A AliançaBiodiesel demonstrou preocupação com o modelo em discussão para implantação do PROCONVE MAR-II, programa que deve estabelecer novas regras de emissões para máquinas agrícolas e equipamentos fora-de-estrada no Brasil. Segundo a entidade, a proposta pode elevar custos, afetar produtores e reduzir investimentos em descarbonização.
O debate sobre o PROCONVE MAR-II envolve diretamente máquinas agrícolas, equipamentos de construção e veículos rodoviários fora-de-estrada movidos a diesel. A regulamentação está sendo conduzida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Segundo a AliançaBiodiesel, a proposta atual concentra esforços na redução de poluentes locais, como material particulado e óxidos de nitrogênio, mas deixaria em segundo plano a discussão sobre descarbonização e redução global de gases de efeito estufa.
A entidade argumenta que o Brasil possui uma posição estratégica no uso de biocombustíveis, especialmente biodiesel e etanol, e que o novo marco regulatório deveria priorizar tecnologias alinhadas à transição energética nacional.
Na avaliação do setor, o foco principal deveria ser a redução das emissões de carbono e não apenas o controle da qualidade do ar em operações agrícolas e fora-de-estrada, onde normalmente existe baixa concentração populacional.
A crítica também aponta uma possível contradição entre o MAR-II e a própria Lei do Combustível do Futuro, aprovada recentemente para incentivar soluções de menor impacto ambiental baseadas em combustíveis renováveis.
Outro ponto levantado envolve o impacto financeiro sobre fabricantes, produtores rurais e operadores de máquinas pesadas. Segundo a AliançaBiodiesel, os custos de adequação técnica podem elevar significativamente o valor final dos equipamentos.
As estimativas apresentadas indicam aumento entre 15% e 25% no preço das máquinas agrícolas e rodoviárias. Em equipamentos menores, voltados à agricultura familiar, esse percentual pode ser ainda maior.
Além do custo inicial mais elevado, o setor alerta para aumento nas despesas operacionais devido à obrigatoriedade do uso de diesel S10 e do agente redutor ARLA-32 em motores mais modernos.
A entidade calcula que o custo operacional das máquinas pode subir entre 9% e 20%, dependendo da aplicação e do perfil de uso do equipamento.
Outro argumento apresentado envolve a estrutura industrial brasileira. Empresas nacionais que não possuem fabricação própria de motores poderiam enfrentar dificuldades maiores na adaptação tecnológica em comparação com multinacionais já preparadas para padrões globais de emissões.
Segundo o posicionamento da entidade, isso pode gerar uma maior concentração de mercado e reduzir a competitividade da indústria nacional de máquinas agrícolas e equipamentos pesados.
A AliançaBiodiesel também questiona a efetividade prática da futura regulamentação. Um dos principais pontos destacados é a ausência de fiscalização pós-venda para máquinas agrícolas no Brasil.
Sem controle efetivo em campo, o setor acredita que pode surgir um mercado paralelo de modificações irregulares em motores e sistemas de emissões, comprometendo os objetivos ambientais do programa.
Do ponto de vista técnico, programas como o PROCONVE normalmente exigem motores mais sofisticados, com sistemas eletrônicos avançados de injeção, tratamento de gases e gerenciamento térmico mais complexo.
Esses sistemas conseguem reduzir emissões locais de poluentes, mas também elevam custos de produção, manutenção e operação, especialmente em aplicações severas no agronegócio e construção pesada.
A discussão ganha relevância porque o agronegócio brasileiro depende fortemente de máquinas movidas a diesel, principalmente em operações de longa duração e regiões afastadas da infraestrutura elétrica.
Outro ponto importante é que motores preparados para padrões mais rígidos exigem combustível de melhor qualidade e manutenção técnica mais especializada, o que pode representar um desafio em áreas rurais mais remotas.
“O debate do MAR-II mostra um choque entre duas estratégias ambientais: de um lado a redução de poluentes locais via tecnologia embarcada e, do outro, a defesa dos biocombustíveis como solução mais rápida e economicamente viável para reduzir emissões de carbono no Brasil”, afirma Tarcisio Dias, editor do Mecânica Online®.
A expectativa é que o texto final do programa avance nos próximos meses, enquanto indústria, produtores e entidades do setor pressionam por ajustes que conciliem controle ambiental, competitividade industrial e viabilidade econômica.
• PROCONVE MAR-II – Novo padrão de emissões para máquinas agrícolas e fora-de-estrada
• Custo das máquinas – Setor prevê alta entre 15% e 25% nos equipamentos
• Operação mais cara – Uso obrigatório de S10 e ARLA-32 pode elevar custos em até 20%
• Biocombustíveis – Entidade defende maior foco em biodiesel e etanol
• Fiscalização – Setor aponta ausência de controle pós-venda no campo
• Descarbonização – Debate envolve emissões locais versus redução de carbono
Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende
PROCONVE – Programa brasileiro que estabelece limites de emissões para veículos e máquinas
ARLA-32 – Solução utilizada em motores diesel para reduzir emissão de óxidos de nitrogênio
Diesel S10 – Combustível com baixo teor de enxofre utilizado em motores modernos

