O CEO da Ford, Jim Farley, revelou em entrevista que sua principal preocupação estratégica não é mais a Tesla, mas sim o avanço avassalador das montadoras chinesas. Após dirigir um Xiaomi SU7 por seis meses, Farley descreveu a experiência como “humilde” e elogiou a BYD por sua estrutura de custos e domínio da cadeia de suprimentos. Admitindo erros no design de produtos como a F-150 Lightning, o executivo confirmou que a Ford está redirecionando seus investimentos para veículos elétricos mais acessíveis e diferenciados, baseados na nova plataforma UEV (Universal EV). A meta é lançar picapes e utilitários na faixa de US$ 30.000 para competir com a capacidade de exportação da China, que hoje subsidia seus veículos em até US$ 5.000 por unidade.
A Ford está redesenhando sua estratégia global para enfrentar a China, que atualmente possui capacidade produtiva de 50 milhões de veículos por ano.
Jim Farley elogiou a BYD como a fabricante número 1 do mundo, destacando sua propriedade intelectual e eficiência na gestão da cadeia de suprimentos.
A nova plataforma UEV (Universal EV) será a base para a próxima geração de picapes e SUVs elétricos, focando em custos de desenvolvimento reduzidos.
O executivo admitiu que a F-150 Lightning e outros modelos iniciais perderam dinheiro por terem sido projetados de forma “equivocada” para o mercado atual.
Com o fim do Ford Escape, a marca foca no Bronco Sport e em “veículos para paixão”, eliminando o que Farley chama de “produtos sem graça”.
O Xiaomi SU7, sedã elétrico chinês testado por Farley, serviu como um alerta sobre o nível de qualidade e engenharia atingido pelos concorrentes asiáticos.
A China exporta veículos com subsídios de até US$ 5.000, o que desafia a competitividade das montadoras americanas sem apoio governamental similar em infraestrutura.
A Ford já compete diretamente com marcas chinesas na Europa, Austrália e Tailândia, mas Farley reconhece que o jogo mudou em termos de escala.
O foco agora são veículos elétricos de US$ 30.000, atendendo ao desejo do consumidor por opções acessíveis em meio aos altos preços dos combustíveis.
A análise técnica indica que a inovação em manufatura é o único caminho para a Ford bater a competitividade de custos da plataforma da BYD.
Farley defende que a indústria precisa de escolas técnicas e programas de aprendizagem para formar mão de obra qualificada para a nova era elétrica.
O conflito recente com o Irã e a instabilidade no preço do petróleo reforçaram a decisão da Ford de acelerar a eletrificação acessível.
A estratégia de “produtos diferenciados” visa garantir que cada novo Ford tenha um caráter claro, seja para uso fora de estrada (off-road) ou trabalho.
Para a engenharia da Ford, o “presente da China” foi o fim da acomodação, forçando a marca a buscar o ápice da eficiência técnica.
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Resumo técnico em pontos-chave:
• Estratégia: Foco total na competitividade contra BYD e Xiaomi.
• Plataforma: Introdução da arquitetura UEV (Universal EV) para baixo custo.
• Portfólio: Fim de modelos genéricos (Escape) em favor de SUVs com identidade.
• Mercado: Projeção de elétricos na faixa de US$ 30.000.
• Desafio: Superar subsídios chineses de US$ 5.000 por veículo.
• Meta: Eficiência na cadeia de suprimentos e inovação em manufatura.
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Plataforma UEV (Universal EV) é a nova arquitetura modular da Ford projetada especificamente para reduzir os custos de produção e permitir veículos elétricos mais baratos.
Cadeia de Suprimentos (Supply Chain) refere-se a todo o processo logístico e produtivo, desde a extração de matérias-primas (como o lítio das baterias) até a entrega do carro pronto.
Subsídios Governamentais são auxílios financeiros diretos ou indiretos concedidos pelo Estado às indústrias para reduzir custos de produção e tornar os produtos mais baratos no exterior.

