O biometano consolidou-se como uma solução madura e custo-eficiente para a descarbonização do transporte terrestre pesado em escala global, segundo o estudo internacional Biomethane for Transport Decarbonization, encomendado pelo Instituto MBCBrasil.
Desenvolvido por pesquisadores de referência como a professora Gláucia Mendes Souza (USP), o relatório aponta que o combustível reduz emissões em até 75% — podendo atingir balanço negativo quando elimina emissões fugitivas de metano — e já é produzido em cerca de 40 países. Afinal, quais são os diferenciais estratégicos que colocam o Brasil em posição de destaque nessa rota tecnológica?
A principal vantagem brasileira reside na abundância de matérias-primas agroindustriais, com destaque para o setor sucroenergético, cujo potencial de biometano a partir da vinhaça é estimado em 41,4 bilhões de m³ anuais. O país não se limita a produzir o combustível; a indústria nacional acumulou know-how na fabricação de biodigestores de alta eficiência, purificação de gás e logística em biometano líquido (bio-LNG), transformando-se em um polo exportador de tecnologia e engenharia para mercados emergentes da América Latina, Ásia e África.
Do ponto de vista econômico, simulações de Custo Total de Propriedade (TCO) indicam que o biometano no Brasil apresenta custos por quilômetro rodado competitivos, variando de -30% a +25% em comparação ao diesel. Esse modelo de negócio é impulsionado por uma estrutura de biorrefinaria, onde plantas geram receitas adicionais que variam de 20% a 60% por meio do tratamento de resíduos, comercialização de biofertilizantes e obtenção de créditos de carbono, além de já contar com operações de sucesso em usinas e aterros sanitários no território nacional.
O lançamento do estudo coincide com um marco regulatório importante: a Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que instituiu o Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB). O mecanismo permite cumprir metas compulsórias de descarbonização no setor de gás natural por meio da desvinculação entre a molécula física e o seu atributo ambiental, oferecendo segurança jurídica para atrair novos investimentos produtivos para o país.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O avanço do biometano no transporte pesado demonstra que a descarbonização da frota não depende exclusivamente da eletrificação por baterias, encontrando nos motores a gás uma rota imediata e viável.
Do ponto de vista da engenharia, a evolução tecnológica dos biodigestores verticais com monitoramento em tempo real garante alta eficiência no aproveitamento de resíduos complexos como a vinhaça.
Para o setor sucroenergético, transformar subprodutos industriais em biocombustível e biofertilizantes consolide o conceito de economia circular de ciclo fechado, agregando alto valor comercial à cadeia agrícola.
O mercado brasileiro ganha competitividade ao exportar não apenas commodities energéticas, mas o maquinário e o conhecimento técnico desenvolvidos para processar resíduos em larga escala.
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RETROVISOR MECÂNICA ONLINE® – ENTENDA O QUE ESTÁ POR TRÁS DA NOTÍCIA
Potencial global do biogás e biometano alcança cerca de 1 trilhão de m³ anuais, atendendo a 25% da demanda mundial de gás natural.
Redução de emissões chega a 75% no ciclo poço-à-roda, atingindo balanço net-negative quando evita emissões fugitivas de metano em resíduos.
Oportunidade brasileira vai além da produção de combustível, englobando a exportação de tecnologia, biodigestores e engenharia nacional.
Competitividade econômica do biometano em frotas pesadas posiciona o combustível com custos por quilômetro vantajosos frente ao diesel.
Modelo de biorrefinaria garante receitas diversificadas com tratamento de resíduos, biofertilizantes e créditos de carbono.
Marco regulatório da Lei do Combustível do Futuro estabelece o CGOB, impulsionando metas de descarbonização com segurança jurídica.
MECÂNICA ONLINE® — MECÂNICA DO JEITO QUE VOCÊ ENTENDE
Biometano: biogás purificado que atinge especificações físico-químicas equivalentes às do gás natural, podendo ser utilizado em veículos automotores.
Ciclo poço-à-roda: análise de ciclo de vida que mede o impacto ambiental desde a extração ou geração da matéria-prima até a queima final no motor do veículo.
Digestato: subproduto rico em nutrientes gerado no processo de biodigestão anaeróbia, amplamente comercializado como biofertilizante agrícola.
TCO (Custo Total de Propriedade): indicador financeiro que soma todos os gastos de aquisição, operação, manutenção e depreciação de um veículo ao longo de sua vida útil.

