Imagine sair de um shopping, acionar um comando e encontrar seu carro vindo até você, sem que ninguém esteja ao volante. Ou entrar no veículo e conversar com uma inteligência artificial que reconhece suas preferências e interpreta solicitações feitas com poucas palavras. Essas são algumas das experiências que a OMODA & JAECOO apresenta entre 19 e 23 de outubro de 2026, durante o Super Intelligent Experience Lab, em Wuhu, na China. O evento reúne duas tecnologias: o Super Intelligent Valet Parking (SIVP), desenvolvido para automatizar manobras e deslocamentos em ambientes de estacionamento, e o Super Intelligent AI Space (SIAS), voltado à interação personalizada entre automóvel e ocupantes. A proposta é mostrar como a inteligência artificial pode transformar a utilização cotidiana dos veículos, embora os sistemas ainda dependam de condições específicas de funcionamento e validação.
OMODA e JAECOO apresentam carro que pode vir até o motorista
A OMODA & JAECOO está demonstrando duas tecnologias de inteligência artificial durante o International User Summit 2026, realizado em Wuhu, na província chinesa de Anhui.
O laboratório de experiências, que acontece de 19 a 23 de outubro, integra a programação denominada “DRIVE TO THE NEXT VIBE”, voltada à próxima geração de tecnologias inteligentes da fabricante.
A principal atração é o Super Intelligent Valet Parking (SIVP), sistema desenvolvido para permitir que o veículo realize determinadas manobras sem precisar de um motorista executando diretamente os comandos.
A tecnologia inclui duas funções apresentadas como “Vem até você” e “Estaciona por você”, que procuram automatizar tarefas comuns em estacionamentos.
A proposta é reduzir o tempo e o esforço necessários para localizar uma vaga ou recuperar o automóvel depois de uma atividade.
No entanto, a demonstração de um veículo circulando sem ocupantes ao volante não significa que ele esteja autorizado a dirigir autonomamente em qualquer via pública.
O funcionamento depende das condições técnicas e dos limites operacionais definidos para o sistema.
Como funciona a tecnologia que chama o carro remotamente?
A função “Vem até você” foi desenvolvida para permitir que o usuário solicite o deslocamento do automóvel até um ponto determinado, dentro de um ambiente compatível com a tecnologia.
Na prática, a proposta envolve identificar a posição do veículo, interpretar o ambiente e calcular uma trajetória até o local solicitado.
Durante esse processo, o sistema precisa reconhecer obstáculos, acompanhar a movimentação de outros veículos e decidir quando avançar ou interromper a manobra.
Em um estacionamento de shopping, por exemplo, podem existir pedestres circulando entre os automóveis, carrinhos de compras, pilares e veículos entrando ou saindo de vagas.
Essas situações exigem uma combinação de percepção ambiental, planejamento de trajetória e controle eletrônico dos movimentos.
A tecnologia também precisa avaliar se existe espaço suficiente para realizar determinada manobra sem entrar em contato com obstáculos.
O material divulgado pela OMODA & JAECOO não detalha o alcance máximo do chamado remoto, a velocidade de operação, a infraestrutura necessária ou as condições de supervisão humana.
Esses parâmetros serão essenciais para compreender como o recurso poderá ser utilizado fora das demonstrações.
SIVP também promete estacionar o veículo sem intervenção direta
Além do chamado remoto, a OMODA & JAECOO apresenta a função “Estaciona por você”, destinada a automatizar manobras de estacionamento.
O recurso busca permitir que o automóvel identifique uma vaga adequada, calcule sua trajetória e execute os movimentos necessários para estacionar.
Durante o processo, o sistema precisa coordenar direção, aceleração e frenagem, além de interpretar continuamente as informações disponíveis sobre o ambiente.
Em determinadas situações, pode ser necessário realizar diferentes movimentos para posicionar o automóvel corretamente.
O objetivo é reduzir a dificuldade de estacionar em vagas apertadas e ambientes com obstáculos próximos.
A automação também pode representar uma solução de conveniência para consumidores que enfrentam estacionamentos complexos no cotidiano.
Entretanto, o sistema não elimina a necessidade de observar as condições de segurança, as limitações técnicas e as regras de utilização previstas pelo fabricante.
A empresa ainda não informou quais modelos comerciais receberão inicialmente a tecnologia SIVP nem quando o recurso estará disponível em diferentes mercados.
Inteligência artificial precisa interpretar situações em movimento
O desafio de desenvolver um sistema de estacionamento automatizado vai além de controlar o volante.
Um dos principais requisitos é permitir que o veículo construa uma representação do ambiente ao seu redor.
Essa representação pode reunir informações obtidas por diferentes sensores, conforme a arquitetura eletrônica utilizada.
A partir desses dados, o sistema identifica espaços disponíveis, obstáculos e possíveis trajetórias.
Entretanto, o ambiente de um estacionamento não é estático.
Um pedestre pode surgir entre dois veículos, enquanto outro motorista pode iniciar uma manobra inesperada.
Por isso, o sistema precisa atualizar continuamente sua interpretação e adaptar suas decisões às mudanças do ambiente.
A automação envolve três etapas fundamentais: perceber o cenário, planejar uma ação e executar os comandos necessários.
Quanto maior a complexidade do ambiente, maior a importância de uma estratégia que priorize previsibilidade, segurança e capacidade de interromper a operação quando necessário.
A OMODA & JAECOO pretende colocar essas capacidades à prova durante as experiências realizadas em Wuhu.
SIAS quer transformar o carro em um assistente inteligente
Enquanto o SIVP concentra suas funções na movimentação do veículo, o Super Intelligent AI Space (SIAS) foi desenvolvido para modificar a interação entre pessoas e automóveis.
A proposta é criar um ambiente digital capaz de compreender solicitações de maneira mais natural e personalizada.
Em vez de depender exclusivamente de comandos rígidos e expressões predeterminadas, a tecnologia busca interpretar a intenção do usuário a partir do contexto da conversa.
Um motorista poderia, por exemplo, expressar uma necessidade sem necessariamente mencionar qual função eletrônica deseja utilizar.
O objetivo é permitir que a inteligência artificial relacione essa solicitação aos recursos disponíveis no veículo.
Entretanto, a fabricante ainda não apresentou a lista completa de comandos, idiomas ou funcionalidades que estarão disponíveis comercialmente.
A evolução da tecnologia dependerá também da capacidade de interpretar solicitações ambíguas e responder sem executar ações incompatíveis com a intenção real do usuário.
Quatro capacidades definem a nova inteligência artificial
A OMODA & JAECOO organiza a proposta do SIAS em quatro capacidades principais, destinadas a tornar a interação mais personalizada.
- Compreender intenções – Interpretar o objetivo de uma solicitação mesmo quando o usuário utiliza poucas palavras.
- Reconhecer hábitos – Considerar preferências e padrões de utilização para tornar determinadas interações mais convenientes.
- Interpretar emoções – Buscar identificar sinais associados ao estado emocional do ocupante e adaptar a forma de resposta.
- Compreender tendências – Utilizar informações e padrões disponíveis para oferecer experiências consideradas mais adequadas ao perfil do usuário.
A fabricante descreve essa evolução como uma transição de sistemas voltados apenas à execução de comandos para interfaces que também procuram considerar contexto e características individuais.
Entretanto, reconhecer padrões de comportamento ou sinais associados a emoções não significa que a inteligência artificial possua compreensão humana ou consciência emocional.
O funcionamento depende de modelos computacionais que interpretam dados e produzem respostas conforme as capacidades para as quais foram desenvolvidos.
O carro poderá aprender os hábitos de quem dirige?
Uma das propostas mais interessantes do SIAS é a possibilidade de personalizar a experiência conforme as preferências do motorista.
Sistemas desse tipo podem utilizar informações sobre escolhas anteriores para sugerir determinadas configurações ou facilitar o acesso a funções frequentes.
Por exemplo, um veículo pode registrar preferências de climatização, entretenimento ou navegação, desde que essas capacidades estejam previstas em sua arquitetura.
O objetivo é reduzir a necessidade de repetir os mesmos comandos todos os dias.
Entretanto, a OMODA & JAECOO não detalhou quais informações serão efetivamente armazenadas, como serão utilizadas ou por quanto tempo permanecerão disponíveis.
Essas questões são importantes porque a personalização envolve tratamento de dados individuais e mecanismos de proteção à privacidade.
Também será necessário compreender como o sistema diferencia os hábitos de diferentes motoristas que utilizam o mesmo automóvel.
Inteligência emocional é uma das apostas da marca
A proposta de interpretar emoções representa outra área de desenvolvimento apresentada no laboratório.
A OMODA & JAECOO pretende demonstrar como o SIAS pode produzir respostas mais adequadas ao contexto da interação com os ocupantes.
A ideia é tornar a comunicação menos mecânica e mais próxima de uma experiência conversacional.
Entretanto, a interpretação computacional de emoções apresenta limitações importantes.
Expressões faciais, entonação de voz e escolhas de palavras não possuem necessariamente um significado emocional único.
Por isso, a identificação de estados emocionais por inteligência artificial deve ser compreendida como uma estimativa baseada em padrões, e não como uma leitura precisa dos sentimentos humanos.
A utilidade prática dependerá da capacidade do sistema de oferecer respostas relevantes sem produzir interpretações inadequadas.
Também será fundamental garantir que as funcionalidades não provoquem distrações adicionais durante a condução.
OMODA e JAECOO querem integrar mobilidade e estilo de vida
O desenvolvimento das tecnologias SIVP e SIAS está relacionado à estratégia da OMODA & JAECOO de ampliar a participação dos sistemas digitais na experiência automotiva.
A fabricante procura associar seus veículos a conceitos de conectividade, personalização e utilização inteligente do tempo.
No caso do estacionamento, a proposta é automatizar tarefas que exigem atenção e podem consumir alguns minutos do cotidiano.
Já a inteligência artificial embarcada pretende tornar o acesso às funções mais intuitivo.
As duas tecnologias representam aplicações diferentes de um mesmo princípio: utilizar processamento eletrônico para interpretar informações e executar tarefas com menor necessidade de comandos detalhados.
Entretanto, a complexidade técnica também aumenta a necessidade de validação e mecanismos de segurança.
A expectativa é que as demonstrações realizadas durante o evento ajudem a avaliar o funcionamento dessas soluções em situações preparadas para os testes.
Tecnologias ainda não possuem lançamento confirmado no Brasil
A OMODA & JAECOO possui atuação no mercado brasileiro, mas não anunciou a disponibilidade comercial do SIVP e do SIAS para os veículos vendidos no País.
Também não foram divulgados os modelos que receberão inicialmente essas funcionalidades, os preços ou eventuais requisitos de hardware.
A chegada de sistemas avançados de automação depende de homologação, disponibilidade de sensores, arquitetura eletrônica e regras aplicáveis em cada mercado.
No caso do estacionamento remoto, também será necessário considerar as condições específicas dos locais de operação.
Estacionamentos privados, áreas abertas ao público e vias de circulação podem estar sujeitos a exigências de segurança e regulamentações diferentes.
Portanto, as demonstrações em Wuhu não devem ser interpretadas como confirmação de que o consumidor brasileiro poderá utilizar imediatamente essas funções.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A possibilidade de chamar um automóvel remotamente e permitir que ele execute determinadas manobras sem um motorista ao volante representa uma evolução importante na integração entre inteligência artificial e sistemas de controle veicular.
Entretanto, é necessário compreender a diferença entre automação de uma tarefa específica e direção autônoma em qualquer condição.
Um estacionamento pode constituir um ambiente operacional delimitado, com velocidades reduzidas e trajetórias relativamente curtas.
Mesmo assim, existem riscos relacionados à movimentação de pedestres, obstáculos e outros veículos.
O sistema precisa reconhecer essas situações e agir de forma previsível.
A capacidade de executar uma manobra sem intervenção direta não significa que a tecnologia tenha autonomia irrestrita.
Por isso, será fundamental conhecer os limites de funcionamento e os mecanismos de supervisão previstos para o SIVP.
Outro ponto relevante é a integração entre os componentes eletrônicos e os sistemas mecânicos.
Para movimentar o automóvel, o sistema precisa controlar direção, aceleração, frenagem e seleção de movimentos, conforme a arquitetura do veículo.
Essas funções exigem comunicação confiável entre diferentes unidades de controle.
Também são necessários mecanismos capazes de identificar falhas e colocar o veículo em uma condição segura quando a operação não puder continuar.
No caso do SIAS, o desafio é diferente.
A proposta de compreender solicitações feitas com poucas palavras depende de interpretação de linguagem natural e análise contextual.
Isso pode reduzir a necessidade de utilizar menus ou memorizar comandos específicos.
Entretanto, uma interface que interpreta intenções também precisa saber quando solicitar esclarecimentos.
Executar uma função incorreta pode ser inconveniente quando envolve entretenimento, mas pode representar um problema mais sério quando a ação interfere em características operacionais do automóvel.
A inteligência artificial precisa trabalhar dentro de limites de segurança claramente definidos.
A personalização também merece atenção.
Reconhecer hábitos pode tornar a experiência mais confortável, mas envolve decisões relacionadas ao tratamento dos dados do usuário.
O desenvolvimento responsável dessas tecnologias exige transparência, possibilidade de controle das preferências e proteção das informações pessoais.
Já a chamada inteligência emocional deve ser avaliada com cautela.
Uma resposta conversacional mais natural pode melhorar a experiência, mas não comprova que o sistema compreende emoções da mesma maneira que uma pessoa.
O valor da tecnologia estará na capacidade de oferecer respostas úteis, consistentes e adequadas às necessidades reais dos ocupantes.
O avanço apresentado pela OMODA & JAECOO não está apenas em fazer um carro estacionar sozinho ou responder a comandos de voz. Está na tentativa de integrar percepção, tomada de decisão e personalização em uma experiência automotiva mais inteligente.
O próximo desafio será demonstrar que esses sistemas funcionam de maneira confiável fora dos ambientes preparados para apresentações, com requisitos claros de segurança e utilização.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 19 a 23 de outubro – Período do Super Intelligent Experience Lab da OMODA & JAECOO, realizado em Wuhu, na China.
- SIVP – Sistema inteligente desenvolvido para chamar o veículo remotamente e executar determinadas manobras de estacionamento.
- SIAS – Espaço digital de inteligência artificial voltado à interação personalizada entre automóvel e ocupantes.
- “Vem até você” – Função destinada a permitir que o veículo se desloque até um ponto solicitado pelo usuário, dentro das condições previstas.
- “Estaciona por você” – Recurso que busca automatizar a identificação de vagas e a execução de manobras.
- Quatro capacidades – Compreensão de intenções, hábitos, emoções e tendências são os pilares anunciados para o SIAS.
- Brasil – Ainda não existe confirmação de disponibilidade comercial dessas tecnologias nos veículos nacionais.
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- Estacionamento automatizado – Tecnologia que utiliza sensores e controle eletrônico para realizar manobras de estacionamento em condições específicas.
- Percepção ambiental – Capacidade de interpretar informações dos sensores para identificar obstáculos, veículos, pedestres e características do espaço ao redor.
- Processamento de linguagem natural – Tecnologia de inteligência artificial utilizada para interpretar solicitações humanas formuladas por palavras ou frases.
- Domínio operacional – Conjunto de condições e limites dentro dos quais um sistema automatizado foi desenvolvido para funcionar com segurança.

