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O novo interior: Nissan aposenta preto brilhante e cromados após ouvir consumidores

Marca começa a substituir materiais que dominaram os carros nos últimos anos e mostra como durabilidade, facilidade de limpeza e novos gostos estão redesenhando os interiores.

Durante anos, o plástico preto brilhante foi usado para transmitir sofisticação dentro dos carros. O problema apareceu depois da entrega: marcas de dedos, poeira e pequenos riscos começaram a transformar rapidamente o acabamento premium em uma superfície difícil de conservar. Agora, a Nissan decidiu ouvir os proprietários e iniciou uma mudança que vai além de simplesmente trocar um material por outro.

Toda época do automóvel acaba deixando uma assinatura visual. Os anos 1950 ficaram conhecidos pelos cromados e aletas; os 1980 pelas formas retas e instrumentos digitais. Mais recentemente, grades enormes, cromados e superfícies internas em preto brilhante espalharam-se por praticamente todos os segmentos.

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A Nissan começou a se afastar dessa tendência.

Em entrevista ao site norte-americano The Drive, Ponz Pandikuthira, diretor de Planejamento de Produtos da Nissan América do Norte, afirmou que a fabricante está eliminando gradualmente o plástico preto brilhante de seus interiores.

E, nesse caso, a mudança foi motivada diretamente pelos consumidores.

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As reclamações são familiares para quem convive com esse tipo de acabamento: impressões digitais aparecem facilmente, poeira fica evidente e pequenos riscos tendem a surgir com o tempo.

O problema aumenta porque o material frequentemente envolve telas, comandos e botões — justamente regiões tocadas constantemente pelos ocupantes.

Assim, uma superfície escolhida originalmente para elevar a percepção de qualidade pode produzir o efeito contrário depois de alguns anos de utilização.

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Do brilho para superfícies foscas

O novo Nissan Rogue Hybrid 2027 aparece como um dos exemplos dessa mudança.

No interior, áreas que anteriormente poderiam receber plástico preto brilhante passaram a utilizar superfícies foscas e texturizadas, especialmente próximas aos comandos.

O novo Nissan Leaf também segue essa direção, evitando grande presença do acabamento brilhante dentro da cabine.

A mudança não acontecerá simultaneamente em toda a linha.

Modelos desenvolvidos anteriormente, como Pathfinder e Armada, ainda utilizam preto brilhante em determinadas regiões do interior. O Armada também mantém elementos cromados externos.

Até mesmo o esportivo Nissan Z continua utilizando acabamento brilhante ao redor de alguns comandos.

Isso significa que a transformação será gradual, acompanhando renovações, reestilizações e futuras gerações dos produtos.

O cromado também começa a perder espaço

A Nissan pretende reduzir também a utilização de cromados.

Nesse caso, a motivação apresentada é diferente.

Pandikuthira indicou que a fabricante busca uma aparência mais discreta e sofisticada, acompanhando uma mudança na percepção de luxo.

Durante muito tempo, brilho significou visualmente um produto mais caro.

Cromados externos, molduras metálicas e superfícies internas reflexivas eram utilizados para separar versões básicas das configurações superiores.

Agora, algumas fabricantes começam a explorar outro caminho: texturas, superfícies acetinadas, iluminação e materiais menos reflexivos passam a assumir essa função.

É uma mudança interessante porque mexe justamente com uma das ferramentas mais antigas utilizadas pela indústria para transmitir valor.

BMW troca parte do brilho pela iluminação

A tendência não está limitada à Nissan.

A BMW também vem reinterpretando elementos que tradicionalmente seriam cromados, recorrendo cada vez mais a contornos iluminados, assinaturas luminosas e elementos de identidade visual integrados à iluminação.

A lógica é diferente daquela adotada pela Nissan.

Enquanto a fabricante japonesa busca maior discrição em determinados acabamentos, a BMW consegue utilizar luz para tornar alguns elementos ainda mais perceptíveis, especialmente à noite.

Ou seja, o cromado pode diminuir sem que o desejo de destacar visualmente o automóvel desapareça.

Muda apenas a ferramenta utilizada pelo designer.

Há também uma questão ambiental

Outro exemplo citado é o Jeep Wagoneer S, no qual a ausência de cromados também foi relacionada pela fabricante a questões ambientais.

A cromagem tradicional envolve processos químicos que exigem cuidados ambientais e industriais específicos.

Em um veículo elétrico apresentado com discurso associado à sustentabilidade, reduzir determinados processos de acabamento pode contribuir para tornar produto e narrativa ambiental mais coerentes, embora a sustentabilidade de um automóvel dependa de toda a sua cadeia produtiva e não de um acabamento isoladamente.

Por que o preto brilhante virou moda?

Existe uma razão para tantas fabricantes terem adotado esse material.

O chamado piano black consegue produzir contraste visual, refletir luz e criar rapidamente uma percepção de acabamento sofisticado.

Além disso, pode ser aplicado em diferentes peças sem exigir necessariamente materiais caros como madeira, alumínio ou fibra de carbono.

O resultado funciona particularmente bem quando o automóvel é novo.

O desafio aparece depois.

Uma superfície extremamente brilhante evidencia qualquer alteração: poeira, gordura dos dedos, microabrasões e riscos tornam-se muito mais visíveis do que em materiais foscos ou texturizados.

Isso cria uma situação curiosa.

Um material escolhido para transmitir qualidade no showroom pode envelhecer visualmente mais rápido durante o uso cotidiano.

E é justamente essa contradição que ajuda a explicar a decisão da Nissan.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Existe uma lição interessante nessa mudança: qualidade percebida no automóvel não deveria ser avaliada apenas no dia da entrega.

É relativamente fácil fazer uma superfície brilhante parecer sofisticada sob a iluminação de uma concessionária.

O desafio é descobrir como ela estará depois de dois, cinco ou dez anos recebendo sol, poeira, produtos de limpeza, anéis, unhas e milhares de contatos das mãos dos ocupantes.

Nesse aspecto, o plástico preto brilhante sempre carregou uma contradição.

Quando novo, pode transmitir sofisticação.

Quando riscado e coberto por marcas, pode rapidamente produzir a sensação oposta.

E existe outro detalhe importante: quanto mais tecnologia entrou nos interiores, maior ficou a área de contato das pessoas com essas superfícies.

Telas cresceram. Consoles ganharam comandos capacitivos. Volantes receberam novos botões. Superfícies decorativas aumentaram.

Colocar materiais extremamente sensíveis justamente nesses pontos inevitavelmente expõe suas limitações.

A decisão da Nissan também revela uma mudança mais ampla na própria definição de luxo automotivo.

Durante muito tempo, mais brilho significava mais sofisticação.

Hoje, um interior pode transmitir qualidade por meio de encaixes precisos, materiais agradáveis ao toque, superfícies foscas, iluminação bem integrada e texturas que resistem melhor ao envelhecimento.

E talvez essa seja a evolução mais importante.

O melhor acabamento não é necessariamente aquele que impressiona mais nos primeiros cinco minutos. É aquele que continua parecendo bom depois de anos de utilização.

Se o feedback dos consumidores está ajudando a indústria a perceber isso, abandonar alguns centímetros de plástico brilhante pode representar uma mudança pequena no desenho — mas bastante significativa na experiência de propriedade.

Para acompanhar como design, materiais e engenharia estão mudando a experiência dentro dos automóveis, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • Consumidor decidiu – Segundo o executivo da Nissan, a retirada gradual do preto brilhante foi motivada pelas reclamações dos próprios usuários.
  • Impressões digitais – Superfícies altamente reflexivas deixam gordura, poeira e marcas muito mais evidentes.
  • Riscos aparecem facilmente – Microabrasões podem comprometer a aparência do acabamento durante a vida útil do automóvel.
  • Mudança será gradual – Modelos mais antigos da gama ainda possuem piano black e cromados; novos projetos começam a mostrar a transformação.
  • Cromado também recua – A Nissan relaciona a mudança principalmente à busca por uma aparência mais discreta e sofisticada.
  • Luxo está mudando – Materiais foscos, texturas e iluminação começam a assumir funções visuais anteriormente associadas ao brilho e ao cromado.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • Piano black – Acabamento plástico de alto brilho utilizado em painéis, consoles e comandos para produzir aparência semelhante a uma superfície laqueada.
  • Acabamento fosco – Superfície que reflete menos luz e tende a tornar poeira, impressões digitais e pequenas marcas menos evidentes.
  • Cromagem – Processo utilizado para produzir uma superfície metálica brilhante e resistente, tradicionalmente empregada em detalhes decorativos dos automóveis.
  • Qualidade percebida – Sensação de refinamento transmitida por materiais, texturas, encaixes, comandos, sons e aparência, que não necessariamente corresponde apenas ao custo do componente.
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