O mais recente Estudo de Confiabilidade de Veículos (VDS) da JD Power, que mede a confiabilidade de carros após três anos de uso nos Estados Unidos, mostra que Audi, BMW e Mercedes-Benz vivem momentos bem diferentes. A BMW segue na liderança do trio, a Mercedes-Benz ocupa posição intermediária e a Audi, mesmo com forte recuperação em 2026, continua como a menos confiável das três — dado destacado pelo jornalista automotivo canadense Justin Pritchard a partir dos números da JD Power.
O estudo usa a métrica PP100 (problemas a cada 100 veículos): quanto menor o número, menos reclamações e maior a confiabilidade. Em 2026, a BMW registrou 198 PP100, contra uma média do setor de 204 PP100 — segue à frente das rivais, mas esse é, na verdade, o pior resultado da marca em cinco anos, depois de ter marcado 184 PP100 em 2023.
Já a Audi vem de dois anos difíceis (275 PP100 em 2024 e 273 em 2025) e teve uma recuperação expressiva: melhorou 29 pontos e chegou a 244 PP100 em 2026. Com isso, a marca se aproximou da Mercedes-Benz, que marcou 235 PP100 — uma diferença de apenas nove pontos entre as duas.
Olhando os últimos cinco anos, um padrão fica claro: não houve sobreposição entre as três marcas. A BMW sempre foi a mais confiável, a Mercedes ficou numa posição intermediária e a Audi permaneceu como a menos confiável, ano após ano. Até o pior ano da BMW (198 PP100 em 2026) foi melhor do que o melhor ano da Audi no mesmo período (232 PP100 em 2022).
O ano mais difícil da Audi foi 2024: a marca registrou 275 PP100, contra 190 da BMW e 218 da Mercedes-Benz — uma diferença de 85 pontos para a líder, o equivalente a cerca de 45% mais problemas relatados do que a BMW no mesmo período.
Na média dos últimos cinco anos, a Audi somou 255,2 PP100, a Mercedes-Benz 226,2 PP100 e a BMW 189,6 PP100. Na prática, quem escolhe um Audi fica, em média, 29 pontos atrás da Mercedes e 65 pontos atrás da BMW nesse quesito.
No ranking geral de 2026, com 31 marcas analisadas, a Audi aparece na 27ª posição, cerca de 40 pontos abaixo da média do mercado. Só ficam piores a Jeep (267 PP100), a Land Rover (274 PP100), a Volvo (296 PP100) e a própria controladora Volkswagen (301 PP100). Mesmo dentro do segmento de luxo, cuja média subiu para 217 PP100 neste ano — puxada por falhas em infoentretenimento e atualizações remotas (OTA) —, a Audi ainda fica 27 pontos atrás dessa média.
A consistência ao longo dos anos também separa as marcas. A BMW é a mais estável de todo o estudo, com apenas 14 pontos de variação entre seu melhor (184 PP100) e pior resultado (198 PP100) em cinco anos — à frente até de marcas japonesas como Lexus (18 pontos) e Toyota (38 pontos), tradicionalmente as mais consistentes do mercado. A Audi teve variação de 43 pontos, ficando na 14ª posição em consistência, enquanto a Mercedes-Benz variou 48 pontos, na 18ª colocação.
Segundo a JD Power, o estudo deste ano registrou o maior número de problemas desde a reformulação da metodologia, puxado quase inteiramente pela complexidade tecnológica dos carros. Das nove categorias de problemas avaliadas, o infoentretenimento é disparado a mais problemática, com média de 56,7 PP100 em toda a indústria — e a BMW lidou com essa crise de software significativamente melhor do que Audi e Mercedes-Benz.
“À medida que os proprietários mantêm seus veículos por mais tempo, a experiência de propriedade a longo prazo se torna mais importante do que nunca”, afirma Jason Norton, diretor de benchmarking automotivo da JD Power. Segundo ele, muitos donos relatam problemas contínuos de integração com celulares e pouco benefício percebido após atualizações — um problema, segundo Norton, mais ligado a comunicação e educação do proprietário do que à tecnologia em si.
O levantamento também aponta os usados mais confiáveis de cada marca no mercado americano: o Audi A6 2010, com motor V6 sobrealimentado de 3.0 litros, 300 cv e 420 Nm, obteve nota 89/100 em qualidade e confiabilidade da JD Power e 3,5/5 no RepairPal; o BMW X1 2022 obteve 86/100 e 3,5/5; e o Mercedes-Benz Classe S 2008 obteve 88/100 e 3/5 no mesmo índice — números que se referem a registros do órgão regulador americano NHTSA e a plataformas de avaliação dos EUA.
Nas garantias padrão do mercado americano, Audi e BMW empatam em praticamente todos os itens — 4 anos/80.000 km de garantia geral e de trem de força, 12 anos contra corrosão e 8 anos/160.000 km para bateria de elétricos e híbridos. A Mercedes-Benz oferece cobertura ligeiramente menor em assistência rodoviária e corrosão. Vale destacar que esses prazos são os praticados nos Estados Unidos e podem não corresponder exatamente à garantia oferecida pelas marcas no Brasil.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O dado mais importante desse estudo não é a nota isolada de cada marca, é a origem repetida dos problemas.
Infoentretenimento e atualizações remotas de software lideram as reclamações justamente nas marcas premium, que mais investem em telas, conectividade e recursos digitais.
Isso indica que a complexidade tecnológica, hoje um argumento de venda, também é a principal fonte de insatisfação do proprietário a médio prazo.
A consistência da BMW ao longo de cinco anos sugere um processo de validação de software mais maduro, e não apenas sorte estatística em um ano específico.
Para o mercado brasileiro, o alerta é direto: como boa parte da eletrônica embarcada é compartilhada globalmente entre as versões vendidas aqui e nos Estados Unidos, é razoável esperar problemas semelhantes, mesmo sem dados de confiabilidade equivalentes disponíveis no Brasil.
Siga @tarcisiomecanicaonline para saber se essa diferença de confiabilidade entre as marcas alemãs também aparece nos modelos vendidos no Brasil.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
BMW lidera confiabilidade: a marca marcou 198 PP100 em 2026, acima da média do setor, mas esse é seu pior resultado em cinco anos.
Audi em recuperação: a marca melhorou 29 pontos frente a 2025, chegando a 244 PP100, mas segue como a menos confiável das três marcas.
Cinco anos sem sobreposição: BMW, Mercedes-Benz e Audi mantiveram níveis de confiabilidade distintos e constantes entre 2022 e 2026.
Audi entre as últimas do ranking: a marca ficou em 27º lugar entre 31 marcas analisadas em 2026, à frente apenas de Jeep, Land Rover, Volvo e Volkswagen.
Infoentretenimento é o maior vilão: essa é a categoria de problema mais recorrente do estudo, com média de 56,7 PP100 em toda a indústria.
BMW é a mais consistente: a marca teve apenas 14 pontos de variação em cinco anos, a menor de todo o levantamento da JD Power.
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
PP100: métrica usada pela JD Power que mede o número de problemas relatados a cada 100 veículos; quanto menor o número, mais confiável é a marca ou o modelo.
VDS (Vehicle Dependability Study): estudo anual da JD Power que mede a confiabilidade de veículos após três anos de uso, com base em relatos reais dos proprietários.
Atualização OTA (over-the-air): atualização de software feita remotamente, sem necessidade de levar o carro a uma concessionária, de forma parecida com o que acontece em smartphones.
Garantia de trem de força (powertrain): cobertura específica para os componentes responsáveis por gerar e transmitir a força do motor até as rodas, como motor, câmbio e diferencial.

