A Porsche concluiu a venda de suas participações na Bugatti Rimac e no Grupo Rimac por cerca de € 1 bilhão, encerrando uma ligação societária que remonta à aquisição da Bugatti pelo Grupo Volkswagen em 1998. A operação melhora as perspectivas financeiras da fabricante alemã e abre um novo capítulo para a Bugatti justamente durante a transição do histórico motor W16 para o novo Tourbillon híbrido.
A mudança representa mais do que uma operação financeira. A Bugatti foi durante mais de duas décadas uma das principais vitrines tecnológicas do Grupo Volkswagen, período marcado por projetos que desafiaram limites de potência, velocidade, refrigeração e aerodinâmica.
Agora, a Porsche vendeu 45% da Bugatti Rimac e 21% do Grupo Rimac para um consórcio de investidores liderado pela HOF Capital. O Grupo Rimac permanece com participação majoritária de 55% na Bugatti Rimac.
A transação gera aproximadamente € 1 bilhão para a Porsche, dos quais € 250 milhões serão destinados ao reforço de obrigações previdenciárias. Com a operação, a empresa elevou a projeção de margem de fluxo de caixa líquido automotivo para 2026 à faixa de 5,5% a 7,5%.
Da Volkswagen para a Rimac
A história moderna da Bugatti começou em 1998, quando o Grupo Volkswagen adquiriu os direitos da marca durante a gestão de Ferdinand Piëch.
O resultado mais emblemático desse período foi o Bugatti Veyron, lançado em 2005 com motor W16 de 8,0 litros e quatro turbocompressores. Com 1.001 cv e velocidade superior a 400 km/h, o modelo transformou a Bugatti em uma demonstração do potencial tecnológico do grupo.
Em 2016 chegou o Chiron, elevando a potência para 1.500 cv e servindo de base para uma estratégia de modelos de produção extremamente limitada e alto valor agregado.
A mudança estrutural ocorreu em 2021. A Bugatti foi integrada à fabricante croata de hipercarros elétricos Rimac, formando a Bugatti Rimac, com 55% sob controle do Grupo Rimac e 45% pertencentes à Porsche.
A venda agora concluída encerra essa participação da Porsche e, consequentemente, o último vínculo societário da Bugatti com o Grupo Volkswagen.
Nova fase coincide com o Tourbillon híbrido
A mudança acionária acontece durante outra transformação importante: a substituição da arquitetura W16 que marcou Veyron e Chiron.
O Bugatti Tourbillon inaugura uma nova geração eletrificada da fabricante, combinando motor a combustão e propulsão elétrica em um conjunto híbrido. O modelo está na fase final de testes, enquanto a Bugatti também inaugurou recentemente sua nova unidade produtiva em Molsheim, na França.
A reorganização alcança ainda a administração. Mate Rimac assume a presidência da Bugatti Automobiles, enquanto Marko Brkljačić passa a diretor de operações da Bugatti Rimac e Hendrik Malinowski assume a área comercial.
Mais do que uma troca de acionistas, portanto, a operação coloca tecnologia, desenvolvimento e gestão sob uma estrutura cada vez mais ligada ao Grupo Rimac.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A saída da Porsche possui um significado especial porque encerra um dos capítulos mais ousados da engenharia automotiva moderna. O Grupo Volkswagen aceitou desenvolver um automóvel com requisitos que pareciam contraditórios: potência extrema, mais de 400 km/h e possibilidade de utilização em vias públicas.
O Veyron obrigou engenheiros a resolver problemas complexos de refrigeração, transmissão de potência, estabilidade e aerodinâmica. O Chiron levou essa arquitetura ainda mais longe.
Agora, o Tourbillon representa outra filosofia. A eletrificação passa a participar diretamente da busca por desempenho, enquanto a Bugatti abandona o W16 que se tornou sua assinatura técnica durante duas décadas.
Para a Porsche, € 1 bilhão também transforma a separação em uma operação relevante de capital. Para a Bugatti, o desafio será demonstrar que a nova estrutura consegue preservar exclusividade e engenharia extrema sem o suporte societário do maior grupo automotivo europeu.
O mais simbólico é que a Bugatti entrou no Grupo Volkswagen para demonstrar até onde poderia chegar o automóvel a combustão e sai justamente quando redefine o hipercarro para a era híbrida.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- Negócio de € 1 bilhão – A Porsche vendeu suas participações na Bugatti Rimac e no Grupo Rimac.
- Rimac continua majoritária – O Grupo Rimac mantém 55% da Bugatti Rimac.
- Fim de um ciclo – A Bugatti estava ligada ao Grupo Volkswagen desde a aquisição dos direitos da marca em 1998.
- Veyron mudou o segmento – O hipercarro combinou 1.001 cv com velocidade superior a 400 km/h.
- Chiron ampliou a fórmula – A evolução do W16 chegou a 1.500 cv no modelo lançado em 2016.
- Tourbillon abre nova era – A próxima geração substitui a histórica arquitetura W16 por uma solução híbrida.
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W16 – Motor formado por 16 cilindros organizados em uma arquitetura compacta, utilizado pela Bugatti nas famílias Veyron e Chiron.
Hipercarro – Categoria informal aplicada a esportivos que levam desempenho, tecnologia, exclusividade e preço além do território tradicional dos supercarros.
Propulsão híbrida – Combina motor a combustão e motores elétricos, permitindo diferentes estratégias para desempenho e eficiência.
Joint venture – Empresa formada com participação de diferentes grupos. A Bugatti Rimac nasceu dessa estrutura societária em 2021.
Foco estratégico do título: explorar o valor concreto de € 1 bilhão e o elevado interesse de busca pelas marcas Porsche, Bugatti e Rimac, contextualizando a operação como o encerramento de uma relação iniciada na era Volkswagen e a abertura da fase híbrida do Tourbillon.

