A redução das emissões da indústria automotiva não depende apenas de fabricar veículos elétricos ou desenvolver motores mais eficientes. Ela também começa dentro das fábricas, em processos que muitas vezes passam despercebidos. Em Caxias do Sul, uma mudança na maneira de produzir vapor para a fabricação de componentes de freio recebeu investimento de R$ 17 milhões e promete eliminar uma parcela importante das emissões anuais da operação. A solução mostra como uma tecnologia já conhecida pode transformar uma etapa fundamental da produção industrial.
A Frasle Mobility apresentou o projeto Caldeira Verde durante o Congresso SAE BRASIL 2026, realizado em São Paulo, destacando uma iniciativa de descarbonização aplicada à fabricação de componentes automotivos.
O projeto foi apresentado por Alfredo Lorenzoni, diretor de Negócios da Frasle Mobility, durante o painel sobre Energia e Mobilidade.
Implantada na unidade industrial de Caxias do Sul (RS), a iniciativa substitui o gás natural por biomassa na geração de vapor utilizado no processo de prensagem de pastilhas e lonas de freio.
Com investimento de R$ 17 milhões, a mudança permite evitar aproximadamente 10 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, segundo os dados divulgados pela companhia.
O projeto integra a estratégia de descarbonização da Frasle Mobility e está alinhado à meta da Randoncorp de reduzir em 40% suas emissões de gases de efeito estufa até 2030.
Por que a fabricação de freios precisa de vapor?
Pastilhas e lonas de freio são componentes desenvolvidos para trabalhar sob condições severas de temperatura, pressão e atrito.
Sua fabricação envolve a combinação de materiais que precisam apresentar características adequadas de resistência mecânica, estabilidade térmica e comportamento de fricção.
Durante determinadas etapas produtivas, o controle de temperatura é fundamental para o processamento desses materiais.
Na unidade de Caxias do Sul, o vapor participa do processo de prensagem dos componentes.
Esse vapor precisa ser produzido por um sistema industrial capaz de fornecer energia térmica de maneira controlada.
Tradicionalmente, o processo utilizava gás natural como combustível para a geração de calor.
Com o projeto Caldeira Verde, a Frasle Mobility passou a utilizar biomassa nessa etapa.
A mudança não altera necessariamente a função do vapor no processo industrial, mas modifica a origem da energia térmica utilizada para produzi-lo.
É justamente nessa substituição que está o principal benefício ambiental anunciado.
Cavacos de madeira substituem o gás natural
A nova caldeira utiliza cavacos de madeira provenientes de reciclagem e reflorestamento.
Esse material funciona como combustível para gerar o calor necessário à produção do vapor.
A biomassa pode representar uma alternativa aos combustíveis fósseis quando sua origem, processamento e utilização seguem critérios adequados de sustentabilidade.
No caso da Frasle Mobility, a substituição do gás natural reduz a dependência de um combustível fóssil em uma etapa importante da fabricação de freios.
Entretanto, existe uma distinção técnica relevante.
A combustão de biomassa também libera dióxido de carbono.
Portanto, não seria correto afirmar que a caldeira deixa de emitir CO₂ durante seu funcionamento.
O benefício climático depende da origem da madeira, do manejo da biomassa e das emissões associadas à sua produção, transporte e utilização.
A estimativa divulgada pela Frasle Mobility é de aproximadamente 10 mil toneladas anuais de CO₂ evitadas com a substituição do combustível.
O comunicado não apresenta a metodologia detalhada utilizada nesse cálculo nem informa se o resultado considera exclusivamente emissões diretas ou uma avaliação mais ampla do ciclo de vida.
Investimento de R$ 17 milhões transforma a matriz energética
A implantação da Caldeira Verde recebeu R$ 17 milhões em investimentos.
O valor foi destinado à mudança da infraestrutura de geração de vapor na unidade de Caxias do Sul.
Do ponto de vista industrial, a iniciativa demonstra que a redução de emissões pode acontecer também por meio da modernização de sistemas auxiliares da produção.
Caldeiras, instalações térmicas e equipamentos de geração de energia são fundamentais para diversas atividades industriais, embora normalmente recebam menos atenção do que as máquinas diretamente responsáveis pela fabricação dos produtos.
A substituição de combustível nesses sistemas pode modificar significativamente o perfil de emissões de uma operação.
No entanto, o investimento divulgado não permite calcular sozinho o prazo de retorno financeiro do projeto.
Para isso, seriam necessárias informações adicionais sobre consumo de combustível, custos operacionais, manutenção, eficiência da instalação e despesas associadas ao fornecimento de biomassa.
O resultado ambiental informado, por sua vez, representa uma redução estimada das emissões associadas à operação.
Dez mil toneladas de CO₂ evitadas por ano
O principal indicador apresentado pela Frasle Mobility é a redução aproximada de 10 mil toneladas de dióxido de carbono anualmente.
O número representa a estimativa da companhia para o benefício da substituição do gás natural pela biomassa.
A importância desse resultado está na continuidade da operação.
Diferentemente de uma ação pontual, a mudança do sistema de geração de vapor passa a integrar o processo produtivo da unidade.
Assim, o benefício ambiental está associado ao funcionamento regular da instalação, considerando as condições previstas no projeto.
A iniciativa também demonstra que a descarbonização industrial pode avançar por diferentes caminhos.
Além da eletrificação de equipamentos, existem alternativas relacionadas a combustíveis, eficiência térmica, recuperação de energia e modernização de processos.
Cada solução precisa ser avaliada de acordo com as características técnicas e energéticas da atividade industrial.
Meta da Randoncorp prevê redução de 40% até 2030
O projeto Caldeira Verde está alinhado à estratégia de sustentabilidade da Randoncorp, grupo do qual a Frasle Mobility faz parte.
A companhia estabelece como meta a redução de 40% das emissões de gases de efeito estufa até 2030.
A substituição do gás natural por biomassa contribui para esse objetivo ao atuar diretamente sobre uma fonte de energia utilizada na produção.
Entretanto, o comunicado não detalha o ano-base, os escopos de emissões abrangidos pela meta ou a participação percentual específica da Caldeira Verde no resultado consolidado.
Essas informações são importantes para avaliar o avanço global da estratégia de descarbonização.
Ainda assim, a iniciativa representa uma aplicação concreta de mudança energética dentro de uma unidade industrial.
Congresso SAE BRASIL conecta engenharia e sustentabilidade
A apresentação ocorreu durante o Congresso SAE BRASIL 2026, um dos principais encontros de engenharia da mobilidade na América Latina.
A participação de Alfredo Lorenzoni aconteceu no painel dedicado a Energia e Mobilidade.
Durante a apresentação, o executivo destacou a relação entre competitividade industrial e responsabilidade ambiental.
“A Caldeira Verde demonstra que é possível conciliar competitividade industrial e responsabilidade ambiental. Trata-se de um projeto que reforça nosso compromisso com a inovação sustentável e contribui diretamente para a construção de uma mobilidade mais eficiente e de menor impacto ambiental”, afirmou.
A presença do projeto no congresso amplia uma discussão importante para a indústria automotiva.
A redução de emissões não acontece exclusivamente durante a utilização dos veículos.
Ela também envolve a fabricação de componentes, a origem da energia consumida pelas instalações e a eficiência dos processos industriais.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Quando falamos em descarbonização automotiva, normalmente pensamos em baterias, motores elétricos e combustíveis alternativos.
Mas existe outra dimensão igualmente importante: a energia consumida para fabricar cada componente de um automóvel.
O projeto Caldeira Verde da Frasle Mobility chama atenção justamente por atuar em uma etapa industrial que não aparece para o consumidor final.
Uma pastilha de freio precisa atender a requisitos rigorosos de atrito, resistência térmica e durabilidade.
Para produzir esses componentes, a indústria utiliza equipamentos e processos que também consomem energia.
A substituição do gás natural por biomassa na geração de vapor mostra como a engenharia de processos pode contribuir para reduzir emissões sem necessariamente modificar a função do produto fabricado.
É importante, porém, compreender que biomassa não significa emissão zero.
O benefício ambiental depende da origem do combustível, do manejo florestal e da contabilização das emissões envolvidas em toda a operação.
Por isso, o indicador de 10 mil toneladas de CO₂ evitadas anualmente deve ser compreendido como uma estimativa apresentada pela empresa, cuja metodologia detalhada não foi incluída no comunicado.
Outro ponto relevante é o investimento de R$ 17 milhões.
Projetos industriais de descarbonização exigem decisões que combinam engenharia, infraestrutura, disponibilidade energética e viabilidade econômica.
A iniciativa mostra que a transformação da mobilidade não depende apenas do automóvel que chega às concessionárias.
Ela também acontece dentro das fábricas que produzem os componentes responsáveis por sua segurança e funcionamento.
Para acompanhar engenharia automotiva, fabricação de componentes, tecnologias de freios e soluções de descarbonização industrial, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- R$ 17 milhões – Investimento realizado pela Frasle Mobility no projeto Caldeira Verde, implantado em Caxias do Sul.
- 10 mil toneladas de CO₂ – Redução anual aproximada de emissões estimada pela empresa com a substituição do gás natural.
- Biomassa de madeira – Cavacos provenientes de reciclagem e reflorestamento passam a ser utilizados como combustível na geração de vapor.
- Pastilhas e lonas de freio – Componentes cuja fabricação utiliza vapor no processo de prensagem da unidade industrial.
- 40% até 2030 – Meta de redução de emissões de gases de efeito estufa estabelecida pela Randoncorp, conforme o comunicado.
- Congresso SAE BRASIL 2026 – Evento em que a Frasle Mobility apresentou o projeto durante um painel sobre Energia e Mobilidade.
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- Biomassa – Material de origem orgânica que pode ser utilizado como combustível para gerar energia térmica ou elétrica, dependendo da tecnologia empregada.
- Caldeira industrial – Equipamento que utiliza energia térmica para aquecer água e produzir vapor destinado a processos produtivos.
- Descarbonização – Conjunto de medidas destinadas a reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas a atividades, produtos e processos.
- Matriz energética industrial – Composição das fontes de energia utilizadas por uma instalação, como eletricidade, gás natural, biomassa e outros combustíveis.

