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Os remédios podem causar reações inesperadas nos motoristas

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Muitas vezes consumidos indiscriminadamente e sem acompanhamento médico, os medicamentos podem causar muito mais que efeitos colaterais.

Tudo bem que são drogas lícitas, mas também interferem no sistema nervoso, provocando alterações.

Para quem dirige, o consumo pode aumentar os riscos de acidentes de trânsito.

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Exagero? Não para a médica intensivista e especialista em medicina de tráfego e diretora da Abramet (Associação Brasileira de Acidente e Medicina de Tráfego), Ilham Taha.

Segundo ela, os remédios merecem atenção especial dos médicos e dos pacientes.

Normalmente, apenas os medicamentos controlados, principalmente os de tarja preta, recebem o alerta.

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“Sabemos que o erro humano causa, pelo menos, dois terços dos acidentes nas estradas. Qual seria a contribuição do uso de medicamentos como causa?”, questiona Ilham Taha, respondendo que os remédios devem estar contribuindo, “e muito”, através dos efeitos colaterais e da associação com outros medicamentos e suas interações.

“Associados a isso, temos também os sintomas de desconforto clínico da própria patologia que está sendo tratada”, continuou. Ela lembra que a pessoa em tratamento já está debilitada com a doença, que causa diminuição no reflexo e mal-estar.

Relação-A relação entre o consumo de medicamentos e os acidentes de trânsito foi pesquisada por Ilham Taha.

“Embora algumas pesquisas epidemiológicas possam mostrar que há aumento no risco de acidentes, com o uso de drogas ou em associação com o álcool, não podemos afirmar que esses sejam os causadores dos acidentes”, disse.

Mas ela chama a atenção para vários fatores, como a interação dos remédios com bebida alcoólica, alterando os efeitos da substância no organismo.

Ilham Taha alerta para o início do tratamento de qualquer doença, principalmente cardiopatias e diabetes.

Segundo ela, durante a fase de adaptação do medicamento, até se estabelecer a dosagem adequada a cada paciente, é preciso que o médico oriente o paciente a não dirigir. Apesar de muitas pessoas não se preocuparem com os efeitos, a médica cita alguns exemplos de substâncias.

“Os antigripais, na sua composição, contêm várias substâncias (um ou mais anti-histamínicos, analgésicos, sedativos de tosse, vasopressores, estimulantes etc). Desses componentes do mesmo grupo farmacológico, alguns têm mais ou menos efeitos colaterais”.

Estrada-Segundo Ilham Taha, a comunidade médica e as indústrias farmacêuticas já estão preocupadas com o problema da interferência do medicamento nos acidentes.

“E a tendência é de serem desenvolvidas drogas com menos efeitos colaterais”, afirmou.

Mesmo assim, ela alerta que motoristas que vão pegar uma estrada ou fazer um percurso grande não devem ingerir medicamentos.

“É preciso também levar em conta que motoristas profissionais passam a maior tempo ao volante e, portanto, sua exposição ao efeito da medicação é maior. Principalmente em motoristas inexperientes, uma vez que as drogas pioram os reflexos, que neles já são menores”.

Substâncias que interferem na direção-Antigripais – contêm, na sua composição, várias substâncias (anti-histamínicos, analgésicos, sedativos de tosse, vasopressores, estimulantes etc.) e podem ter como efeitos colaterais nervosismo, agitação e taquicardia.

Cloridrato de fenilefrina (vasopressor) – tem estimulação no sistema nervoso central.

Cloridrato de fenilpropanolamina (vasopressor) – pode levar à ansiedade, tremor, excitabilidade, insônia e arritmia.

Anti-histamínicos – têm como efeito colateral a neurodepressão (sedação, sonolência e depressão).

Cafeína – também pode ser encontrada nos antigripais e é estimulante do sistema nervoso central, tendo como reação o nervosismo, agitação, taquicardia etc.

Antiinflamatórios – usados indiscriminadamente, podem causar sonolência, tontura etc.

Corticosteróides – podem provocar alterações neurológicas (cefaléia e vertigem) e distúrbios psíquicos (alteração de humor, mudança de personalidade, depressão etc).

Antieméticos – combatem enjôos e podem levar à neurodepressão (sonolência e depressão).

Antiespasmódicos – combatem cólicas e podem ter como efeito colateral a acomodação visual e a irritabilidade.

Cinarizina – combate a enxaqueca e pode provocar neurodepressão (sonolência e depressão).

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