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Crise na indústria crise na indústria automobilística afeta setor de pneus

A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) divulga o balanço setorial de janeiro a maio de 2016.
Segundo a associação, o volume de vendas de pneus, em unidade, teve queda de 2,6% em relação ao mesmo período de 2015, com destaque para queda nos segmentos de pneu industrial (-47,2%), duas rodas (-13,3) e agrícola (-11,1%).

“Os resultados negativos são reflexos devido à crise econômica na qual o país se encontra. A queda do ritmo produtivo está diretamente relacionada com a redução da demanda desses mercados”, avalia Alberto Mayer, Presidente da ANIP.
De janeiro a maio deste ano, a balança comercial dos fabricantes nacionais de pneus manteve o superávit de U$S 337,35 milhões, com um saldo de 4,23 milhões de unidades de pneus (exportações menos importações).

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Comparando os cinco primeiros meses de 2016 com o mesmo período de 2015, temos:
Montadoras – O acumulado de janeiro a maio de 2016 foi marcado pela queda nas vendas para montadoras em todos os segmentos, em unidades de pneus: Industriais (-74,1%), OTR (-44,7%),
Duas Rodas (-38,4%), Carga (-34,1%), Agrícola (-28,4%), Passeio (-20,7%) e Camioneta (-5,3%). O resultado reflete a queda do ritmo produtivo do setor automotivo industrial.
Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a produção de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus recuou 18% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2015.

Já no acumulado do ano, o recuo se agrava, com volume 24,3% menor do que o que saiu das fábricas entre janeiro e maio de 2015.
O gráfico abaixo traz a média móvel, sem os efeitos da sazonalidade, a movimentação das vendas dos pneus para as montadoras no período de janeiro de 2011 até abril de 2016.

Mercado de Reposição – O desempenho das vendas para o mercado de reposição se transformou em um ponto de atenção para a indústria nacional de pneus em 2016. No acumulado de janeiro a maio, o setor fechou o período com retração de 2,2%, destaque para a queda de vendas de pneus de duas rodas (-13,8%).

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Essa porcentagem representa cerca de 413,8 mil pneus que deixaram de ser comercializados só nesse período.

“Este é um dado preocupante, pois indica que o consumidor está deixando de realizar a manutenção de um item essencial de segurança. A atenção é maior na queda expressiva nas vendas de pneus duas rodas onde o papel de segurança do pneu é fundamental e prolongar a vida útil do pneu pode ser fatal”, destaca Mayer.

Exportações – Em relação às exportações, o resultado das vendas de pneus para o mercado externo entre dezembro de 2010 e maio de 2016, destacado no gráfico abaixo, começou a se restabelecer ao final do segundo semestre do ano passado e fechou o acumulado de janeiro até maio deste ano com crescimento de 22,6%, em relação ao mesmo período de 2015.

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Destaque para o mercado de pneus de passeios que exportou cerca de 2,3 milhões de unidades, o que representa um aumento de 44,9%, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Contudo, essa retomada do segmento está longe de recuperar o fôlego das exportações de dezembro de 2010. O setor depende da restauração do Reintegra para poder ser competitivo.

A desvalorização cambial, que auxilia a balança comercial seja pelo menor volume nas importações, seja pelo aumento nas exportações, na verdade mascara a baixa competitividade do produto nacional.

No caso dos pneus, como grande parte dos insumos para fabricação deles seja importada (com alta incidência de impostos de importação), esta vantagem é em parte neutralizada. Mesmo assim, determinou um crescimento nas exportações, inclusive graças aos esforços dos fabricantes em aumentar as vendas no exterior.
Contudo, segundo Mayer, esta melhora de competitividade é efêmera, pois o mecanismo do câmbio é muito usado principalmente por países asiáticos e na própria China como fator de facilitação comercial.

“O que precisamos para alavancar o setor são políticas mais justas e que melhorem a competitividade do produto brasileiro no exterior, uma vez que a concorrência no mercado global de pneus é muito acirrada. Melhorar as infraestruturas e rever a carga tributária já melhorariam muito o Custo Brasil inerente ao produto nacional”, afirma Mayer.

Livro Branco – A necessidade de adoção de políticas que aumentem a competitividade do setor de pneus levou a ANIP a lançar o documento Livro Branco da Indústria de Pneus, que contém propostas para alavancar o crescimento do setor, como a redução do custo logístico, desoneração do processo de logística reversa, melhor acesso a insumos essenciais para a produção de pneus, estímulos à exportação, implantação de margem de preferência para a indústria nacional nas compras públicas, entre outras.

O documento está disponível no site da ANIP (www.anip.org.br).

Até maio de 2016, a Reciclanip coletou e destinou de forma ambientalmente correta mais de 190 mil toneladas de pneus inservíveis, quantia que equivale a 38,0 milhões de unidades de pneus de carros de passeio.

Desde 1999, quando começou a coleta pelos fabricantes, 3,7 milhões de toneladas de pneus inservíveis foram coletados e destinados adequadamente, o equivalente a 744 milhões de pneus de carro de passeio.

Desde então, os fabricantes de pneus já investiram R$ 846,5 milhões no programa até abril de 2016.
“A previsão inicial de investimento para 2016 é de R$ 114,8 milhões, valor superior ao investido no ano passado. Mesmo assim temos dificuldades em ficar neste parâmetro pois, com o agravamento da crise econômica, há menores opções de destinação, principalmente no Norte e Nordeste do país, com o fechamento ou redução das atividades de cimenteiras, obrigando a custos logísticos superiores às estimativas e encarecendo toda a Logística Reversa. Os recursos são utilizados para os gastos logísticos, que hoje representam mais de 60% dos nosscustos, e também para as destinações. A Reciclanip, atualmente, tem mais de 1.000 pontos de coleta e uma média de 90 caminhões transitando diariamente, todos os dias do ano. Toda essa complexa operação logística é comandada pela Reciclanip, que já tem experiência acumulada desde 1999, quando começou a coleta pelos fabricantes”, explica Alberto Mayer.

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