A Scania está criando uma estrutura específica na China para acelerar projetos ligados à eletrificação e ao transporte autônomo. Batizada de Venture & New Business China (VNBC), a divisão terá a missão de identificar oportunidades, formar parcerias e testar tecnologias e modelos de negócio em aplicações reais, aproveitando a escala do maior mercado de caminhões do mundo e o ecossistema tecnológico chinês.
A Scania está ampliando sua estratégia de desenvolvimento na China com a criação da Venture & New Business China, plataforma dedicada à identificação e experimentação de novos negócios relacionados ao futuro do transporte pesado.
A iniciativa trabalhará com parcerias estratégicas, clientes, empresas de tecnologia e novos empreendimentos, buscando reduzir o intervalo entre identificar uma solução, testá-la em condições reais e avaliar sua viabilidade comercial.
Inicialmente, duas áreas estarão no centro dos trabalhos: transição energética e transporte autônomo.
A executiva Kelly Fu foi nomeada Regional Lead for China Venture & New Business da Scania Group e ficará responsável pela nova estrutura.
China vira laboratório para novas tecnologias
A proposta não é simplesmente pesquisar tecnologias futuras. A Scania pretende utilizar a VNBC para realizar projetos-piloto e testar modelos de negócio diretamente no mercado chinês.
Segundo a fabricante, a estrutura terá uma dupla função: apoiar o crescimento atual da operação chinesa e desenvolver competências necessárias para ampliar sua participação em um ecossistema de transporte cada vez mais eletrificado e automatizado.
“Começaremos pelas necessidades dos clientes locais, reuniremos capacidades complementares, testaremos soluções no mercado e ampliaremos aquelas que criarem valor comercial real”, afirma Kelly Fu.
Isso significa que uma tecnologia poderá ser avaliada não apenas pelo seu funcionamento técnico, mas também por sua capacidade de resolver problemas operacionais e sustentar um modelo comercial.
Nantong e Rugao terão papel nos testes
A VNBC parte de uma estrutura industrial que a Scania vem ampliando na China.
A fabricante cita suas ofertas comerciais Scania e NEXT ERA, além das capacidades locais de pesquisa e desenvolvimento, compras e produção.
A região de Nantong e Rugao, onde está localizado o terceiro polo industrial de produção da Scania, deverá funcionar como um dos ambientes para testar e desenvolver novas soluções em parceria com clientes e outras empresas.
A divisão também pretende trabalhar com governos locais e participantes do ecossistema tecnológico chinês em busca de oportunidades de colaboração.
“China combina a escala do maior mercado de caminhões do mundo com um dos ambientes tecnológicos e de inovação que avançam mais rapidamente”, afirma Fu.
Eletrificação exige mais do que desenvolver o caminhão
A transição energética será uma das prioridades da nova estrutura.
No transporte pesado, colocar uma nova tecnologia de propulsão no mercado envolve questões que ultrapassam o próprio veículo. Infraestrutura energética, operação, disponibilidade, aplicações adequadas e modelos comerciais podem influenciar diretamente sua adoção.
Por isso, a Scania pretende desenvolver parcerias de ecossistema e novos modelos de negócio capazes de apoiar a chegada dessas soluções ao mercado.
A fabricante não detalhou, neste anúncio, projetos específicos de caminhões elétricos, baterias ou infraestrutura que serão desenvolvidos pela VNBC.
Transporte autônomo entra entre as prioridades
O segundo grande eixo será a automação do transporte pesado.
A estratégia prevê testar tecnologias e modelos de negócio em aplicações reais, utilizando as experiências obtidas para orientar futuras soluções da fabricante.
“Trabalhando com parceiros, podemos testar rapidamente tecnologias e modelos de negócio em aplicações do mundo real, construir conhecimentos valiosos e utilizar esses aprendizados para moldar as soluções de transporte do futuro”, afirma Gustaf Sundell, vice-presidente executivo e chefe de Ventures and New Business da Scania.
A empresa não especificou neste anúncio níveis de automação, aplicações operacionais ou cronogramas para implementação comercial. Portanto, a criação da VNBC não deve ser interpretada, isoladamente, como anúncio de um caminhão autônomo específico.
Experiência em mobilidade digital e novas energias
Kelly Fu chega à liderança da divisão com experiência em banco de investimentos, mobilidade digital, tecnologia para veículos comerciais e desenvolvimento de novos negócios.
A executiva passou seis anos pela DiDi, incluindo o período como gerente-geral do escritório de Pequim, e trabalhou com investimentos na G7.
Mais recentemente, esteve envolvida com startups e soluções emergentes relacionadas a transporte pesado elétrico a bateria e movido a hidrogênio.
Para Camilla Dewoon, vice-presidente executiva da Scania Group e responsável pela Scania Group China, a nova divisão deverá combinar conhecimento do mercado local com as capacidades globais da fabricante.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A criação da VNBC chama atenção porque mostra que a transformação do transporte pesado não está sendo tratada apenas como uma corrida para desenvolver novos caminhões. A Scania está estruturando uma operação para experimentar também o ecossistema necessário para fazê-los funcionar comercialmente.
Isso é particularmente importante na eletrificação. Um caminhão elétrico precisa ser analisado dentro de uma operação que envolve rota, carga transportada, disponibilidade do veículo, recarga, infraestrutura energética e custo operacional. O sucesso da tecnologia depende da combinação desses fatores.
Com a automação ocorre algo semelhante. Desenvolver sensores, processamento e sistemas de controle é apenas parte do problema. A aplicação precisa ser compatível com o ambiente operacional e apresentar uma justificativa econômica para o cliente.
A China oferece escala para esse tipo de desenvolvimento, mas o aspecto mais relevante da estratégia está na velocidade de aprendizado. Testar tecnologias em aplicações reais permite identificar limitações técnicas e comerciais antes de tentar ampliá-las.
Também é importante observar que a Scania fala em soluções futuras e projetos-piloto. O anúncio não estabelece nível específico de condução autônoma nem apresenta novos produtos comerciais, portanto não seria correto interpretar a VNBC como lançamento de um caminhão autônomo.
A estratégia é anterior a isso: construir as parcerias, conhecimentos e modelos de negócio que poderão transformar tecnologias emergentes em soluções efetivamente utilizáveis no transporte pesado.
Para acompanhar como eletrificação, automação e novas tecnologias estão transformando a engenharia e a operação dos caminhões, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- Venture & New Business China – A VNBC será a estrutura da Scania dedicada a identificar, desenvolver e testar novas oportunidades no mercado chinês.
- Duas prioridades iniciais – Transição energética e transporte autônomo estarão entre os primeiros campos de atuação.
- Testes reais – A estratégia prevê experimentar tecnologias e modelos de negócio diretamente com clientes e parceiros.
- Nantong e Rugao – A região onde está instalado o terceiro polo industrial da Scania deverá funcionar como ambiente para projetos-piloto.
- Ecossistema além do caminhão – A iniciativa buscará parcerias e estruturas comerciais necessárias para levar futuras soluções ao mercado.
- Sem produto anunciado – A criação da VNBC não veio acompanhada de especificações ou cronogramas para um novo caminhão elétrico ou autônomo.
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- Transição energética – Processo de substituição ou diversificação das fontes de energia utilizadas no transporte, envolvendo veículos e a infraestrutura necessária para operá-los.
- Transporte autônomo – Aplicação de sistemas capazes de automatizar determinadas funções de condução; o nível efetivo de automação depende da tecnologia e das condições específicas de operação.
- Projeto-piloto – Implementação controlada de uma tecnologia ou modelo de negócio para avaliar seu funcionamento antes de uma eventual expansão.
- Ecossistema de transporte – Conjunto formado por veículos, infraestrutura, energia, operadores, clientes, tecnologia e serviços necessários para executar uma operação de transporte.

