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Bentley rejeita tela para passageiro e questiona excesso de displays nos carros

Torcal elétrico mantém madeira diante do passageiro enquanto estudo citado pela publicação mostra baixo uso desse tipo de display nos Estados Unidos.

Depois de uma década em que as telas cresceram e se multiplicaram dentro dos automóveis, a Bentley decidiu seguir na direção contrária. O novo Torcal elétrico não terá display dedicado ao passageiro e mantém essa área do painel revestida em madeira. A decisão ganha força diante dos dados apresentados no Índice de Experiência Tecnológica da J.D. Power: 35% dos proprietários de carros equipados com tela para o passageiro nunca tentaram utilizá-la.

A corrida pelas maiores telas transformou profundamente os interiores dos automóveis. Centrais multimídia cresceram, quadros de instrumentos tornaram-se digitais e algumas fabricantes passaram a instalar displays que atravessam praticamente toda a largura do painel.

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A Bentley resolveu questionar essa tendência no Torcal, seu novo modelo elétrico.

Na frente do passageiro não existe uma segunda tela. Em seu lugar, a fabricante britânica preservou uma superfície revestida em madeira, colocando acabamento e materiais no espaço que poderia receber outro display.

A escolha não aconteceu por falta de avaliação da tecnologia. Segundo Martin Page, diretor da linha de produtos da Bentley, a empresa estudou a possibilidade e decidiu descartá-la.

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“A tecnologia tem que agregar valor. Ela não deve dominar a experiência”, afirmou o executivo à imprensa, conforme relato reproduzido pela publicação.

Page foi ainda mais categórico ao afirmar que a Bentley “jamais” colocaria uma tela dedicada ao passageiro nas condições atuais.

Bentley considera tela uma solução sem problema

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A justificativa está diretamente relacionada à experiência dentro do veículo.

Segundo o executivo, uma tela adicional não estaria alinhada ao objetivo da Bentley de priorizar o conforto do passageiro. A fabricante considerou que estaria desenvolvendo uma solução tecnológica sem uma necessidade suficientemente clara para justificá-la.

Isso não significa necessariamente abandonar o conceito para sempre.

Page admite que um segundo display poderia fazer mais sentido em um futuro no qual veículos efetivamente autônomos mudassem a relação dos ocupantes com a cabine.

Por enquanto, a Bentley considera que quem está no banco dianteiro não precisa necessariamente de uma tela exclusiva.

A filosofia também combina com uma característica tradicional dos automóveis de luxo: em veículos utilizados com motorista, o passageiro que deseja trabalhar ou consumir conteúdo durante o deslocamento normalmente ocupa os bancos traseiros.

35% nunca usaram a tela do passageiro

O questionamento encontra respaldo nos números citados pela publicação a partir do Índice de Experiência Tecnológica da J.D. Power nos Estados Unidos.

Segundo o levantamento apresentado, 35% dos proprietários de veículos equipados com tela para o passageiro nunca tentaram utilizar o recurso.

Apenas 6% afirmaram usá-la sempre que dirigem.

O estudo também apontou os displays para passageiros entre os recursos tecnológicos considerados mais problemáticos, enquanto veículos equipados com eles apresentaram maior incidência de problemas relacionados ao sistema de infoentretenimento.

Os números ajudam a colocar em perspectiva uma questão cada vez mais relevante para a indústria: mais tecnologia visível não significa necessariamente melhor experiência para os ocupantes.

Torcal troca excesso de telas por madeira

No Torcal, essa filosofia aparece claramente no desenho do painel.

Enquanto diferentes fabricantes transformam o lado do passageiro em mais uma superfície digital, a Bentley utiliza acabamento tradicional em madeira, preservando uma característica associada historicamente aos seus interiores.

Isso não significa que o novo elétrico tenha uma cabine analógica.

O modelo utiliza uma tela OLED central com a parte inferior curva, concentrando ali as principais funções digitais.

A publicação observa que a solução visual guarda semelhanças com aquela utilizada pelo Porsche Cayenne elétrico, modelo com o qual o Torcal compartilha elementos de sua base tecnológica.

Tela giratória fica de fora do Torcal

Existe, entretanto, uma ausência que pode ser mais significativa para admiradores da marca do que a falta de uma tela diante do passageiro.

Modelos como Bentayga e Continental GT oferecem o conhecido mecanismo de tela giratória da Bentley.

Nesse sistema, parte do painel pode alternar entre display digital e superfícies de acabamento, permitindo que a tecnologia desapareça visualmente quando não é necessária.

Essa solução não foi adotada no Torcal.

Em seu lugar está a nova tela OLED curva, mantendo permanentemente a interface digital como elemento central do painel.

A decisão cria uma situação interessante: a Bentley rejeita uma segunda tela por considerar que a tecnologia não deve dominar a experiência, mas mantém um grande display central permanentemente visível.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A discussão levantada pelo Bentley Torcal vai muito além de uma preferência estética. A indústria automotiva precisa começar a perguntar não quantas telas consegue instalar em um carro, mas quais delas realmente melhoram sua utilização.

Durante anos, o tamanho e a quantidade de displays funcionaram como indicadores visuais de modernidade. A consequência foi uma corrida tecnológica na qual funções antes resolvidas por comandos físicos passaram a disputar espaço dentro de interfaces digitais cada vez maiores.

Os dados apresentados pela J.D. Power tornam a tela do passageiro um exemplo interessante. Se 35% dos proprietários nunca experimentaram o recurso e apenas 6% o utilizam em todas as viagens, existe espaço para questionar se esse componente deve realmente ocupar uma área tão importante do painel.

Também existe uma diferença entre tecnologia disponível e tecnologia útil. Uma tela adicional acrescenta hardware, software, interfaces e integração ao sistema de infoentretenimento. Para justificar essa complexidade, precisa oferecer uma função que o usuário efetivamente valorize.

Nesse sentido, a posição da Bentley é coerente com a proposta de um automóvel de luxo. Madeira, couro, metal e desenho também fazem parte da experiência, e transformar todas as superfícies disponíveis em displays não é necessariamente sinônimo de sofisticação.

Talvez o ponto mais interessante esteja justamente na frase de Martin Page: tecnologia precisa agregar valor sem dominar a experiência. É um princípio que pode valer não apenas para telas, mas para praticamente toda a digitalização do automóvel.

Para acompanhar como interfaces digitais, inteligência artificial e novas tecnologias estão transformando a relação entre motorista, passageiros e automóvel, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Sem tela para o passageiro – A Bentley decidiu manter acabamento em madeira nessa área do painel do Torcal.
  • 35% nunca utilizaram – É a parcela de proprietários com tela para passageiro que, segundo o estudo citado da J.D. Power nos Estados Unidos, nunca tentou usar o recurso.
  • Apenas 6% usam sempre – O levantamento indica utilização frequente relativamente pequena para esse tipo de display.
  • Tecnologia com propósito – A Bentley afirma ter analisado a solução e concluído que uma segunda tela não agregaria valor suficiente à experiência atual.
  • Autonomia pode mudar a lógica – Martin Page admite que displays adicionais poderiam ganhar outra função quando veículos autônomos modificarem a maneira como os ocupantes utilizam o interior.
  • OLED permanece – O Torcal não abandona as telas: uma unidade central curva continua sendo elemento importante da cabine.

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  • OLED – Tecnologia de tela em que os próprios pixels emitem luz, permitindo elevado contraste e construção de displays com diferentes formatos.
  • Infoentretenimento – Sistema que concentra recursos como multimídia, navegação, conectividade e diversas configurações do veículo.
  • Interface homem-máquina – Conjunto de telas, botões, comandos e respostas por meio dos quais motorista e passageiros interagem com os sistemas do automóvel.
  • Ergonomia digital – Aplicação de princípios de usabilidade às interfaces eletrônicas para reduzir esforço, distração e dificuldade na execução de comandos.
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