A The smarter E South America encerrou sua edição 2026 no Expo Center Norte, em São Paulo, reunindo por três dias as principais empresas de energia solar, armazenamento, gestão de energia e eletromobilidade em quatro feiras simultâneas. O evento recebeu cerca de 50 mil visitantes e mais de 500 expositores, com destaque para o crescimento da feira de eletromobilidade Power2Drive South America, que dobrou de tamanho.
O evento reuniu Intersolar South America, ees South America, Power2Drive South America e Eletrotec+EM-Power South America, além de congressos, mini-cursos e workshops que somaram cerca de três mil participantes. A área de exposição da ees South America, voltada a armazenamento, cresceu 30% em relação à edição anterior.
“A importância do Brasil e da América Latina para o mercado de energia renovável se refletiu mais uma vez nos corredores e nas salas dos congressos”, afirma Florian Wessendorf, diretor executivo da Solar Promotion International, uma das organizadoras do evento. Segundo ele, mesmo com desafios de rede, geração, armazenamento e custos de financiamento, o setor mantém seu vigor, com potencial de avançar ainda mais a partir da inteligência artificial.
Durante o evento, a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) aproveitou o palco para anunciar uma agenda de propostas para o próximo governo federal, estruturada em três frentes: Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos.
A iniciativa prevê a contratação de pelo menos 8 GW em sistemas de armazenamento, a expansão de 18 GW em grandes usinas solares e a ampliação do acesso à energia limpa para 3 milhões de unidades consumidoras até 2030.
“O Brasil tem uma vantagem estratégica que poucos países possuem: gera grandes quantidades de eletricidade renovável e competitiva”, destaca Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR. Para ele, o próximo passo é transformar essa abundância em vantagem econômica, consolidando o armazenamento por baterias e atraindo indústrias, data centers e hidrogênio verde.
Segundo dados da entidade, a energia solar já é a segunda maior fonte do país, com 74,3 GW em operação — 27,4% da capacidade instalada nacional —, e acumulou mais de R$ 328,2 bilhões em investimentos desde 2012.
A ABSAE (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia) fez o pré-lançamento do Projeto Visão 2030, que mapeia desafios de flexibilidade, potência, encargos e tarifas e propõe uma agenda de políticas públicas para transformar o armazenamento em política de Estado. “No Brasil, o armazenamento saiu da fase experimental e entrou em seu primeiro ciclo de crescimento”, afirma Markus Vlasits, presidente da ABSAE.
A eletromobilidade também teve espaço de destaque, por meio da Power2Drive South America. Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), foram emplacados mais de 270 mil veículos eletrificados entre janeiro e julho deste ano, somando 700 mil unidades em circulação no país. Rafael Cunha, consultor do congresso, destacou o potencial da tecnologia Vehicle-to-Grid (V2G), que permite usar a bateria dos veículos elétricos para importar ou exportar energia da rede, contribuindo para a estabilidade da própria rede elétrica.
A regulamentação da recarga em edifícios também esteve em pauta, com soluções voltadas a condomínios expostas no pavilhão.
Já a Eletrotec+EM-Power South America registrou recorde de trabalhos técnicos submetidos, segundo João Cunha, consultor sênior do congresso, com aumento expressivo de estudos sobre instalações fotovoltaicas, veículos elétricos e sistemas de armazenamento.
No pavilhão de exposições, expositores reforçaram a relevância comercial do evento. Nelson Stanisci, diretor de armazenamento de energia da BYD no Brasil, confirmou um investimento de até R$ 500 milhões em BESS no país. Executivos de Aldo Solar, Trinasolar, Baterias Moura, Santander e WEG também destacaram o evento como espaço estratégico para negócios, networking e lançamento de soluções.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O dado que mais chama atenção para quem acompanha mobilidade é o crescimento da Power2Drive, que dobrou de tamanho nesta edição.
Isso não é coincidência com o salto de emplacamentos de elétricos registrado neste ano.
A tecnologia V2G aproxima definitivamente o carro elétrico da rede elétrica, deixando de ser apenas meio de transporte para virar também recurso de estabilidade energética.
O investimento da BYD em armazenamento reforça uma tendência que já era esperada: fabricantes de veículos elétricos também vão disputar o mercado de baterias estacionárias.
O maior obstáculo, segundo os próprios participantes do evento, continua sendo a infraestrutura de rede e o custo de financiamento, não a falta de tecnologia ou de interesse do mercado.
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Recorde de público: o evento reuniu cerca de 50 mil visitantes e mais de 500 expositores no Expo Center Norte, em São Paulo.
Power2Drive dobra de tamanho: a feira de eletromobilidade cresceu significativamente em relação à edição anterior do evento.
Agenda da ABSOLAR: a entidade apresentou proposta com metas de 8 GW em armazenamento e 18 GW em novas usinas solares até 2030.
Crescimento dos elétricos: foram emplacados mais de 270 mil veículos eletrificados entre janeiro e julho, somando 700 mil unidades em circulação no país.
Investimento da BYD: a montadora confirmou aporte de até R$ 500 milhões em sistemas de armazenamento de energia no Brasil.
Projeto Visão 2030: a ABSAE pré-lançou plano com agenda de políticas públicas para o setor de armazenamento de energia até 2030.
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V2G (Vehicle-to-Grid): tecnologia que permite usar a bateria de um veículo elétrico para devolver energia à rede elétrica, ajudando a equilibrar oferta e demanda de eletricidade.
BESS: sigla para sistemas de armazenamento de energia em baterias, usados para guardar energia gerada por fontes como solar e eólica e liberá-la quando for necessário.
Neutralidade tecnológica: critério de leilão de energia em que diferentes tecnologias de geração competem entre si sem favorecimento prévio, vencendo a opção mais viável técnica e economicamente.
GW (gigawatt): unidade de potência equivalente a um bilhão de watts, usada para medir a capacidade de geração de grandes usinas de energia.

