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Stellantis negocia com Huawei e JAC para salvar Maserati

Marca de luxo do grupo registrou prejuízo de € 198 milhões em 2025 e vendeu menos de 8 mil carros; parceria pode usar plataforma da Huawei e estratégia de dupla marca com a Maextro, da JAC, na China

A Stellantis está em negociações avançadas com a Huawei e o Grupo JAC para uma cooperação industrial de longo prazo envolvendo a Maserati, que enfrenta sérias dificuldades. A marca de luxo italiana vendeu menos de 8.000 carros no ano passado e registrou prejuízo operacional ajustado de € 198 milhões. O acordo prevê o uso da plataforma Harmony Intelligent Mobility, da Huawei, e uma estratégia de dupla marca: o veículo seria vendido como Maextro, da JAC, na China, e como Maserati no resto do mundo. A produção do primeiro modelo conjunto pode começar até o final de 2027.

A Stellantis está em negociações com a Huawei e o Grupo JAC, da China, para uma cooperação industrial de longo prazo em sua marca de luxo Maserati, que enfrenta dificuldades, disseram duas fontes à Reuters . O CEO da Stellantis, Antonio Filosa, afirmou no início deste ano que a quarta maior montadora do mundo estava trabalhando em novas parcerias de produção, inclusive com a Maserati, após esses acordos se consolidarem como um pilar fundamental da nova estratégia de longo prazo do grupo .

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A marca de luxo vendeu menos de 8.000 carros no ano passado, registrando um prejuízo operacional ajustado de € 198 milhões (US$ 230 milhões) . A Maserati deverá apresentar sua própria estratégia de longo prazo em dezembro .

O que está em jogo na negociação

O jornal italiano Milano Finanza foi o primeiro a noticiar, na sexta-feira, as negociações em curso entre a Stellantis, a Huawei e o Grupo JAC sobre a Maserati . Segundo a publicação, as negociações estão em estágio avançado e giram em torno da utilização da plataforma Harmony Intelligent Mobility da Huawei para a Maserati, com o objetivo de iniciar a produção do primeiro veículo desenvolvido em conjunto até o final de 2027 .

A parceria também poderá incluir uma estratégia de dupla marca, com um veículo comercializado sob a marca de luxo Maextro da JAC na China e sob a marca Maserati nos mercados internacionais . A proposta lembra o funcionamento de outras colaborações da Huawei na indústria automotiva chinesa: a gigante de tecnologia fornece sistemas eletrônicos, software e conectividade sem fabricar diretamente os carros .

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O projeto daria à marca italiana acesso à plataforma tecnológica da Huawei sem assumir sozinha o custo de desenvolvimento . Enquanto a Huawei aportaria a plataforma, software e conectividade, a JAC entraria com a capacidade industrial e a fabricação. A Maserati preservaria o design, a calibração e o posicionamento de luxo .

Por que Maserati precisa de uma solução urgente

Os números da Maserati explicam a urgência da Stellantis. Em 2025, a marca enviou 7.900 unidades, contra 11.300 do ano anterior . Para efeito de comparação, em 2017, a marca ainda vendia cerca de 15.000 carros só na China, seu principal mercado . No ano passado, vendeu menos de 1.000 unidades no país .

Esse volume é extremamente baixo para amortizar o custo de desenvolvimento de uma gama moderna, especialmente quando é preciso financiar simultaneamente eletrificação, software e novas arquiteturas . A Maserati já tem modelos elétricos, como os Folgore do Grecale, GranTurismo e GranCabrio, mas as vendas não compensaram o investimento .

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A dificuldade da Maserati é agravada pela situação da Stellantis como um todo. As fábricas europeias do grupo operam com apenas 60% da capacidade , e a fábrica de Cassino produziu apenas 2.916 carros no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 37% . Um novo acordo para a Maserati teria impacto positivo nas taxas de produção das fábricas de Cassino e Modena, na Itália, onde os modelos da marca são fabricados .

Parcerias chinesas são pilar da nova estratégia

A Filosa anunciou no início deste ano parcerias de produção, incluindo com grupos chineses como a Leapmotor e a Dongfeng, como parte de um plano de negócios de € 60 bilhões até 2030 . O CEO já havia deixado claro que a Maserati não está à venda, mas que receberá parceiros para desenvolvimento e produção .

“A Maserati não está à venda, com certeza, e Cassino também não”, afirmou Filosa em audiência no Parlamento italiano . “O que pode acontecer em Cassino, como acontecerá em outras plantas, é ter parcerias para cooperação e desenvolvimento” .

O movimento da Stellantis em relação à Maserati está inserido em um programa mais amplo de 60 bilhões de euros para os próximos cinco anos. Desse total, 36 bilhões serão direcionados a marcas e produtos, com 60% concentrados em Jeep, Ram, Peugeot e Fiat. A Maserati é tratada como a marca de luxo do grupo e terá dois novos carros eletrificados, com roteiro detalhado prometido para dezembro de 2026 .

Um porta-voz da Stellantis afirmou que, como parte de suas atividades comerciais normais, a empresa mantém conversas com diversos participantes do setor em todo o mundo sobre vários tópicos, “sempre com o objetivo final de oferecer aos clientes as melhores opções de mobilidade” .

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A negociação da Stellantis com Huawei e JAC é um sinal claro de que a indústria automotiva europeia está perdendo competitividade tecnológica.

O uso da plataforma Harmony Intelligent Mobility mostra que a Huawei se consolidou como fornecedora de soluções completas para veículos conectados, algo que as marcas europeias não conseguem desenvolver sozinhas com custos viáveis.

A estratégia de dupla marca — Maextro na China e Maserati no resto do mundo — é inteligente do ponto de vista comercial, mas levanta questões sobre a identidade da Maserati.

Minha avaliação é que a Maserati precisa de escala para sobreviver, e a parceria com a JAC pode reduzir os custos de desenvolvimento pela metade.

O maior risco é a diluição da exclusividade da marca. Uma Maserati com arquitetura chinesa pode enfrentar resistência no mercado europeu, onde o DNA italiano é parte essencial do valor percebido.

Se a produção ficar na China, os arancéis europeus podem inviabilizar o projeto. Se ficar na Itália, os custos trabalhistas vão pressionar o preço final.

Quer ficar por dentro das novidades sobre a indústria automotiva global e as parcerias que estão redesenhando o mercado? Acompanhe as análises e os bastidores do setor com @tarcisiomecanicaonline.

RETROVISOR MECÂNICA ONLINE® – ENTENDE O QUE ESTÁ POR TRÁS DA NOTÍCIA

Prejuízo de € 198 milhões: A Maserati registrou perda operacional ajustada de € 198 milhões em 2025, com menos de 8.000 carros vendidos.

Plataforma Harmony: A Huawei forneceria a plataforma de software, eletrônica e conectividade para os futuros modelos Maserati.

Dupla marca: O mesmo veículo seria vendido como Maextro (JAC/Huawei) na China e como Maserati nos mercados internacionais.

Produção em 2027: O primeiro modelo desenvolvido em conjunto pode entrar em produção até o final de 2027.

Fábricas italianas: Um acordo pode melhorar a utilização das plantas de Cassino e Modena, que operam com baixa capacidade.

Parcerias estratégicas: A Stellantis já tem acordos com Leapmotor e Dongfeng como parte do plano de € 60 bilhões até 2030.

MECÂNICA ONLINE® — MECÂNICA DO JEITO QUE VOCÊ ENTENDE

Harmony Intelligent Mobility: Plataforma de software e conectividade desenvolvida pela Huawei para veículos, que integra sistemas eletrônicos, inteligência artificial e ecossistema digital.

Arquitetura de veículo: Estrutura base que define a plataforma mecânica, elétrica e eletrônica sobre a qual diferentes modelos são construídos.

Plataforma de software-defined vehicle (SDV): Conceito em que as funções do veículo são controladas principalmente por software, permitindo atualizações remotas e novos serviços ao longo da vida útil do carro.

Dupla marca (dual-branding): Estratégia de comercializar o mesmo produto com marcas diferentes em mercados distintos, otimizando posicionamento e evitando canibalização.

Capacidade ociosa: Percentual da produção industrial que não está sendo utilizado. As fábricas da Stellantis na Europa operam com apenas 60% da capacidade.

Joint venture: Associação de duas ou mais empresas para executar um projeto específico, compartilhando investimentos, riscos e resultados.

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