A chegada da fase Proconve P8 (Euro VI) ao mercado brasileiro elevou significativamente o nível tecnológico dos veículos pesados. Para acompanhar motores mais eficientes, com maiores pressões de combustão e sistemas avançados de controle de emissões, os lubrificantes também passaram por uma profunda evolução. Hoje, além de reduzir atrito e desgaste, os óleos desempenham papel fundamental na preservação dos componentes de pós-tratamento dos gases de escape.
A implementação do Proconve P8, equivalente ao padrão europeu Euro VI, representou uma das maiores transformações da história recente dos caminhões e ônibus vendidos no Brasil.
Com limites mais rigorosos para emissão de poluentes, os fabricantes precisaram incorporar tecnologias como Filtro de Partículas Diesel (DPF), sistemas de recirculação de gases (EGR) e redução catalítica seletiva (SCR).
Essa nova arquitetura dos motores exigiu uma evolução paralela dos lubrificantes diesel, que deixaram de atuar apenas na proteção mecânica e passaram a contribuir diretamente para a eficiência dos sistemas de controle de emissões.
Tradicionalmente, a função do óleo lubrificante era reduzir o atrito entre componentes móveis, controlar o desgaste, dissipar calor e evitar a formação de depósitos internos.
Com a chegada dos motores modernos, surgiu uma nova preocupação: impedir que resíduos provenientes do próprio lubrificante comprometam o funcionamento do sistema de pós-tratamento.
Nesse cenário, ganharam destaque as formulações conhecidas como Low SAPS, sigla para baixo teor de cinzas sulfatadas, fósforo e enxofre.
Esses elementos fazem parte dos pacotes de aditivos dos lubrificantes, mas, quando presentes em grandes quantidades, podem gerar resíduos sólidos que se acumulam no DPF, reduzindo sua eficiência ao longo do tempo.
Ao diminuir esses compostos na formulação, os novos lubrificantes ajudam a prolongar a vida útil dos sistemas de filtragem e reduzir custos de manutenção.
Outra mudança importante está relacionada ao aumento da eficiência dos motores diesel modernos.
Para atender às exigências de consumo e emissões, os propulsores atuais operam com pressões de combustão mais elevadas, temperaturas maiores e tolerâncias mecânicas cada vez mais reduzidas.
Essas condições aceleram a degradação química do óleo, exigindo produtos com maior resistência à oxidação e melhor estabilidade térmica.
Foi justamente para atender esse cenário que surgiram especificações como a API CK-4, atualmente uma das mais avançadas para motores diesel pesados.
Os lubrificantes dessa categoria oferecem maior proteção contra desgaste, melhor controle da formação de depósitos e compatibilidade com os sistemas de pós-tratamento presentes nos motores Euro VI.
Além do óleo básico, a eficiência desses produtos depende de sofisticados pacotes de aditivos.
Os detergentes neutralizam ácidos gerados durante a combustão, enquanto os dispersantes mantêm partículas contaminantes suspensas no óleo, evitando sua deposição em componentes críticos do motor.
Já os aditivos antidesgaste criam uma película protetora entre superfícies metálicas, reduzindo o atrito em componentes como pistões, anéis, bronzinas e válvulas.
Outro desafio recente surgiu com o aumento da participação do biodiesel na mistura comercializada no Brasil.
Embora contribua para a redução das emissões de carbono, o biodiesel apresenta características químicas que podem acelerar a oxidação do óleo lubrificante e favorecer a formação de compostos ácidos.
Para enfrentar esse cenário, as formulações modernas passaram a incorporar maior capacidade de neutralização química e resistência à degradação oxidativa.
O resultado é uma maior estabilidade do lubrificante mesmo em aplicações severas de transporte rodoviário, logística urbana e operações fora de estrada.
Na prática, isso significa maior proteção ao motor, menor desgaste interno e possibilidade de ampliação dos intervalos de troca quando respeitadas as recomendações dos fabricantes.
Em determinadas aplicações monitoradas, os lubrificantes de categoria API CK-4 podem superar 60 mil quilômetros entre trocas, contribuindo para a redução dos custos operacionais das frotas.
Entre os produtos disponíveis no mercado brasileiro está o Valvoline Premium Blue CK-4, desenvolvido para motores diesel pesados e formulado com óleo básico do Grupo II, tecnologia que oferece maior estabilidade térmica e resistência à oxidação em comparação aos óleos convencionais do Grupo I.
A evolução dos lubrificantes demonstra que a redução das emissões não depende apenas do motor. O óleo tornou-se um componente estratégico para garantir eficiência energética, durabilidade mecânica e o correto funcionamento dos sistemas ambientais que equipam os veículos comerciais modernos.
“Os motores diesel atuais são verdadeiras plataformas tecnológicas. Hoje, a escolha correta do lubrificante influencia não apenas a vida útil do motor, mas também a eficiência dos sistemas de controle de emissões e o custo operacional da frota. É uma mudança de paradigma que muitos transportadores ainda estão aprendendo a compreender.” — Tarcisio Dias, Editor do Mecânica Online®
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• Norma ambiental: Proconve P8 (Euro VI)
• Tecnologia de óleo: Low SAPS
• Especificação: API CK-4
• Compatível com: motores diesel Euro VI e anteriores
• Benefícios: menor desgaste, maior estabilidade térmica e proteção do DPF
• Controle de emissões: compatibilidade com EGR, SCR e DPF
• Óleo básico: Grupo II
• Intervalo de troca: pode superar 60 mil km conforme aplicação e monitoramento
• Aplicação: caminhões, ônibus e veículos comerciais pesados
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Low SAPS – Tecnologia de lubrificante com baixo teor de cinzas sulfatadas, fósforo e enxofre, desenvolvida para proteger sistemas de controle de emissões.
DPF (Filtro de Partículas Diesel) – Componente instalado no escapamento que captura partículas de fuligem geradas pela combustão do diesel.
API CK-4 – Especificação internacional para lubrificantes diesel de alta performance, projetada para motores modernos com sistemas avançados de pós-tratamento.

