Cerca de um ano após o lançamento na China, o Tesla Model Y L — SUV de seis lugares fabricado na Gigafábrica de Xangai — enfrenta uma onda de reclamações de proprietários sobre o “colapso” da suspensão traseira. O caso ganhou repercussão nas redes sociais chinesas, com usuários afirmando se tratar de falha sistêmica do lote, e não de casos isolados. As informações são do jornalista Liu Miao, com depoimentos originalmente citados pelo portal chinês Sina. O modelo não é vendido no Brasil.
Segundo os relatos, o espaço entre o arco da roda traseira e o pneu diminui drasticamente após viagens longas ou quando o veículo está totalmente carregado. Em casos extremos, proprietários afirmam que a folga fica tão pequena que “nem um dedo” cabe no espaço.
Um proprietário da província de Hebei relatou colapso grave após 9.000 km em viagem ao Tibete, com o carro totalmente carregado. Outro, em Xangai, com quase 30.000 km rodados desde outubro de 2025, viu a folga cair para a largura de dois dedos, com aumento da oscilação do chassi e risco de raspar a parte inferior do carro.
Além da queda visível da suspensão, há danos consequentes: o desalinhamento das rodas causa desgaste anormal na parte interna dos pneus. Alguns proprietários afirmam que os pneus já atingiram o limite de segurança.
A Tesla substitui as molas gratuitamente dentro da garantia, mas o custo de troca dos pneus prematuramente desgastados fica por conta do proprietário.
Até o momento, a Tesla China não emitiu comunicado público sobre o caso. Representantes do atendimento ao cliente apenas orientam os proprietários afetados a agendar inspeção nos centros de serviço.
Segundo relatos, o serviço pós-venda da Tesla define a altura “normal” do arco da roda traseira em 784 ± 20 mm. A substituição da mola só é autorizada se a medida ficar abaixo de 764 mm.
Para simplificar o diagnóstico, os próprios proprietários criaram um “teste do dedo”: folga de quatro dedos é considerada normal, três dedos é sinal de alerta, e dois dedos e meio ou menos geralmente indica falha.
Alguns donos, no entanto, questionam se a troca da mola resolve o problema de forma definitiva. Um usuário relatou que a suspensão cedeu novamente apenas dez dias após a substituição, com o carro balançando violentamente durante uma viagem — e a oficina se recusou a fazer uma segunda troca, alegando não ter solução definitiva para o caso.
O Model Y L, SUV de seis lugares, foi lançado oficialmente em agosto de 2025. A controvérsia surge em meio a outras pressões regulatórias sobre a Tesla na China: notificações recentes de recall da SAMR (Administração Estatal de Regulação do Mercado), relacionadas a problemas nas maçanetas das portas, tornaram a Tesla a montadora com o maior número de unidades recolhidas no país recentemente.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Um padrão chama atenção nos relatos: os colapsos aparecem principalmente em viagens longas com o carro carregado, o que aponta para possível subdimensionamento da mola em relação ao peso extra da configuração de seis lugares.
O fato de existir uma faixa de medida específica (784 ± 20 mm, com corte de troca em 764 mm) sugere que a Tesla já tem um critério técnico interno para o problema, mesmo sem comunicado público — isso é normalmente sinal de que a empresa já identificou o padrão de falha.
O “teste do dedo” criado pelos próprios consumidores é sintoma de falta de comunicação oficial, não de solução real: proprietários estão preenchendo, com método caseiro, uma lacuna que deveria ser resolvida com orientação clara da fabricante.
O relato de reincidência em apenas dez dias após a troca da mola é o dado mais preocupante da matéria: se a substituição não resolve de forma definitiva, o problema pode estar em outro componente da suspensão, não só na mola.
Como o Model Y L não é vendido no Brasil, o caso não afeta diretamente o consumidor brasileiro — mas vale acompanhar se a Tesla trata o problema como recall formal, o que teria repercussão global para a marca.
Siga @tarcisiomecanicaonline para saber se a Tesla vai se pronunciar oficialmente sobre o problema.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
Onda de reclamações na China: proprietários relatam colapso da suspensão traseira do Model Y L, cerca de um ano após o lançamento.
Caso extremo no Tibete: um proprietário relatou colapso grave após 9.000 km em viagem com o carro totalmente carregado.
Desgaste anormal de pneus: a queda da suspensão altera o alinhamento das rodas, levando pneus ao limite de segurança em alguns casos.
Medida de referência da Tesla: altura “normal” do arco da roda traseira definida em 784 ± 20 mm, com troca de mola autorizada só abaixo de 764 mm.
“Teste do dedo” criado por consumidores: forma informal de autodiagnóstico adotada pelos próprios proprietários para medir a folga da roda.
Tesla sem comunicado oficial: a empresa não se pronunciou publicamente, apenas orienta agendamento de inspeção nos centros de serviço.
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Mola de suspensão: componente que sustenta o peso do veículo e absorve impactos da estrada; quando perde rigidez ou “cede”, reduz a altura do carro e compromete o comportamento da suspensão.
Arco da roda (wheel arch): abertura na carroceria que acomoda o movimento da roda; a distância entre esse arco e o pneu costuma ser usada como referência para avaliar a altura da suspensão.
Alinhamento das rodas: ajuste geométrico que garante que as rodas fiquem na posição correta em relação ao solo e à carroceria; quando alterado, causa desgaste irregular dos pneus.
Recall: convocação oficial feita por uma montadora para corrigir gratuitamente um defeito identificado em determinado lote ou modelo de veículo, geralmente por questões de segurança.

