Imagine sofrer um acidente e o próprio automóvel solicitar assistência, mesmo que você não consiga utilizar o celular. Ou receber informações sobre o estado do veículo, climatizar a cabine antes de entrar e identificar possíveis necessidades de manutenção. Essas funcionalidades mostram como a conectividade deixou de ser apenas um recurso de entretenimento para se tornar parte da segurança e da utilização cotidiana. Criado em 1996, o OnStar, sistema de serviços conectados da General Motors, completa 30 anos em 2026 e prepara uma nova etapa baseada em inteligência artificial, redes 5G e veículos definidos por software. No Brasil desde 2015, a tecnologia já equipa mais de 90% dos Chevrolet novos, segundo a fabricante, e amplia sua atuação com um aplicativo redesenhado e recursos de gerenciamento inteligente de frotas.
Como o carro consegue pedir ajuda automaticamente após um acidente?
Uma das principais aplicações da conectividade automotiva está na resposta automática em caso de colisão, recurso desenvolvido para solicitar assistência quando o veículo identifica uma ocorrência compatível com os critérios de acionamento do sistema.
A tecnologia utiliza informações provenientes dos sistemas eletrônicos embarcados e da conexão de dados para estabelecer comunicação com a central de atendimento, permitindo que operadores avaliem a situação e encaminhem solicitações aos serviços de emergência, conforme a disponibilidade da rede e as condições do acidente.
Em 2025, os atendentes do OnStar responderam a mais de 500 mil chamadas de emergência no mundo, das quais quase 49 mil exigiram triagem para atendimento médico, policial ou de bombeiros. Na América do Sul, a Chevrolet informa que a plataforma registra ao menos um atendimento diário relacionado à resposta automática em acidentes e emergências.
A assistência não se limita às colisões: o ecossistema também oferece suporte em situações de pane e auxílio na recuperação de veículos, dependendo do modelo, da assinatura e dos serviços disponíveis em cada mercado.
Inteligência artificial promete atendimento mais rápido e personalizado
A próxima evolução dos veículos conectados envolve a integração entre inteligência artificial, computação em nuvem, redes 5G e software embarcado.
A proposta é permitir que o sistema interprete informações sobre a utilização do automóvel e ofereça respostas mais adequadas às necessidades do motorista, sem depender exclusivamente de comandos previamente definidos.
A GM está ampliando o uso de inteligência artificial nas centrais de atendimento, procurando reduzir o tempo necessário para localizar informações e auxiliar os operadores humanos.
Em uma emergência, essa combinação pode ser especialmente importante. Entretanto, a IA não substitui automaticamente a avaliação humana nem garante atendimento imediato, já que o resultado depende da conectividade, da disponibilidade dos serviços e dos protocolos operacionais.
Aplicativo permite controlar funções do carro à distância
O novo myChevrolet, apresentado com interface redesenhada, amplia a integração entre smartphone e automóvel.
Conforme o veículo e os serviços contratados, o motorista pode travar e destravar portas, acionar a partida remotamente, preparar a climatização e consultar informações de funcionamento.
Nos modelos elétricos compatíveis, o aplicativo também permite acompanhar o estado de carga da bateria e informações relacionadas ao planejamento das viagens.
A utilização desses recursos já é significativa: em 2025, o ecossistema registrou mais de 15 milhões de comandos remotos no Brasil, segundo a GM.
É importante observar que a disponibilidade das funções depende da arquitetura eletrônica do veículo, da conexão de dados e dos serviços habilitados. Nem todos os automóveis equipados com a plataforma oferecem necessariamente os mesmos comandos.
Wi-Fi nativo conecta até sete dispositivos
Outra funcionalidade é o Wi-Fi integrado ao veículo, que utiliza um módulo de comunicação próprio e antena embarcada para distribuir a conexão aos ocupantes.
O sistema permite conectar até sete dispositivos simultaneamente, sem depender do compartilhamento de internet do smartphone do motorista.
A vantagem potencial está na integração da antena à arquitetura do automóvel, embora a qualidade do sinal continue dependendo da cobertura da operadora e das condições da rede.
O Wi-Fi embarcado também utiliza um serviço de dados específico, sujeito às condições do plano contratado.
Atualizações remotas podem melhorar o carro após a compra
A conectividade também permite realizar determinadas atualizações remotas de software, conhecidas como OTA (Over-the-Air).
Com essa tecnologia, fabricantes podem distribuir correções e melhorias para sistemas eletrônicos compatíveis, sem exigir uma visita à concessionária para toda atualização.
O recurso acompanha a evolução dos veículos definidos por software (SDVs), nos quais funções digitais passam a desempenhar papel cada vez mais importante no funcionamento e na experiência de utilização.
Entretanto, nem todas as funcionalidades podem ser atualizadas remotamente, e a instalação de determinados recursos ainda pode depender de componentes físicos ou intervenções técnicas.
Gestão de frotas ganha recursos de inteligência artificial
A conectividade também está sendo ampliada para empresas que utilizam automóveis e veículos comerciais em suas operações.
O OnStar Fleet Intelligence reúne informações de telemetria para ajudar gestores a acompanhar utilização, consumo de combustível e indicadores operacionais.
Com o OnStar Fleet AI Assistant, a proposta é permitir consultas em linguagem natural, como identificar quais veículos ficaram mais tempo em marcha lenta ou quais apresentam maior utilização.
Já o Fleet Insights procura transformar dados de diferentes veículos, rotas e motoristas em informações que apoiem decisões sobre produtividade e eficiência.
A solução está disponível inicialmente para clientes selecionados nos Estados Unidos, com expansão gradual prevista para a América do Sul em 2027.
Trinta anos de evolução da conectividade automotiva
O OnStar surgiu em 1996, nos Estados Unidos, inicialmente associado a veículos Cadillac e Chevrolet, com o conhecido botão azul para solicitar atendimento.
No Brasil, a plataforma estreou em 2015, com o Chevrolet Cruze, e passou a incorporar novas funcionalidades conforme a evolução dos sistemas eletrônicos.
Atualmente, segundo a GM, são mais de 12 milhões de assinantes em 22 mercados, além de 1,4 milhão de veículos conectados na América do Sul.
O sistema também alcançou 95% de satisfação entre os clientes que experimentaram a tecnologia, de acordo com indicador divulgado pela fabricante.
Esses números mostram a expansão dos serviços conectados, embora quantidade de assinantes, veículos conectados e usuários ativos de funcionalidades específicas sejam indicadores diferentes.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A evolução do OnStar demonstra uma mudança importante na engenharia automotiva: o automóvel deixou de funcionar apenas como um conjunto mecânico e eletrônico isolado e passou a integrar uma rede permanente de informações e serviços.
A resposta automática em acidentes é uma das aplicações mais relevantes porque combina dados dos sistemas embarcados, comunicação e atendimento especializado. Entretanto, sua eficácia depende da capacidade de transmitir informações corretamente e da integração com os procedimentos de emergência.
Os comandos remotos e as atualizações de software ampliam a praticidade, mas também exigem atenção à segurança cibernética e à proteção dos dados pessoais. Quanto maior a conectividade, maior a necessidade de autenticação, gerenciamento de permissões e proteção das comunicações.
A utilização de inteligência artificial acrescenta novas possibilidades, especialmente na interpretação de informações e no atendimento. Porém, sistemas preditivos precisam demonstrar confiabilidade e transparência, evitando que alertas incorretos ou conclusões inadequadas comprometam a experiência do usuário.
Na gestão de frotas, o principal benefício está na transformação de dados em decisões. Informações de consumo, marcha lenta e utilização dos veículos podem contribuir para reduzir desperdícios e melhorar o planejamento, desde que sejam interpretadas dentro das condições reais de operação.
O avanço mais importante da conectividade não está na quantidade de funções disponíveis, mas na capacidade de entregar benefícios concretos em segurança, manutenção e facilidade de utilização. A tecnologia ganha valor quando consegue antecipar necessidades, simplificar operações e oferecer assistência confiável nos momentos em que o motorista realmente precisa.
Para acompanhar segurança automotiva, inteligência artificial, carros conectados e tecnologias de assistência, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 1996 – Ano de criação do OnStar nos Estados Unidos.
- 2015 – Estreia da plataforma no Brasil, com o Chevrolet Cruze.
- 12 milhões – Número superior de assinantes informado pela GM em 22 mercados.
- 1,4 milhão – Veículos conectados na América do Sul.
- 500 mil chamadas – Volume superior de atendimentos globais de emergência registrado em 2025.
- 15 milhões – Quantidade superior de comandos remotos realizados no Brasil em 2025.
- 2027 – Previsão de ampliação gradual dos serviços de inteligência para frotas na América do Sul.
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- Telemetria – Tecnologia que permite coletar e transmitir informações sobre o funcionamento e a utilização de um veículo.
- OTA (Over-the-Air) – Atualização de software realizada remotamente por meio de uma conexão de dados.
- SDV (Software-Defined Vehicle) – Veículo com arquitetura eletrônica que permite controlar e atualizar diferentes funcionalidades por software.
- Inteligência artificial preditiva – Aplicação de modelos computacionais para identificar padrões e estimar necessidades ou situações futuras a partir de dados disponíveis.


