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Carros a gasolina terão tecnologia dos elétricos: GM anuncia computador 40 vezes mais potente

Nova arquitetura eletrônica promete reduzir em 30% a fiação dos veículos, ampliar atualizações remotas e levar inteligência artificial e recursos avançados de condução também aos modelos a combustão.

A próxima grande transformação dos automóveis não estará necessariamente no motor, mas no computador responsável por controlar suas funções. Tecnologias que ganharam destaque nos carros elétricos, como atualizações remotas, inteligência artificial e sistemas avançados de assistência à condução, também passarão a equipar veículos a gasolina. A General Motors anunciou uma nova arquitetura eletrônica centralizada, capaz de oferecer 40 vezes mais poder de processamento, reduzir em 30% a quantidade de fiação e ampliar a velocidade de conectividade em até 50%. A estreia está prevista para o Cadillac Escalade IQ 2028, com expansão posterior para SUVs, picapes e automóveis de diferentes motorizações. A estratégia mostra que o conceito de veículo definido por software não depende exclusivamente da eletrificação.

Por que os automóveis modernos precisam de tantos computadores?

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Um veículo atual possui dezenas de unidades de controle eletrônico (ECUs), responsáveis por sistemas como motor, transmissão, freios ABS, airbags, climatização e recursos de assistência ao motorista.

Tradicionalmente, esses computadores são distribuídos pela carroceria e conectados por redes de comunicação e chicotes elétricos.

Essa arquitetura funciona, mas apresenta desafios. A quantidade de módulos, conexões e programas específicos aumenta a complexidade de fabricação, manutenção e atualização dos sistemas.

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Para modificar determinadas funcionalidades, pode ser necessário atualizar diferentes unidades eletrônicas, nem sempre desenvolvidas pelo mesmo fornecedor.

É nesse ponto que surge o conceito de veículo definido por software (SDV), no qual uma arquitetura digital integrada permite controlar, coordenar e atualizar mais funções ao longo da vida útil do automóvel.

GM aposta em uma unidade central para integrar os sistemas

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A General Motors apresentou uma Unidade Central de Computação (CCU), projetada para reunir o processamento de funções anteriormente distribuídas por diferentes computadores.

O sistema integrará atividades relacionadas à propulsão, controle do chassi, segurança ativa, percepção do ambiente e inteligência artificial embarcada.

Segundo a fabricante, a nova arquitetura proporcionará três avanços importantes:

  • 40 vezes mais capacidade de processamento em relação aos sistemas anteriores.
  • 30% menos massa e comprimento de fiação, reduzindo parte da complexidade elétrica.
  • Conectividade celular até 50% mais rápida, favorecendo serviços conectados e downloads.

Isso não significa eliminar todos os computadores do veículo. Controladores locais, sensores e sistemas de segurança continuarão necessários, mas poderão trabalhar de maneira mais integrada.

A tecnologia também exigirá gerenciamento térmico, proteção cibernética e mecanismos para preservar funções essenciais diante de falhas.

A mesma arquitetura estará em carros elétricos e a gasolina

O diferencial da estratégia é permitir que automóveis com motores a combustão e veículos elétricos utilizem uma base eletrônica compartilhada.

Após a estreia no Cadillac Escalade IQ 2028, a GM pretende expandir o sistema para SUVs grandes, picapes, crossovers de três fileiras e futuros elétricos de quarta geração.

Entre as famílias contempladas pelo planejamento estão veículos de grande volume comercial, como os derivados da linha Chevrolet Silverado.

A padronização poderá reduzir a necessidade de desenvolver sistemas digitais diferentes para cada plataforma.

Para o consumidor, isso abre caminho para que um automóvel a gasolina receba funcionalidades digitais semelhantes às de um elétrico moderno, respeitando os equipamentos instalados e as limitações de cada modelo.

Atualizações poderão acrescentar funções depois da compra

Uma das principais vantagens dos veículos definidos por software está na possibilidade de distribuir atualizações OTA (Over-the-Air), sem exigir uma visita à oficina para toda intervenção digital.

Essas atualizações podem corrigir falhas, melhorar interfaces e ajustar funcionalidades eletrônicas compatíveis.

Recursos como monitoramento por câmeras, modos especiais de climatização e controles mais avançados pelo aplicativo ilustram as possibilidades dessa abordagem, já explorada por fabricantes como Tesla e Rivian.

Entretanto, nem toda função poderá ser acrescentada por software. A presença dos sensores, módulos eletrônicos e atuadores necessários continuará determinando o que cada veículo poderá executar.

A atualização também precisa seguir procedimentos de validação para evitar que modificações comprometam funções críticas de segurança.

Inteligência artificial e direção automatizada exigem processamento

A nova arquitetura será utilizada para ampliar aplicações como o OnStar AI, assistente desenvolvido pela GM para interpretar comandos em linguagem natural e fornecer informações relacionadas ao automóvel.

Outro objetivo é sustentar sistemas mais avançados de condução automatizada.

A GM prevê introduzir direção autônoma em rodovias no Cadillac Escalade IQ em 2028, com expansão planejada para outras linhas.

Entretanto, maior poder computacional não significa, por si só, que o carro seja autônomo. A tecnologia depende de sensores, redundância, validação e aprovação regulatória.

Os recursos de assistência atualmente disponíveis também continuam exigindo a atenção do motorista, conforme suas condições de operação.

Padronização pode reduzir custos de desenvolvimento

Ao utilizar uma mesma arquitetura eletrônica em diferentes modelos, a fabricante poderá distribuir os custos de software por uma quantidade maior de veículos.

Essa estratégia é importante porque desenvolver, testar e manter sistemas digitais representa uma parcela crescente do investimento das montadoras.

A possibilidade de compartilhar ferramentas e programas entre SUVs, picapes e elétricos pode acelerar o desenvolvimento de funcionalidades e simplificar futuras atualizações.

Entretanto, a centralização também cria novas exigências: falhas de software, incompatibilidades e vulnerabilidades de segurança precisam ser administradas com rigor, principalmente quando diferentes funções dependem da mesma plataforma computacional.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A evolução dos veículos definidos por software demonstra que a arquitetura eletrônica está se tornando tão importante quanto a mecânica na concepção de um automóvel moderno.

Nos projetos tradicionais, cada sistema possui controladores e programas específicos. A centralização permite integrar parte dessas funções, mas exige atenção à separação das tarefas críticas e à capacidade de manter o veículo seguro em caso de falha.

A redução de 30% na fiação anunciada pela GM também merece destaque. Menos cabos podem significar redução de massa, menor complexidade de montagem e simplificação de determinados processos de manutenção, embora o diagnóstico de falhas eletrônicas passe a exigir ferramentas e conhecimentos especializados.

Outro benefício potencial está nas atualizações remotas. Um automóvel poderá receber melhorias digitais ao longo de sua utilização, mas isso não substitui manutenções físicas nem garante que todo recurso novo seja disponibilizado gratuitamente.

A decisão de compartilhar a arquitetura entre elétricos e modelos a gasolina é especialmente relevante. A evolução do software deixa de estar vinculada ao tipo de propulsão, permitindo que tecnologias de conectividade e assistência cheguem a diferentes segmentos.

O desafio da GM será transformar maior capacidade de processamento em benefícios realmente perceptíveis para o motorista. Rapidez das interfaces, confiabilidade, atualizações úteis e segurança digital serão indicadores mais importantes do que simplesmente multiplicar a potência dos computadores.

Para acompanhar eletrônica automotiva, General Motors, carros conectados, inteligência artificial e novas tecnologias, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

  • 2028 – Ano previsto para a estreia da nova arquitetura no Cadillac Escalade IQ.
  • 40 vezes – Aumento anunciado da capacidade de processamento.
  • 30% – Redução projetada de massa e comprimento da fiação.
  • 50% – Ganho máximo anunciado na velocidade de conectividade celular.
  • Motores a gasolina – Também serão contemplados pela arquitetura eletrônica.
  • OnStar AI – Assistente de inteligência artificial previsto para ampliar as interações com o veículo.
  • Atualizações OTA – Uma das funcionalidades favorecidas pela integração dos sistemas.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

  • ECU (Electronic Control Unit) – Computador responsável pelo controle eletrônico de funções específicas do automóvel.
  • SDV (Software-Defined Vehicle) – Veículo cuja arquitetura permite integrar, controlar e atualizar funcionalidades por software.
  • Computação centralizada – Organização eletrônica que concentra parte do processamento em unidades centrais de alto desempenho.
  • OTA (Over-the-Air) – Tecnologia utilizada para transmitir e instalar atualizações de software remotamente.
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