A Volvo Trucks apresentou oficialmente sua nova plataforma global de motores de combustão interna de 13 litros, desenvolvida para operar com combustíveis renováveis e futuras aplicações a hidrogênio. A nova geração promete redução de até 4% no consumo de combustível, maior eficiência térmica, níveis mais baixos de ruído e aumento significativo de torque. Os motores serão oferecidos nas linhas FH, FH Aero, FM e FMX a partir do terceiro trimestre de 2026, reforçando a estratégia da marca de combinar eletrificação com combustão renovável para acelerar a descarbonização do transporte pesado.
A Volvo Trucks iniciou uma nova etapa tecnológica no transporte pesado global com o lançamento de sua inédita plataforma de motores de combustão de 13 litros.
A fabricante sueca aposta em uma estratégia diferente da eletrificação total imediata, defendendo que motores térmicos altamente eficientes ainda terão papel fundamental na transição energética das próximas décadas.
Os novos propulsores foram desenvolvidos para operar com combustíveis renováveis como biodiesel B100, HVO, biogás e bio-GNL, além de futuras aplicações utilizando hidrogênio verde.
A nova arquitetura marca uma profunda reformulação da engenharia de motores pesados da Volvo.
Segundo a fabricante, trata-se da plataforma de combustão mais eficiente já produzida pela empresa em termos de consumo de combustível.
Na prática, a nova geração entrega redução de até 4% no consumo em comparação ao motor anterior.
Embora o percentual pareça pequeno à primeira vista, no setor de transporte pesado essa diferença representa enorme impacto operacional.
Em caminhões rodoviários que percorrem centenas de milhares de quilômetros por ano, qualquer redução de consumo gera economia significativa de combustível e emissões.
Do ponto de vista técnico, a Volvo trabalhou fortemente na otimização da eficiência térmica do motor.
Isso inclui novos desenhos internos de cilindros, melhorias no gerenciamento da combustão e turbocompressores redesenhados.
A engenharia também atualizou a transmissão I-Shift, um dos sistemas automatizados mais reconhecidos do segmento pesado mundial.
O conjunto passou a trabalhar de forma integrada com recursos eletrônicos avançados para reduzir desperdícios energéticos.
Entre as tecnologias mais importantes está o sistema I-Roll.
Ele permite desacoplar momentaneamente o trem de força em descidas, reduzindo o arrasto mecânico e aproveitando melhor a inércia do veículo.
Agora, o sistema também incorpora função start/stop do motor em determinadas situações operacionais.
Na prática, isso significa que o caminhão pode desligar automaticamente o motor em momentos específicos para reduzir consumo e emissões.
Outro avanço importante está no aumento expressivo de torque.
O novo motor diesel D13 será oferecido com potência entre 380 cv e 560 cv, entregando torque de até 2.900 Nm.
Já a versão a gás G13 trabalhará com potência entre 420 cv e 500 cv, alcançando até 2.800 Nm.
Esses números mostram como os motores movidos a combustíveis alternativos estão se aproximando rapidamente da capacidade operacional dos propulsores diesel tradicionais.
Na condução prática, o aumento de torque melhora retomadas, arrancadas em aclives e capacidade de transporte em operações severas.
A Volvo também trabalhou na redução dos níveis de NVH (Noise, Vibration and Harshness).
Isso significa menor ruído, vibração e aspereza durante a operação.
Em caminhões modernos, esse aspecto influencia diretamente conforto operacional, fadiga do motorista e percepção geral de refinamento mecânico.
Os novos motores também já atendem às futuras exigências da legislação europeia NNR3, relacionada à emissão sonora.
Essa antecipação regulatória permite maior longevidade comercial da plataforma global.
Outro aspecto estratégico é a preparação estrutural para aplicações movidas a hidrogênio.
A Volvo já realiza testes públicos com motores de combustão interna alimentados por hidrogênio verde.
Diferentemente das células de combustível, esse sistema utiliza arquitetura semelhante aos motores convencionais.
A diferença está no combustível utilizado e na calibração específica do processo de combustão.
Isso reduz drasticamente as emissões de carbono sem abandonar completamente a mecânica tradicional conhecida pelas transportadoras.
A fabricante sueca acredita que essa abordagem facilitará a transição energética em mercados onde infraestrutura elétrica ainda é limitada.
O hidrogênio verde aparece como uma das apostas mais relevantes para aplicações de longa distância e operações severas.
Ao mesmo tempo, combustíveis renováveis líquidos e gasosos funcionam como solução imediata para redução das emissões.
A estratégia também preserva parte da cadeia industrial já existente no transporte pesado mundial.
A nova plataforma será utilizada inicialmente nos modelos Volvo FH, FH Aero, FM e FMX.
A produção dos motores ocorrerá em Skövde, na Suécia.
Já a montagem dos caminhões será realizada em Tuve, também na Suécia, e em Ghent, na Bélgica.
As vendas começam no terceiro trimestre de 2026.
Inicialmente, os motores serão comercializados na Europa, Turquia, Marrocos e Índia.
Posteriormente, chegarão aos mercados da América do Norte, Ásia e África do Sul.
A Volvo deixa claro que não pretende abandonar os motores de combustão rapidamente.
Ao contrário de algumas estratégias mais radicais de eletrificação total, a marca aposta em coexistência tecnológica.
Isso acontece porque infraestrutura energética global ainda apresenta diferenças profundas entre regiões.
Enquanto alguns países avançam rapidamente na eletrificação, outros ainda dependem fortemente de combustíveis líquidos.
Nesse contexto, motores flexíveis preparados para combustíveis renováveis tornam-se fundamentais para acelerar a redução de emissões sem comprometer operações logísticas.
“A Volvo entendeu que o futuro do transporte pesado será híbrido em termos tecnológicos. Não existe solução única para descarbonizar caminhões globais. A combinação entre eletrificação, biocombustíveis e hidrogênio é hoje o caminho mais realista para reduzir emissões sem sacrificar produtividade operacional”, afirma Tarcisio Dias, editor do Mecânica Online®.
A nova geração de motores mostra como a engenharia de combustão ainda possui espaço relevante para evolução técnica.
Mesmo diante do avanço dos veículos elétricos, motores térmicos continuam recebendo investimentos pesados em eficiência energética, redução de emissões e integração eletrônica.
No transporte pesado, onde autonomia, capacidade de carga e disponibilidade operacional são críticos, essa evolução ainda será decisiva durante muitos anos.
• Nova plataforma global de motores com 13 litros
• Redução de até 4% no consumo de combustível
• Compatibilidade com biodiesel, HVO, biogás e hidrogênio
• Motor D13 terá até 560 cv e 2.900 Nm
• Motor G13 a gás terá até 500 cv e 2.800 Nm
• Transmissão I-Shift recebeu atualização eletrônica
• Sistema I-Roll reduz perdas energéticas em descidas
• Motores atendem futura legislação europeia NNR3
• Produção ocorrerá na Suécia e Bélgica
• Lançamento comercial começa no terceiro trimestre de 2026
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I-Roll – Sistema eletrônico que desacopla temporariamente o trem de força para reduzir consumo de combustível em descidas.
Eficiência térmica – Capacidade do motor de transformar combustível em energia útil com menores perdas em calor.
HVO – Combustível renovável produzido a partir de óleo vegetal tratado quimicamente para substituir o diesel convencional.

