A Nissan voltou aos anos 1990 para imaginar uma interpretação diferente do atual Z. O conceito Z Kaze recupera o teto T-top que marcou gerações anteriores, acrescenta peças NISMO e componentes de uma das preparadoras mais conhecidas da cultura japonesa. Mas talvez o detalhe mais interessante esteja nas rodas: em vez de criar um desenho retrô, a equipe encontrou um conjunto original que estava fora de produção havia anos.
A Nissan apresentou o Z Kaze, conceito desenvolvido a partir do atual Nissan Z para celebrar a história das sete gerações da família de esportivos e a cultura de preparação que ganhou força durante os anos 1990.
O modelo apareceu inicialmente na ZCON, convenção anual de entusiastas da Z Car Club Association, realizada em Phoenix, no Arizona, e será exibido também no Japanese Classic Car Show, em 3 de outubro de 2026.
“Kaze” significa “vento” em japonês, uma escolha diretamente relacionada à principal modificação realizada no esportivo: a instalação de um teto T-top desenvolvido especificamente para o projeto.
A proposta recupera uma solução utilizada historicamente em esportivos da família Z, combinando a estrutura do teto com painéis removíveis para criar uma experiência mais próxima daquela oferecida por um carro aberto.
T-top recupera característica de antigos Nissan Z
A inspiração do projeto partiu da ideia de percorrer a Pacific Coast Highway, na Califórnia, em um dia de verão.
A equipe de planejamento de produto e design procurou combinar essa experiência com referências aos antigos esportivos Z equipados com teto removível.
O resultado não pretende antecipar uma nova versão de produção.
Pelas informações divulgadas, o Z Kaze permanece um carro-conceito, sem confirmação de fabricação em série ou comercialização do conjunto T-top para o atual Nissan Z.
A intervenção, entretanto, mostra como uma característica histórica pode ser reinterpretada em uma carroceria contemporânea.
Rodas NISMO antigas foram encontradas e restauradas
Outra escolha incomum está nas rodas.
O Z Kaze utiliza NISMO LMGT2 de 18 polegadas, modelo forjado de múltiplas peças que deixou de ser produzido há muitos anos.
Em vez de desenvolver réplicas modernas, a equipe responsável pelo conceito localizou um conjunto original e realizou sua restauração e reconstrução.
As rodas possuem 10 polegadas de largura na dianteira e 11 polegadas na traseira.
A escolha conecta diretamente o conceito à cultura japonesa de preparação e ao envolvimento da NISMO com o automobilismo.
A carroceria também recebeu alargadores de para-lamas, necessários visualmente para acompanhar a postura mais larga do conjunto.
Fibra de carbono muda capô e aerodinâmica
As alterações externas continuam com um capô ventilado e mais leve produzido em fibra de carbono.
O mesmo material aparece em um kit aerodinâmico desenvolvido especificamente para o conceito.
A Nissan buscou preservar as proporções e elementos reconhecíveis do Z, mas adotou uma postura visual mais agressiva inspirada na cena de carros importados preparados dos anos 1990.
A pintura Pacific Teal reforça deliberadamente essa referência.
A nostalgia, portanto, não foi concentrada em uma única geração do Z. O projeto mistura elementos históricos da linhagem com referências à época em que automóveis japoneses e a cultura tuner ganharam enorme projeção.
GReddy entra no V6 biturbo
A preparação não ficou restrita à aparência.
O Nissan Z Kaze mantém como base o motor V6 biturbo de 3,0 litros, mas recebeu componentes da GReddy.
Entre eles estão escapamento SUPREME SP, kit de intercooler frontal e sistema de admissão Airinx.
A Nissan, entretanto, não divulgou novos números de potência ou torque para o conceito.
Portanto, a presença desses componentes não permite concluir quanto desempenho adicional foi obtido.
Esse é um detalhe importante porque modificações em admissão, intercooler e escapamento podem fazer parte de uma preparação mecânica mais ampla, mas o ganho efetivo depende da configuração completa e da calibração utilizada.
A suspensão também foi modificada com componentes NISMO, embora a fabricante não tenha detalhado no material quais peças foram substituídas ou as alterações de geometria e calibração resultantes.
Intercooler ajuda a controlar temperatura do ar
Entre as modificações mecânicas, o intercooler frontal tem uma função particularmente importante em um motor turbo.
Depois de comprimido pelo turbocompressor, o ar de admissão tende a aumentar de temperatura.
O intercooler procura reduzir essa temperatura antes que o ar chegue ao motor.
Em uma preparação, a capacidade térmica do sistema torna-se relevante especialmente quando o motor é submetido repetidamente a condições de maior carga.
Isso não significa que instalar um intercooler maior, isoladamente, produza determinado ganho de potência.
O resultado depende do conjunto mecânico, pressão de trabalho, gerenciamento eletrônico e demais modificações realizadas.
Bancos levam alto-falantes para perto dos ouvidos
A cabine também recebeu uma solução relacionada diretamente ao teto aberto.
Os bancos exclusivos possuem revestimento de couro branco e alto-falantes Bose Personal Plus incorporados aos apoios de cabeça.
A ideia é aproximar a reprodução sonora dos ocupantes justamente em uma configuração na qual a remoção do teto aumenta a interferência dos ruídos externos.
Detalhes em fibra de carbono completam o interior.
É uma abordagem diferente daquela normalmente utilizada em conceitos esportivos com cabines predominantemente escuras: o acabamento branco foi escolhido justamente para destacar visualmente o interior quando os painéis do teto estão removidos.
Nissan usa preparação para revisitar a própria história
O Z Kaze também mostra uma maneira diferente de trabalhar patrimônio histórico.
Em vez de simplesmente reproduzir um automóvel antigo, a Nissan colocou referências de diferentes períodos sobre um produto atual.
O T-top remete à história da família Z, as LMGT2 recuperam uma peça original NISMO e os componentes GReddy conectam o projeto à cultura de preparação japonesa.
O resultado funciona mais como uma interpretação contemporânea dessa história do que como uma recriação fiel de determinada geração.
Por enquanto, entretanto, é exatamente isso: um conceito.
A Nissan não informou planos de oferecer o T-top, as modificações de carroceria ou o pacote completo do Z Kaze como acessórios ou versão de produção.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O que mais me interessa no Z Kaze é que a Nissan não tratou nostalgia apenas como exercício de design.
Existe mecânica envolvida nessa homenagem.
Intercooler, admissão, escapamento, suspensão, rodas mais largas e componentes aerodinâmicos são elementos bastante familiares para quem acompanhou a explosão da cultura tuner japonesa nos anos 1990 e 2000.
Mas existe um cuidado importante: instalar essas peças não nos permite afirmar automaticamente que o carro ficou mais potente.
Sem dados de dinamômetro, nova calibração ou números divulgados pela Nissan, não sabemos qual foi o ganho efetivo do V6 biturbo.
Esse tipo de distinção é importante justamente no universo da preparação.
Uma peça pode melhorar capacidade térmica, fluxo ou resistência a determinada condição de utilização sem que isso possa ser convertido automaticamente em determinada quantidade de cavalos.
E talvez o detalhe mais interessante seja justamente a decisão de procurar rodas LMGT2 originais e restaurá-las.
Em um projeto criado para homenagear a cultura tuner, usar uma peça verdadeira daquela história produz uma conexão que uma simples reprodução visual dificilmente conseguiria entregar.
Para acompanhar preparação, engenharia e os projetos que conectam a história dos esportivos à mecânica atual, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- Kaze significa vento – O nome japonês está diretamente relacionado ao teto removível e à proposta de condução ao ar livre.
- T-top sob medida – O teto foi desenvolvido especificamente para o conceito e recupera uma característica associada a gerações anteriores da família Z.
- LMGT2 originais – A equipe encontrou e restaurou rodas NISMO fora de produção, com 10 polegadas de largura na dianteira e 11 na traseira.
- GReddy no V6 – Intercooler frontal, admissão Airinx e escapamento SUPREME SP fazem parte das modificações mecânicas.
- Potência não divulgada – Apesar da preparação, a Nissan não informou novos números de potência e torque para o Z Kaze.
- Ainda é conceito – Não há no material divulgado confirmação de produção em série ou comercialização das modificações apresentadas.
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- T-top – Configuração de teto com painéis removíveis e uma seção estrutural central, permitindo abrir grande parte da área acima dos ocupantes sem utilizar a arquitetura tradicional de um conversível.
- Intercooler – Trocador de calor que reduz a temperatura do ar comprimido pelo sistema de sobrealimentação antes de sua entrada no motor.
- Admissão – Conjunto responsável por conduzir o ar até o motor; alterações de fluxo precisam trabalhar em conjunto com os demais componentes e com o gerenciamento eletrônico.
- Roda forjada – Roda produzida por processo de conformação do metal que pode permitir elevada resistência com controle de massa, dependendo de seu projeto e fabricação.

