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IA vira infraestrutura essencial na indústria automotiva no Brasil

De Volkswagen a Stellantis, montadoras aceleram o uso de inteligência artificial, enquanto empresas brasileiras ainda enfrentam barreiras de orçamento e conhecimento.

A inteligência artificial deixou de ser apenas ferramenta pontual e passou a ocupar papel estrutural nas operações de montadoras e empresas brasileiras. Volkswagen, BMW e Stellantis já anunciaram projetos que vão de assistentes virtuais a robôs humanoides em linhas de produção. No Brasil, pesquisa da Meta com a Fundação Dom Cabral mostra que 82,5% dos executivos consideram a IA relevante para seus negócios, mas 43,3% destinam menos de 1% do orçamento à tecnologia. Para especialistas, esse descompasso empurra empresas menores para plataformas prontas de IA, em vez do desenvolvimento de soluções proprietárias.

Uma ação recente da Volkswagen, que recriou digitalmente um encontro entre Elis Regina e Maria Rita para celebrar 70 anos de marca no Brasil, gerou reações imediatas de surpresa nas redes sociais.

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O uso de inteligência artificial para viabilizar esse tipo de conteúdo já deixou de ser exceção dentro das grandes montadoras.

Segundo Matheus Miranda, CIO da IRRAH Tech, esse tipo de iniciativa reflete algo mais amplo do que uma simples ação de marketing.

Para ele, trata-se de uma transformação estrutural que já impacta diferentes setores da economia, incluindo diretamente o segmento automotivo.

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Nos últimos meses, a própria Volkswagen ampliou o uso da tecnologia em áreas como assistentes virtuais embarcados e sistemas avançados de direção automatizada.

A BMW seguiu caminho semelhante, anunciando o início de projetos com robôs humanoides apoiados por inteligência artificial em linhas de produção na Europa.

Já a Stellantis, dona de marcas como Jeep, Fiat, Peugeot e Citroën, firmou uma parceria estratégica de cinco anos com a Microsoft.

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O acordo prevê o desenvolvimento de mais de cem iniciativas baseadas em inteligência artificial dentro da operação da companhia.

No Brasil, esse movimento também aparece com força, ainda que em ritmo diferente do observado nas grandes montadoras globais.

Uma pesquisa conduzida pela Meta, em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), traz um retrato direto desse cenário nacional.

Segundo o levantamento, 82,5% dos CEOs e executivos entrevistados classificam a inteligência artificial como relevante para seus negócios.

Dentro desse grupo, 34,2% consideram a tecnologia importante, 30% muito importante e 18,3% a classificam como extremamente importante.

O estudo, batizado de “Pesquisa Inteligência Artificial Aplicada à Estratégia”, ouviu mais de 100 líderes empresariais distribuídos em 20 setores da economia.

Apesar do reconhecimento quase unânime da importância estratégica da IA, os dados revelam um paradoxo relevante.

Cerca de 43,3% das empresas entrevistadas destinam menos de 1% de seus orçamentos para iniciativas ligadas à inteligência artificial.

Outro ponto crítico aparece na formação de equipes: 42,7% dos executivos apontam a falta de conhecimento especializado como principal barreira de adoção.

Integração com sistemas legados, custos de implementação, segurança e conformidade regulatória também aparecem entre os desafios mais citados.

Para Miranda, esse cenário ajuda a explicar um padrão cada vez mais comum entre empresas brasileiras de diferentes portes.

Segundo ele, muitas organizações reconhecem o valor da tecnologia, mas ainda não têm estrutura, equipe ou orçamento para desenvolver soluções proprietárias.

Como alternativa, a adoção tende a acontecer por meio de plataformas já prontas, que conectam IA diretamente aos processos de negócio existentes.

Essa abordagem reduz a necessidade de grandes estruturas internas de desenvolvimento, algo antes restrito a corporações de maior porte.

O executivo cita como exemplo o GPT Maker, plataforma desenvolvida pela própria IRRAH Tech.

A ferramenta permite criar agentes de inteligência artificial treinados com informações específicas de cada negócio, a partir de documentos e manuais internos.

Empresas podem alimentar o sistema com catálogos de produtos, políticas internas e bases de conhecimento próprias para gerar respostas contextualizadas.

A solução também se conecta a canais como WhatsApp, Instagram, TikTok, sites e CRMs corporativos, ampliando os pontos de contato com o cliente.

Segundo Miranda, isso permite que agentes de IA atuem em diferentes etapas da jornada, do atendimento inicial ao suporte pós-venda.

Para o executivo, o avanço representa uma mudança de lógica: a IA deixa de ser aplicação isolada e passa a atuar sobre fluxos inteiros de operação.

Isso significa cruzar dados de diferentes áreas da empresa e influenciar decisões com base em contexto, histórico e comportamento do cliente.

O impacto mais visível dessa transição aparece nas áreas de atendimento e relacionamento, historicamente marcadas por processos fragmentados.

Segundo Miranda, ferramentas como o GPT Maker permitem criar agentes capazes de aprender com interações e adaptar sua comunicação ao longo do tempo.

Para o executivo, entender a IA apenas como ferramenta já não é suficiente diante do estágio atual de maturidade da tecnologia.

Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O que chama atenção nesse cenário é o contraste entre discurso e investimento real dentro das empresas brasileiras.

Reconhecer a importância da inteligência artificial é fácil; destinar orçamento de fato para isso continua sendo o verdadeiro gargalo do mercado.

No setor automotivo, o movimento de Volkswagen, BMW e Stellantis mostra que a IA já deixou de ser diferencial e virou parte da infraestrutura básica de operação.

Para empresas menores, apostar em plataformas prontas, como o GPT Maker, tende a ser o caminho mais viável no curto prazo, mesmo sem estrutura interna robusta.

Minha avaliação é que esse tipo de solução funciona como uma ponte, mas dificilmente substitui, no longo prazo, times internos especializados em dados e IA.

Vale acompanhar se o percentual de investimento das empresas brasileiras cresce nos próximos anos, ou se o discurso segue à frente da prática.

Para acompanhar de perto como a tecnologia está transformando a indústria automotiva e o mercado brasileiro, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entende o que está por trás da notícia

O gatilho da discussão: a ação da Volkswagen com IA generativa ilustra um movimento mais amplo do setor automotivo.

Os exemplos globais: Volkswagen, BMW e Stellantis já aplicam IA em direção automatizada, produção e operações internas.

O dado central da pesquisa: 82,5% dos executivos brasileiros consideram a IA relevante para seus negócios.

O paradoxo revelado: 43,3% das empresas destinam menos de 1% do orçamento a iniciativas de inteligência artificial.

A principal barreira: 42,7% dos líderes apontam falta de conhecimento especializado como maior obstáculo.

A alternativa apontada: plataformas prontas de IA, como o GPT Maker, ganham espaço entre empresas sem estrutura própria.

Mecânica Online® — Mecânica do jeito que você entende

Sistema legado: software ou infraestrutura antiga de uma empresa, muitas vezes difícil de integrar com novas tecnologias.

Agente de IA: programa treinado para interagir com pessoas de forma autônoma, respondendo com base em dados específicos de um negócio.

Direção automatizada: conjunto de tecnologias que permite ao veículo executar tarefas de condução com pouca ou nenhuma intervenção humana.

Robô humanoide: robô com formato e movimentos inspirados no corpo humano, usado em algumas linhas de produção industrial.

CRM: sistema de gestão de relacionamento com o cliente, usado por empresas para organizar contatos, vendas e atendimento.

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