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Ram Dakota Laramie 2.2 Turbodiesel: conforto de SUV, capacidade de picape e foco no uso misto

Ram acertou ao priorizar eficiência, conforto e tecnologia sem descaracterizar a proposta da Dakota.

A nova Ram Dakota Laramie 2.2 Turbodiesel 2026 confirma a estratégia da marca de aproximar ainda mais o universo das picapes premium ao dos SUVs de luxo. O novo motor entrega mais eficiência, o pacote tecnológico evoluiu e o conforto impressiona, mas suas dimensões e algumas decisões de ergonomia mostram que ela continua sendo um veículo pensado para quem realmente precisa de uma picape. Após uma semana de avaliação em cidade, rodovia e trechos fora do asfalto, ficou evidente que seu melhor ambiente está no uso misto.

A chegada do motor 2.2 turbodiesel representa a principal novidade da Ram Dakota 2026. Mais do que substituir o antigo propulsor, a mudança atende à necessidade de melhorar a eficiência energética, reduzir emissões e manter a competitividade em um segmento cada vez mais disputado por modelos nacionais e importados.

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Durante uma semana de testes, utilizando a picape no trânsito urbano de São Paulo, em rodovias e nas estradas de terra que levam a São Thomé das Letras, foi possível avaliar seu comportamento em diferentes cenários. Essa diversidade de uso evidencia exatamente o perfil para o qual a Dakota foi desenvolvida.

A estratégia da Ram é bastante clara. Enquanto muitos consumidores migraram das picapes tradicionais para os SUVs, a fabricante buscou criar um produto capaz de entregar o conforto de um utilitário esportivo sem abrir mão da robustez exigida por quem trabalha ou frequenta propriedades rurais.

O resultado é uma picape que consegue atender tanto ao uso familiar quanto profissional, sem abrir mão de um elevado nível de sofisticação.

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Logo ao entrar na cabine, chama atenção o elevado padrão de acabamento. Os revestimentos apresentam materiais agradáveis ao toque, os encaixes transmitem sensação de solidez e o ambiente interno reforça a proposta premium da versão Laramie.

Os bancos com ajustes elétricos para motorista e passageiro facilitam encontrar uma posição ideal de dirigir. Somado ao volante com regulagem de altura e profundidade, o conjunto proporciona excelente ergonomia mesmo após várias horas ao volante.

O espaço interno também merece destaque. Os diversos porta-objetos distribuídos pela cabine tornam o uso cotidiano bastante prático, enquanto o banco traseiro acomoda quatro adultos com conforto e um quinto ocupante em trajetos menores.

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O pacote tecnológico acompanha a proposta do veículo. A central multimídia de 12,3 polegadas, compatível com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, trabalha em conjunto com o painel digital de 7 polegadas, oferecendo boa qualidade gráfica e leitura intuitiva das informações.

Entretanto, a busca por um interior mais moderno acabou sacrificando parte da ergonomia. Diversas funções migraram para a central multimídia, exigindo mais atenção do motorista durante a condução. Comandos físicos continuam sendo mais rápidos, intuitivos e seguros para operações frequentes, como climatização e determinados ajustes do veículo.

Outro aspecto que ficou abaixo da expectativa foi o sistema de áudio. Para um veículo posicionado no segmento premium, esperava-se maior qualidade sonora. O conjunto apresenta potência apenas razoável e um equalizador bastante simples, limitando as possibilidades de personalização.

Na condução, o destaque vai para o novo motor 2.2 turbodiesel, que entrega 200 cv e 45,9 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automático de oito marchas.

Na prática, o comportamento privilegia elasticidade e suavidade. O torque aparece cedo, facilitando arrancadas, ultrapassagens e o transporte de carga. Ainda assim, as retomadas poderiam ser mais vigorosas para um veículo que transmite aparência tão robusta.

Por outro lado, em velocidade de cruzeiro, a Dakota demonstra excelente estabilidade direcional. O isolamento acústico também contribui para viagens confortáveis, mantendo baixo nível de ruído na cabine.

Durante o teste, a média de consumo ficou próxima de 12 km/l, combinando cidade e estrada. Para uma picape com tração integral, elevado peso e capacidade de carga superior a uma tonelada, trata-se de um resultado bastante competitivo. Considerando esse consumo, a autonomia prática pode superar 700 quilômetros por abastecimento, dependendo das condições de utilização.

A tração 4×4 automática amplia significativamente a versatilidade do modelo. Seu funcionamento distribui eletronicamente o torque conforme a necessidade de aderência, enquanto o bloqueio mecânico do diferencial traseiro entra em ação quando o terreno exige ainda mais capacidade de transposição.

Os comandos da tração, entretanto, exigem alguma familiarização. Para usuários que nunca tiveram contato com sistemas desse tipo, a lógica de operação poderia ser mais intuitiva.

Foi fora do asfalto que a Dakota mostrou uma de suas maiores qualidades. Em estradas de terra, o conjunto de suspensão absorve muito bem as irregularidades, transmitindo estabilidade e segurança mesmo em pisos bastante deteriorados.

Nos acessos a sítios, chácaras e propriedades rurais, a boa altura livre do solo permite enfrentar valetas, lombadas, erosões e pequenos barrancos sem dificuldade. Com o modo 4×4 acionado, a sensação de controle aumenta ainda mais.

A caçamba também atende plenamente à proposta do veículo. São 980 litros de volume e capacidade de carga superior a 1 tonelada na versão diesel. A tampa com abertura pela chave facilita o acesso, enquanto a capota marítima apresentou excelente vedação durante o período de avaliação.

No aspecto de segurança, a Dakota reúne um pacote bastante completo de ADAS, incluindo piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de pedestres e ciclistas, alerta de colisão frontal e diversos sensores periféricos.

Na prática, esses sistemas funcionam bem, embora em grandes centros urbanos, como São Paulo, possam se tornar excessivamente sensíveis. A constante aproximação de motocicletas faz com que os alertas sonoros sejam acionados diversas vezes ao longo do trajeto, o que pode incomodar alguns motoristas.

Quando comparada às principais concorrentes, como Toyota Hilux, Ford Ranger, Chevrolet S10, Mitsubishi Triton e Nissan Frontier, a Dakota ocupa uma posição bastante peculiar. Construída sobre plataforma monobloco, entrega comportamento dinâmico muito próximo ao de um SUV, enquanto a maioria das rivais utiliza arquitetura de longarinas, privilegiando maior capacidade para trabalho pesado e reboque.

Essa configuração faz com que a Dakota ofereça conforto superior no uso urbano e rodoviário, embora quem necessite rebocar cargas muito pesadas ou enfrente off-road severo com frequência possa encontrar vantagens em algumas concorrentes tradicionais.

Outro diferencial competitivo está na garantia de cinco anos, sem limite de quilometragem, aliada aos programas de manutenção preventiva Ram FlexCare, que permitem previsibilidade nos custos de revisão.

Após uma semana de convivência, fica evidente que a Ram Dakota Laramie 2.2 Turbodiesel 2026 não pretende ser a melhor escolha para todos os perfis de consumidor. Ela foi desenvolvida para quem realmente utiliza uma picape.

Quem mora no interior, frequenta propriedades rurais, transporta cargas regularmente ou alterna constantemente entre asfalto e terra encontrará um conjunto extremamente equilibrado entre conforto, tecnologia e capacidade.

Por outro lado, quem roda exclusivamente em ambiente urbano talvez encontre opções mais práticas entre os SUVs médios. As dimensões da Dakota exigem maior atenção em estacionamentos, garagens e manobras do dia a dia.

O lançamento também acompanha uma tendência mundial observada nas principais fabricantes: transformar picapes médias em veículos multifuncionais, aproximando sua experiência de condução à dos SUVs premium sem perder sua vocação para o trabalho. Em um mercado brasileiro onde consumidores buscam cada vez mais versatilidade, a Dakota reforça sua posição como uma das propostas mais sofisticadas do segmento.

“A Ram acertou ao priorizar eficiência, conforto e tecnologia sem descaracterizar a proposta da Dakota. O novo motor entrega exatamente o que o mercado brasileiro procura atualmente: menor consumo sem abrir mão do torque. Ainda assim, a picape evidencia uma mudança importante na indústria automotiva. Hoje, boa parte das picapes médias deixou de ser exclusivamente ferramenta de trabalho para disputar espaço na garagem de consumidores que antes comprariam um SUV premium. Nesse cenário, a Dakota se destaca pelo refinamento, mas continua fazendo mais sentido para quem realmente utilizará sua capacidade de carga e aptidão fora do asfalto.”Henrique Pereira, Mecânica Online®.

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• Motor: 2.2 turbodiesel, 200 cv e 45,9 kgfm (450 Nm)
• Transmissão: automática de 8 marchas
• Tração: 4×4 automática com bloqueio do diferencial traseiro
• Caçamba: 980 litros
• Capacidade de carga: superior a 1.000 kg
• Consumo obtido na avaliação: cerca de 12 km/l (uso misto)
• Autonomia prática observada: mais de 700 km, dependendo das condições de uso
• Central multimídia: 12,3″ com Apple CarPlay e Android Auto sem fio
• Painel digital: 7″
• Assistentes de condução: ACC, frenagem autônoma, alerta de colisão, detecção de pedestres e ciclistas, sensores e câmeras (conforme versão)
• Garantia: 5 anos, sem limite de quilometragem

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Tração 4×4 automática – Distribui eletronicamente a força entre os eixos para aumentar a aderência e a segurança conforme o tipo de piso.

Bloqueio do diferencial traseiro – Faz as duas rodas traseiras girarem juntas quando há perda de aderência, facilitando a transposição de obstáculos.

Torque – É a força produzida pelo motor. Quanto maior o torque disponível em baixas rotações, maior a facilidade para arrancar, subir ladeiras e transportar cargas.

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