A Stellantis passou o último ano desmontando carro de propósito — mas o resultado mais interessante desse primeiro aniversário não está no número de veículos processados, está no que deixou de ir para o lugar errado em forma de fluido e material.
Um ano após a inauguração do Centro de Desmontagem Veicular (CDV) Circular AutoPeças, em Osasco (SP), a Stellantis celebra os resultados de iniciativa pioneira que contribui para transformar a cadeia automotiva brasileira via economia circular. No primeiro ano, o centro demonstrou na prática que veículo em fim de vida útil pode voltar a gerar valor para cliente, indústria e meio ambiente.
É a primeira estrutura própria de montadora dedicada ao desmonte legal e rastreável de veículo na América do Sul — resposta direta a um mercado historicamente marcado por desmanche informal, sem controle ambiental nem rastreabilidade contra roubo de peça. O CDV opera com foco em reutilização de peça, reciclagem de material e destinação ambientalmente adequada de resíduo, seguindo padrão elevado de rastreabilidade e conformidade regulatória.
O primeiro ano em números
Ao longo dos 12 meses, foram desmontados 1.150 veículos, resultando na recuperação de mais de 20 mil peças para comercialização e venda de mais de 11 mil componentes reutilizados.
“Ao completar um ano, o Centro de Desmontagem Veicular comprova que a economia circular é capaz de gerar valor ambiental, social e econômico ao mesmo tempo. Os resultados alcançados validam nosso modelo de negócio”, afirma Paulo Solti, vice-presidente sênior de Peças e Serviços da Stellantis para a América do Sul.
Impacto ambiental mensurável
Cerca de 862 toneladas de material e quase 14 mil litros de fluido automotivo receberam destinação adequada no período — incluindo mais de 4.600 litros de óleo automotivo e cerca de 1.830 litros de fluido de arrefecimento, especificamente.
O reaproveitamento de componente automotivo permite, segundo a Stellantis, redução de até 80% no consumo de matéria-prima e até 50% de CO2 não emitido, em comparação com peça nova equivalente.
Economia circular como estratégia de longo prazo
A operação de Osasco integra a estratégia global de economia circular da Stellantis, presente na América do Sul desde 2023, baseada nos 4Rs: Remanufatura, Reparo, Reuso e Reciclagem. Na região, a estratégia está reunida sob a marca Circular AutoPeças, com portfólio de mais de 500 componentes entre peça remanufaturada, reparada e reutilizada.
O ecossistema regional inclui também o Centro de Recondicionamento Veicular (CRV), em Betim (MG), que já recondicionou mais de 500 veículos em pouco mais de três anos. Mais recentemente, a Circular AutoPeças lançou linha de lubrificante sustentável, o Motul NGEN Circular AutoPeças, em parceria com a Motul e a Lwart.
“A economia circular é uma das prioridades estratégicas da Stellantis porque reúne inovação, competitividade e sustentabilidade. Estamos construindo um ecossistema completo que conecta remanufatura, recondicionamento, reutilização e reciclagem”, afirma Maiara Castro, vice-presidente de Economia Circular da Stellantis para a América do Sul.
Próximos passos
Com capacidade instalada para desmontar até 8 mil veículos por ano, o CDV segue em trajetória de expansão. Os próximos passos incluem ampliar disponibilidade de peça reutilizada, fortalecer remanufatura e recondicionamento, expandir canal de comercialização e acelerar o ecossistema de economia circular na região.
“Estamos apenas no começo dessa jornada. O primeiro ano nos permitiu validar processos, desenvolver competência e comprovar o potencial da circularidade no setor automotivo”, conclui Maiara Castro.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Fazendo a conta que o release não faz diretamente: se o centro desmontou 1.150 veículos num ano com capacidade instalada para 8 mil, ele operou a apenas 14% da capacidade total — número que dá dimensão real ao “estamos apenas no começo” repetido por Maiara Castro: há espaço genuíno de crescimento, não é frase de efeito vazia.
Vale reparar numa conta que não fecha exatamente como apresentada: os dois fluidos citados especificamente (óleo, 4.600 litros; arrefecimento, 1.830 litros) somam cerca de 6.430 litros — bem abaixo dos “quase 14 mil litros” de fluido total mencionados no início. Isso sugere que outro tipo de fluido, não detalhado no release fornecido pela Stellantis, responde pelo restante — vale registrar essa lacuna em vez de deixar parecer que os números batem exatamente.
Esse caso conecta com pelo menos duas matérias recentes nossas sobre economia circular — o pneu conceito com material reciclado da Continental, e o projeto premiado de estudante do SENAI que usou alumínio reciclado num módulo de chassi, em parceria com a Iveco: o mesmo tema aparece simultaneamente em infraestrutura corporativa de montadora, inovação estudantil e pesquisa de fornecedor — movimento genuinamente amplo, não ação isolada de marketing.
Vale explicar por que “desmonte legal e rastreável” importa de verdade: o Brasil tem histórico relevante de desmanche informal, sem documentação adequada nem controle ambiental — e peça sem rastreabilidade também é porta de entrada para comércio de peça roubada. Um centro regulado, operado pela própria montadora, ataca esse problema estrutural, não é só conveniência adicional.
Os números de 80% de redução de matéria-prima e 50% de CO2 são cifra geral declarada pela Stellantis para peça reutilizada versus peça nova, não dado específico auditado para esse centro em particular — vale tratar como referência típica do setor, não medição exclusiva desse CDV.
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CDV desmontou 1.150 veículos no primeiro ano de operação: recuperando mais de 20 mil peças para comercialização.
Centro roda a apenas 14% da capacidade instalada de 8 mil veículos/ano: espaço real de expansão nos próximos anos.
Peça reutilizada reduz até 80% de matéria-prima e 50% de CO2: frente a peça nova equivalente, segundo a Stellantis.
Quase 14 mil litros de fluido automotivo receberam destinação adequada: incluindo óleo e fluido de arrefecimento.
Ecossistema regional inclui centro de recondicionamento em Betim (MG): já com mais de 500 veículos recondicionados em 3 anos.
Estratégia é baseada nos 4Rs — Remanufatura, Reparo, Reuso e Reciclagem: presente na América do Sul desde 2023.
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Desmonte veicular rastreável: processo regulado de desmontagem de veículo em fim de vida útil, com documentação e controle que impedem uso ilegal de peça, diferente do desmanche informal.
Remanufatura: processo de restaurar peça usada a padrão equivalente ao de fábrica, permitindo reutilização com garantia de desempenho e qualidade.
Economia circular: modelo econômico que busca reaproveitar material e reduzir descarte, mantendo recurso em uso pelo maior tempo possível, em vez do ciclo tradicional de produzir, usar e descartar.
Componente reutilizado: peça retirada de veículo desmontado que segue em condição de uso direto, sem necessidade de reprocessamento, para venda no mercado de reposição.

