A Kia amplia a gama da Tasman no Brasil com a PGL, versão de R$ 319.990 que acrescenta um pacote abrangente de assistências à condução e equipamentos de conforto. A picape mantém o 2.2 turbodiesel de 210 cv e 45 kgfm, capacidade de carga superior a uma tonelada e chassi sobre longarinas. Pelo preço, passa a disputar diretamente consumidores de Hilux SRV, Ranger XLT V6, S10 LTZ e versões superiores da Mitsubishi Triton.
A Tasman PGL chega poucos meses depois da estreia da picape da Kia no Brasil e passa a ocupar o topo da gama.
Mecanicamente, ela mantém o conjunto da GL: 2.2 turbodiesel, câmbio automático de oito marchas e tração 4×4 com reduzida.
A grande mudança está na tecnologia. Por R$ 319.990, a PGL adiciona ADAS mais completo e equipamentos de conforto que aproximam a Tasman das versões superiores das principais picapes médias.
Motor 2.2 produz 210 cv
O Smartstream 2.2 turbodiesel de quatro cilindros desenvolve 210 cv e 45 kgfm, trabalhando com transmissão automática de oito marchas.
A tração oferece recursos específicos para fora do asfalto e diferentes modos de condução, incluindo configurações para neve, lama e areia.
No total, são sete possibilidades de configuração entre os modos destinados ao uso convencional e aqueles preparados para diferentes superfícies.
A Tasman utiliza construção body-on-frame, com carroceria apoiada sobre chassi, arquitetura tradicional entre picapes médias voltadas para trabalho e uso fora de estrada.
PGL traz o ADAS que faltava à GL
O principal argumento da nova versão é o pacote de segurança ativa.
A PGL incorpora controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, centralização e manutenção em faixa e monitoramento de ponto cego.
Há ainda prevenção de colisões envolvendo veículos, pedestres e ciclistas, assistência de saída segura e controle automático do farol alto.
Esse conteúdo é especialmente importante porque coloca a Tasman em uma disputa na qual ADAS passou a pesar tanto quanto potência e capacidade 4×4 nas configurações superiores.
Mais conforto dentro da cabine
A PGL também recebe banco do motorista com regulagens elétricas e ajuste lombar, revestimento em Altaica, sensor de chuva e retrovisor interno eletrocrômico.
Estribos, protetor de caçamba e iluminação em LED na área de carga também passam a integrar o pacote.
O painel digital de 12,3 polegadas se junta à central multimídia de mesmo tamanho e a uma tela de 5 polegadas dedicada à climatização.
Somadas, as telas chegam a 29,6 polegadas de área digital no painel.
Apple CarPlay e Android Auto são sem fio, e existem quatro conexões USB-C distribuídas pela cabine.
Uma das maiores da categoria
A Tasman mede 5,41 metros de comprimento, 1,93 metro de largura e possui 3,27 metros de entre-eixos.
Isso a torna ligeiramente mais comprida que a Ford Ranger, de aproximadamente 5,37 metros, e cerca de 8,5 centímetros maior que a Toyota Hilux.
O entre-eixos de 3,27 metros é equivalente ao da Ranger e supera os 3,085 metros da Hilux, ajudando a explicar os 915 mm de espaço informado para as pernas de quem viaja atrás.
É uma picape grande mesmo para os padrões da categoria, característica positiva para espaço interno, mas que exige atenção em garagens, vagas e manobras urbanas.
Mais de uma tonelada na caçamba
A caçamba tem 1.512 mm de comprimento, 1.572 mm de largura e 540 mm de profundidade, oferecendo 1.173 litros.
A capacidade útil chega a 1.007 kg, colocando a Tasman efetivamente dentro da faixa de uma tonelada esperada para picapes médias voltadas também ao trabalho.
A Kia informa ainda capacidade máxima de tração de até 6.200 kg, além de degraus integrados ao para-choque para facilitar o acesso à área de carga.
Análise Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A Tasman PGL chega a um dos segmentos mais difíceis do mercado brasileiro porque enfrenta concorrentes consolidados, consumidores extremamente fiéis e produtos tecnicamente muito competentes.
Seu preço de R$ 319.990 praticamente coincide com o de duas referências importantes: a Toyota Hilux SRV está na região de R$ 315 mil e a Ford Ranger XLT V6 pouco acima de R$ 315 mil.
Isso cria uma comparação interessante porque a Tasman oferece um pacote eletrônico bastante completo, mas não possui a maior potência ou torque desse grupo.
A Ranger XLT utiliza um 3.0 V6 turbodiesel de 250 cv e 60 kgfm, números claramente superiores aos 210 cv e 45 kgfm da Kia.
A Hilux utiliza o conhecido 2.8 turbodiesel de 204 cv e 50,9 kgfm, ficando abaixo da Tasman em potência, mas acima em torque.
A Chevrolet S10 também aparece muito próxima. A LTZ está na região dos R$ 334 mil, com motor 2.8 turbodiesel de 207 cv e 52 kgfm.
Na Mitsubishi, a Triton HPE-S gira em torno de R$ 300 mil, enquanto a Katana fica próxima dos R$ 325 mil, colocando novamente a Tasman dentro do coração da disputa.
Já a Volkswagen Amarok Highline custa consideravelmente mais, próxima dos R$ 377 mil, mas responde com o V6 3.0 de 258 cv e 59,1 kgfm.
Portanto, pela ficha mecânica, a Tasman não chega tentando ser a mais potente da categoria.
Seu argumento parece estar em outro ponto: espaço interno, capacidade de carga, tecnologia, ADAS e conforto para quem usa a picape também como automóvel familiar.
O entre-eixos de 3,27 metros e os 915 mm para as pernas no banco traseiro são especialmente importantes porque conforto atrás ainda é um ponto de atenção em muitas picapes médias.
Também considero positiva a capacidade de 1.007 kg, porque mostra que o maior refinamento da cabine não transformou a Tasman apenas em um veículo recreativo.
Existe, porém, uma comparação interna que merece atenção.
A Tasman GL está atualmente em R$ 249.990, enquanto a PGL custa R$ 319.990. São R$ 70 mil de diferença.
É um salto expressivo, e será justamente aí que o consumidor precisará avaliar quanto valor atribui ao ACC, centralização em faixa, prevenção de colisões, monitoramento de ponto cego, banco elétrico, painel digital e demais recursos adicionais.
Por outro lado, quando colocamos a PGL contra suas verdadeiras adversárias de preço, e não contra a GL, a situação muda.
Por aproximadamente R$ 320 mil, o consumidor já está olhando para Hilux SRV, Ranger XLT V6, Triton Katana e começando a se aproximar da S10 LTZ.
Nesse grupo, a Tasman precisa convencer não apenas pela lista de equipamentos, mas também por dirigibilidade, consumo, conforto da suspensão, custo de manutenção, rede e valor de revenda.
A garantia de cinco anos sem limite de quilometragem é um ponto importante principalmente para quem pretende rodar bastante.
O desafio comercial, porém, é enorme.
No acumulado de 2026 até setembro, a Hilux seguia líder entre as médias, com mais de 33 mil unidades, seguida por Ranger, com cerca de 27 mil, e S10, com aproximadamente 23 mil.
A Tasman começou a ser emplacada há pouco tempo e ainda possui volumes muito pequenos, portanto seria prematuro avaliar seu desempenho comercial pelos primeiros registros.
Sua tarefa neste momento é construir reconhecimento em um segmento no qual Toyota, Ford e Chevrolet já possuem décadas de relacionamento com produtores, empresas e consumidores particulares.
Ao mesmo tempo, a chegada de Triton renovada, GWM Poer P30, Ram Dakota e outros novos competidores mostra que esse mercado está ficando muito mais diversificado.
É nesse ambiente que a Tasman PGL tenta encontrar seu espaço: não como a picape de maior potência, mas como uma alternativa de grande porte, cabine espaçosa, uma tonelada de capacidade e tecnologia de assistência bastante completa por cerca de R$ 320 mil.
Para acompanhar avaliações, comparativos e comportamento das novas picapes no mercado brasileiro, siga @tarcisiomecanicaonline.
RETROVISOR MECÂNICA ONLINE® – ENTENDA O QUE ESTÁ POR TRÁS DA NOTÍCIA
Preço: Tasman PGL chega por R$ 319.990; a GL parte atualmente de R$ 249.990.
Motor: 2.2 turbodiesel entrega 210 cv e 45 kgfm.
Capacidade: caçamba tem 1.173 litros e carga útil de 1.007 kg.
Tamanho: são 5,41 metros de comprimento e 3,27 metros de entre-eixos.
Concorrência: pelo preço, entra diretamente na região de Hilux SRV, Ranger XLT V6, S10 LTZ e Triton Katana.
Mercado: Hilux, Ranger e S10 ainda dominam os emplacamentos das picapes médias, enquanto a Tasman inicia agora a construção de sua presença no segmento.
MECÂNICA ONLINE® — MECÂNICA DO JEITO QUE VOCÊ ENTENDE
Body-on-frame: construção em que carroceria e chassi são estruturas distintas, solução muito utilizada em picapes por favorecer robustez e capacidade de carga.
ADAS: conjunto de sistemas eletrônicos que auxilia o motorista em frenagens, controle de velocidade, permanência em faixa e monitoramento do entorno.
4×4 com reduzida: relação adicional da transmissão que multiplica a força disponível em baixa velocidade para enfrentar terrenos difíceis.
ACC: controle de cruzeiro adaptativo que ajusta automaticamente a velocidade para manter distância do veículo à frente.


