Toyota, Audi, Volkswagen e Polestar abandonaram os botões físicos em seus carros e agora correm para trazê-los de volta, depois que os próprios compradores deixaram claro que os querem. A BMW, porém, segue na direção oposta: a marca está decidida a eliminar ainda mais botões dos seus interiores, e diz ter um motivo específico para isso.
O debate entre tela e botão físico parece simples, mas envolve segurança, hábito de uso e até geração de consumidor — encontrar um comando às cegas, sem tirar os olhos da estrada, é justamente o que um botão físico permite e uma tela sensível ao toque dificulta. É esse o pano de fundo da aposta contrária da BMW.
No interior do BMW iX3, praticamente não há controles físicos: um botão no apoio de braço para alternar entre marcha à frente e ré, um botão de pisca-alerta e outro para o freio de estacionamento. Todo o resto fica na tela.
Segundo Vikram Pawah, CEO do BMW Group Austrália, em entrevista ao site australiano CarExpert, entender por que essa mudança acontece ajuda a compreender também o que vem pela frente — segundo ele, um carro não deve ser visto isoladamente, mas como parte do que acontece ao redor, na sociedade.
Pawah afirmou que a empresa observa aumento no número de pessoas que preferem o toque em vez dos botões, possivelmente uma questão geracional, já que clientes mais jovens estariam acostumados a interagir com voz e toque em ritmo mais acelerado. Segundo ele, o mundo está em constante evolução, e a BMW precisa acompanhar esse ritmo — embora reconheça que mudança nunca é fácil.
Leanne Blanckenberg, chefe de comunicação da BMW Austrália, lembrou o histórico do controlador iDrive, lançado em 2001: a reação inicial do mercado foi de resistência, mas hoje praticamente todo carro tem algum sistema equivalente.
Vale um contraponto: fora a Mazda, os controladores rotativos no estilo iDrive nunca pegaram de fato como padrão entre outras montadoras — quando pegaram, foi como opção alternativa, não como controle principal.
A decisão da BMW, porém, pode esbarrar em algo além da preferência do consumidor: governos estão discutindo exigir o retorno de controles convencionais para funções importantes. A China, que já sinaliza volta das maçanetas físicas, prepara regras exigindo controle físico para 19 funções diferentes.
Compradores de outras marcas também têm cobrado o retorno dos botões. Segundo Michael Lohscheller, CEO da Polestar, os próprios clientes têm sido bastante diretos sobre isso. A Toyota reduziu o número de botões no RAV4 mais recente, mas segue aberta a ajustes conforme o retorno do público.
A Audi já confirmou o retorno de botões físicos por conta do feedback dos clientes. O CEO da marca Volkswagen, Thomas Schäfer, foi direto ao afirmar que a marca vai trazer de volta botões e nomes reais, para carros que possam ser entendidos de imediato — chamando essa decisão de inegociável.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – É revelador que a própria BMW tenha mantido botões físicos justamente nas funções mais críticas de segurança: pisca-alerta, freio de estacionamento e seletor de marcha.
Isso mostra que, na prática, até a própria marca reconhece que certas funções precisam de acesso tátil imediato, mesmo defendendo publicamente a filosofia de interface por toque para o restante do carro.
O argumento geracional da BMW é só uma hipótese entre várias, e a reação do mercado sugere que não é unânime nem entre o público mais jovem — Audi, Volkswagen e Toyota estão revertendo decisões parecidas justamente por pressão direta de clientes.
A movimentação regulatória da China, exigindo controle físico para 19 funções, pode se tornar o fator decisivo, mais do que qualquer preferência declarada de consumidor: se a exigência avançar, montadoras vendendo naquele mercado precisarão adaptar interiores independentemente de filosofia de marca.
Vale registrar que a comparação entre o controlador rotativo original da BMW e as telas atuais trata de propostas de interface bem diferentes — abandonar um controlador físico complexo por uma tela não é o mesmo debate que eliminar botões simples e de uso frequente, como ar-condicionado ou vidros.
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Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
BMW iX3 quase sem botões físicos: restam apenas seletor de marcha, pisca-alerta e freio de estacionamento fora da tela.
Argumento geracional da BMW: a marca aposta que compradores mais jovens preferem toque e comando de voz aos botões.
China pode exigir 19 funções com controle físico: novas regras em discussão no país miram segurança e usabilidade.
Polestar reconhece pressão dos clientes: consumidores têm pedido abertamente o retorno de botões físicos.
Toyota reduziu botões no RAV4, mas está aberta a mudar: a marca japonesa monitora o retorno dos compradores.
Audi e Volkswagen recuam: ambas confirmaram o retorno de botões físicos e nomenclatura tradicional nos próximos modelos.
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Controle físico (tátil): botão, manete ou interruptor que pode ser operado sem necessidade de olhar para ele, ao contrário de comandos em tela sensível ao toque.
iDrive: sistema de controle multimídia da BMW, lançado em 2001, inicialmente operado por um seletor rotativo central, hoje evoluído para interfaces majoritariamente por tela.
Distração visual ao volante: desvio da atenção do motorista da via para operar um comando do carro, considerado fator de risco em pesquisas de segurança veicular, especialmente relevante em comandos por toque.
Interface homem-máquina (HMI) automotiva: conjunto de telas, botões, comandos de voz e outros elementos que permitem a interação entre motorista e os sistemas do veículo.


