A Honda confirmou uma reestruturação profunda em seu comando na América do Sul, marcando a chegada de Keisuke Tsuruzono para a presidência da região. O movimento ocorre em um momento estratégico, onde a fabricante acelera aportes que somam R$ 5,8 bilhões para a nacionalização da tecnologia híbrido-flex e a expansão da produção de motocicletas em Manaus.
A mudança no comando da Honda ocorre em um cenário de forte transição tecnológica. O executivo Keisuke Tsuruzono assume o posto de Presidente da Honda South America com a missão de suceder Arata Ichinose, que retorna ao Japão após dois anos de gestão marcantes no Brasil.
Sob a liderança de Ichinose, a marca anunciou um ciclo de investimento de R$ 4,2 bilhões na divisão de automóveis até 2030. Esse montante será destinado ao lançamento do novo SUV WR-V e ao desenvolvimento da exclusiva tecnologia híbrido-flex, que coloca a Honda na disputa direta com a Toyota e o grupo Stellantis.
No segmento de duas rodas, onde a Honda detém hegemonia absoluta, o aporte anunciado foi de R$ 1,6 bilhão. O objetivo é elevar a capacidade produtiva da planta de Manaus para 1,6 milhão de unidades anuais, reforçando a linha de frente contra concorrentes como Yamaha e Shineray.
A nova estrutura organizacional visa dar agilidade à tomada de decisões. Keisuke Tsuruzono traz uma bagagem de três décadas na Honda Motor Co., Ltd., com passagens estratégicas por mercados competitivos como Estados Unidos, China e Europa, além de experiência em produtos de força.
Além da troca de comando, a fabricante surpreendeu o mercado ao anunciar a criação da Honda Marine no Brasil. Esta nova divisão de negócios será integrada à estrutura de Motores e Máquinas, focando na comercialização de motores de popa de alta tecnologia.
A Honda Marine atua globalmente desde 1964 com foco em motores 4 tempos, conhecidos pelo baixo índice de emissões. A operação brasileira será liderada por Anderson Meireles, que assume como Head da unidade para atender os setores de lazer, pesca e turismo.
No campo da sustentabilidade, a Honda Energy também terá novo comando. Douglas Alencar assume a presidência da unidade responsável pelo parque eólico de Xangri-Lá (RS), que garante energia limpa para as fábricas de Itirapina e Sumaré.
Atualmente, 100% dos automóveis produzidos pela marca no país utilizam eletricidade proveniente de fonte renovável. Esse diferencial competitivo é parte central da estratégia de descarbonização da Honda, visando neutralidade em toda a sua cadeia produtiva.
A chegada do novo WR-V em 2025 e a posterior introdução do motor híbrido-flex são os pilares para manter a competitividade frente a rivais como Volkswagen Nivus e Hyundai Creta. A Honda aposta na fidelidade do cliente para sustentar seus preços de categoria premium.
A integração regional proposta pela nova liderança busca maximizar sinergias entre as fábricas de automóveis e motocicletas. Com processos modernizados, a empresa espera reduzir custos logísticos e acelerar o tempo de resposta às demandas do consumidor sul-americano.
A trajetória de Tsuruzono em mercados asiáticos e norte-americanos sugere uma gestão focada em eficiência operacional e expansão de portfólio. A experiência do executivo em Power Products deve facilitar a implementação da nova divisão marítima no território nacional.
O mercado automotivo brasileiro vive um momento de renovação de frotas e eletrificação gradual. A Honda, ao consolidar sua liderança com um executivo de carreira global, sinaliza que o Brasil continua sendo um pilar fundamental para os resultados da matriz japonesa.
Os detalhes sobre os novos produtos da Honda Marine e as especificações técnicas das futuras motorizações híbridas serão revelados nos próximos meses. A expectativa é que o cronograma de lançamentos siga rigorosamente o plano de investimentos de seis anos.
A transição oficial de cargos ocorre no dia 1º de abril de 2026. Até lá, a equipe de transição trabalha para garantir que os projetos de expansão industrial não sofram interrupções, mantendo o ritmo de crescimento observado no último biênio.
Com essa renovação, a Honda se posiciona não apenas como uma montadora, mas como uma empresa de mobilidade completa, atuando em terra, ar (via HondaJet) e agora, de forma mais robusta, na água em solo brasileiro.
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- Híbrido-flex: Sistema de propulsão que combina um motor elétrico com um motor de combustão interna capaz de queimar gasolina ou etanol em qualquer proporção, otimizando a eficiência energética e reduzindo emissões.
- Motor de Popa: Propulsor autônomo instalado na parte externa (traseira) de uma embarcação, que inclui motor, transmissão e hélice em uma única unidade, facilitando a manutenção e a dirigibilidade.
- Híbrido (HEV): Veículo elétrico híbrido que utiliza um motor a combustão e um sistema elétrico para tração, onde a bateria é recarregada pelo próprio motor térmico e pela frenagem regenerativa, sem necessidade de plug-in.
