas, foi replanejado para o novo patamar de 17 toneladas — um acréscimo de cerca de 55% em capacidade. A produção do MS-14X está prevista para janeiro de 2027, com montagem do diferencial na fábrica de Osasco.

Já o MC-17X foi desenvolvido para ônibus elétricos urbanos de até 22 toneladas de Peso Bruto Total (PBT), representando novo patamar da engenharia de eixos da Cummins para o transporte de passageiros eletrificado.

Na configuração 4×2, o eixo traseiro precisa transmitir tração e, ao mesmo tempo, suportar a elevada concentração de peso dos conjuntos de baterias.

Para essa condição, o projeto recebeu diferencial mais robusto, com tecnologia de solda a laser, rolamentos de maior capacidade e uma nova carcaça fundida, desenvolvida exclusivamente para essa aplicação. A produção do MC-17X está prevista para julho de 2027.

Eficiência energética também orienta os eixos convencionais – Tradicionalmente associada à evolução dos motores, a eficiência energética passa a orientar também uma nova etapa da engenharia de eixos da Cummins, com foco em reduzir perdas mecânicas na transmissão da potência do motor até as rodas.

Essa nova arquitetura de alta eficiência foi desenvolvida sobre três pilares tecnológicos.

O primeiro é um novo sistema interno de lubrificação, com circulação redesenhada para eliminar fluxos desnecessários dentro do diferencial, reduzindo resistência hidráulica, perdas de energia e geração de calor.

O segundo é a adoção de novos rolamentos, desenvolvidos com geometrias, acabamentos superficiais e dimensões específicas para reduzir o atrito durante a operação.

O terceiro pilar envolve a revisão da arquitetura do conjunto de engrenagens de coroa e pinhão, otimizando o alinhamento entre o cardan e a entrada do diferencial, reduzindo perdas na transmissão do torque.

Segundo Adriano Esperidião, gerente de engenharia de produto da divisão de eixos da Cummins Brasil, o resultado é menos desperdício de energia dentro do sistema, com melhor aproveitamento da potência entregue às rodas.

O ganho medido em economia real – A efetividade dessa nova arquitetura foi validada em bancada dedicada na Europa, usada pela Cummins para medir rendimento energético dos diferenciais em condições controladas, apontando evolução próxima de 2% na eficiência frente à geração anterior.

Em um caminhão que percorre cerca de 100 mil km por ano, com consumo médio de 1,8 km por litro de diesel, esse ganho pode representar economia anual de aproximadamente 1.090 litros de combustível por veículo — mais de R$ 6,5 mil por ano.

Em uma frota de 500 caminhões, o potencial supera 545 mil litros de diesel economizados anualmente, cerca de R$ 3,27 milhões em redução de custos, além de contribuir para a diminuição das emissões de CO₂.

O MT-17XHE é o primeiro eixo da nova plataforma de alta eficiência da Cummins desenvolvido para aplicações brasileiras, destinado a configurações 6×4, com início de produção previsto para julho de 2027.

O desenvolvimento passa por validação simultânea em diferentes frentes: ensaios estruturais de fadiga e resistência no Laboratório de Engenharia Mecânica (LEM), em Osasco, validações de plataforma na Itália e avaliações de aplicação integrada ao veículo pela montadora parceira.

Embora o conjunto diferencial seja baseado em plataforma global da Cummins, a carcaça foi desenvolvida pela engenharia brasileira para atender características específicas do país, como topografia mais severa, maiores Pesos Brutos Totais Combinados (PBTC) permitidos pela legislação e longas distâncias percorridas.

Entre 2028 e 2030, a expectativa é expandir essa arquitetura de alta eficiência para novas aplicações, incluindo o futuro 18XHE, destinado a configurações 6×2.

Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O dado mais concreto de toda essa apresentação é a economia de 1.090 litros por caminhão ao ano — em uma frota grande, esse tipo de ganho percentual pequeno se transforma rapidamente em economia significativa de custo operacional.

O detalhe técnico mais interessante é como a frenagem regenerativa inverte o papel do diferencial: um componente pensado historicamente para transmitir força em um sentido só passa a operar sob esforços elevados também no sentido contrário, exigindo redesenho completo, não apenas reforço estrutural.

Desenvolver a carcaça do MT-17XHE especificamente para as condições brasileiras, mesmo usando plataforma global de diferencial, mostra que engenharia “global” ainda depende de adaptação local séria quando o assunto é topografia e legislação de peso.

Segue um resumo dos novos produtos apresentados pela Cummins:

ProdutoAplicaçãoInício de produção
MS-14XCaminhões elétricos urbanos, até 17 tJaneiro de 2027
MC-17XÔnibus elétricos urbanos, até 22 t PBTJulho de 2027
MT-17XHEConfiguração 6×4, alta eficiência (diesel)Julho de 2027
18XHE (futuro)Configuração 6×2, alta eficiência2028–2030

Entre eixos preparados para frenagem regenerativa e uma nova plataforma de eficiência para o diesel, a Cummins aposta em não escolher um único caminho de eletrificação, mantendo investimento pesado nas duas frentes ao mesmo tempo.

Para acompanhar de perto a chegada dos novos eixos Cummins ao mercado, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

O aniversário: a Cummins celebra 70 anos da operação de Osasco (SP) com nova geração de eixos.

Os eixos elétricos: MS-14X (caminhões, até 17 t) e MC-17X (ônibus, até 22 t) atendem aplicações eletrificadas.

A nova plataforma de eficiência: o MT-17XHE inaugura arquitetura que reduz perdas mecânicas no trem de força.

O ganho medido: cerca de 2% de eficiência, equivalente a 1.090 litros de diesel economizados por caminhão ao ano.

O plano futuro: expansão da plataforma de alta eficiência prevista entre 2028 e 2030.

Mecânica Online® — Mecânica do jeito que você entende

Frenagem regenerativa: processo em que o motor elétrico atua como freio, recuperando energia e devolvendo-a à bateria.

Diferencial: componente do eixo que distribui a força do motor entre as rodas, permitindo velocidades diferentes em curvas.

Coroa e pinhão: conjunto de engrenagens dentro do diferencial responsável por transmitir e converter o torque do motor às rodas.

PBT / PBTC: Peso Bruto Total e Peso Bruto Total Combinado, limites de peso permitidos por lei para veículos e composições de carga.

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