Uma solução simples de engenharia automotiva pode fazer diferença na recuperação de mulheres que passaram por uma mastectomia. A Ford anunciou a doação do SupportBelt, um acessório acolchoado desenvolvido para reduzir a pressão e o atrito do cinto de segurança sobre a região do tórax após a cirurgia. O dispositivo será disponibilizado gratuitamente, por meio de empréstimo, às pacientes atendidas pela FEMAMA, no Rio Grande do Sul, e pelo Instituto OncoSuperação, em São Paulo. Desenvolvido com a participação de médicos, engenheiros e especialistas em design, o produto representa uma aplicação da tecnologia automotiva para melhorar o conforto e a mobilidade durante o tratamento do câncer de mama.
O cinto de segurança é um dos equipamentos mais importantes de proteção dos ocupantes de um automóvel. Entretanto, para mulheres que passaram por uma cirurgia de retirada parcial ou total da mama, o contato da faixa diagonal com regiões sensíveis do tórax pode provocar desconforto durante os deslocamentos.
Essa dificuldade pode interferir em atividades cotidianas, como ir ao trabalho, comparecer a consultas médicas ou realizar pequenos trajetos.
Foi para atender a essa necessidade que a Ford desenvolveu o SupportBelt, um acessório que busca tornar a utilização do cinto mais confortável sem exigir mudanças permanentes na estrutura do veículo.
Como funciona o SupportBelt da Ford?
O SupportBelt é uma proteção acolchoada de formato anatômico, projetada para ser fixada à faixa diagonal do cinto de segurança.
Seu desenho côncavo permite acomodar diferentes formatos de corpo, buscando diminuir a pressão localizada e o atrito sobre áreas sensíveis do tórax.
O acessório utiliza espuma flexível, macia e respirável, com revestimento de toque semelhante ao da camurça.
A composição do revestimento inclui aproximadamente 40% de PET reciclado, enquanto a fixação é realizada por meio de um sistema de velcro.
O dispositivo foi desenvolvido para utilização tanto por motoristas quanto por passageiras, com o objetivo de facilitar deslocamentos durante diferentes fases da recuperação.
A proposta não é substituir o cinto de segurança, mas melhorar o conforto de utilização do equipamento original.
Ideia surgiu após experiência de dupla mastectomia
O desenvolvimento começou em 2022, a partir da experiência pessoal de Lynn Simoncini, diretora de criação da VML, agência de marketing global da Ford.
Após passar por uma dupla mastectomia, ela enfrentou dificuldades relacionadas ao contato do cinto de segurança com a região operada.
A experiência motivou a criação de uma alternativa capaz de aliviar o desconforto durante viagens de automóvel.
A proposta foi apresentada à Ford, que reuniu profissionais de diferentes especialidades para transformar a ideia em um produto.
O trabalho foi conduzido pela área de Design de Experiência da fabricante, com participação de médicos, engenheiros e mulheres que passaram por situações semelhantes.
A iniciativa demonstra como necessidades específicas dos usuários podem orientar o desenvolvimento de novas soluções dentro da indústria automotiva.
Engenharia e testes buscaram preservar a segurança
Durante o desenvolvimento, a Ford produziu diferentes protótipos para avaliar formato, materiais, ergonomia e adaptação ao corpo.
Os engenheiros também participaram de testes em veículos para verificar a adequação do acessório às especificações da companhia.
A Lear Corporation, fornecedora de componentes automotivos, colaborou no aprimoramento do desenho, na seleção de materiais e na preparação dos processos de fabricação.
Um aspecto fundamental é a integração com o cinto de segurança original.
Esse equipamento precisa manter seu posicionamento correto para proteger adequadamente o ocupante em situações de frenagem intensa ou colisão.
Por isso, o SupportBelt deve ser utilizado exclusivamente conforme as instruções do fabricante e nas aplicações para as quais foi validado.
O material divulgado pela Ford informa a realização de avaliações e testes, mas não apresenta resultados quantitativos de ensaios de colisão que permitam concluir que o acessório aumenta a proteção em acidentes.
O benefício anunciado está relacionado principalmente à redução do desconforto durante os deslocamentos.
ONGs brasileiras vão emprestar o acessório gratuitamente
No Brasil, a Ford escolheu duas organizações para ampliar o acesso ao SupportBelt.
A FEMAMA, no Rio Grande do Sul, e o Instituto OncoSuperação, em São Paulo, receberão unidades destinadas às pacientes.
O modelo adotado será o de empréstimo gratuito.
Dessa maneira, uma mulher poderá utilizar o acessório durante o período necessário e posteriormente devolvê-lo para que outra paciente também seja beneficiada.
A iniciativa busca ampliar a utilização dos produtos disponíveis, sem exigir que cada pessoa adquira uma unidade individualmente.
Segundo Gisele Gengo, presidente do Instituto OncoSuperação, o acessório poderá contribuir para o conforto das pacientes tanto no período pós-cirúrgico quanto durante a radioterapia.
A instituição desenvolve atividades voltadas à recuperação emocional e à reintegração social de mulheres em tratamento contra o câncer de mama.
O anúncio da doação foi realizado durante o Casa Clã MAMA, evento de conscientização promovido pelas revistas Cláudia e Veja Saúde.
Ford pretende compartilhar projeto com outras montadoras
A fabricante também solicitou patente para o SupportBelt e disponibiliza o projeto por meio de licenciamento para outras empresas do setor automotivo.
A proposta permite que diferentes montadoras possam fabricar e testar o acessório, adaptando-o às características de seus veículos.
Essa possibilidade é relevante porque a geometria dos bancos, a posição dos cintos e as características dos sistemas de retenção podem variar entre modelos.
A ampliação da disponibilidade dependerá dos procedimentos de desenvolvimento, validação e produção adotados pelas empresas interessadas.
A Ford informa que mantém iniciativas relacionadas à conscientização sobre o câncer de mama desde 1993, reunindo mais de três décadas de participação nessa área.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O desenvolvimento do SupportBelt demonstra que a engenharia automotiva também pode contribuir para resolver dificuldades que não estão diretamente relacionadas a motores, desempenho ou consumo de combustível.
O cinto de segurança de três pontos foi projetado para distribuir as forças de retenção por regiões do corpo capazes de suportá-las de maneira mais adequada, especialmente ombro, tórax e pelve.
Durante uma colisão, o sistema trabalha em conjunto com outros componentes, como pré-tensionadores, limitadores de carga e airbags, dependendo da configuração do automóvel.
Por esse motivo, qualquer acessório instalado no cinto exige atenção. Alterações indevidas no posicionamento da faixa podem prejudicar a distribuição das forças durante um acidente.
O diferencial da proposta da Ford está na tentativa de conciliar conforto e manutenção das funções de segurança do sistema original, utilizando um produto desenvolvido com participação de especialistas e submetido a avaliações em veículos.
Também merece destaque o processo de criação. A experiência de uma mulher que enfrentou dificuldades após uma cirurgia foi transformada em um problema de engenharia, envolvendo estudos de ergonomia, materiais e adaptação.
Entretanto, o acessório não substitui a orientação médica. A liberação para dirigir após uma mastectomia deve considerar a recuperação, a mobilidade dos braços, o uso de medicamentos e a capacidade de realizar manobras com segurança.
A principal contribuição do SupportBelt é mostrar que uma inovação automotiva não precisa envolver sistemas complexos para produzir benefícios concretos: muitas vezes, o avanço está em compreender melhor as necessidades de quem utiliza o veículo.
Para acompanhar segurança automotiva, ergonomia, engenharia, acessibilidade e tecnologias que melhoram a mobilidade, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- SupportBelt – Acessório desenvolvido pela Ford para reduzir o desconforto do cinto de segurança após a mastectomia.
- Duas organizações – FEMAMA e Instituto OncoSuperação receberão os produtos no Brasil.
- Empréstimo gratuito – Modelo de disponibilização às pacientes.
- 2022 – Ano em que surgiu a ideia do acessório.
- 40% de PET reciclado – Participação aproximada do material reciclado no revestimento.
- Lear Corporation – Fornecedora que participou do desenvolvimento.
- Licenciamento – Possibilidade de outras montadoras produzirem e testarem a solução.
- 1993 – Início das iniciativas da Ford relacionadas à conscientização sobre o câncer de mama.
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- Ergonomia automotiva – Área da engenharia dedicada à adaptação dos veículos e componentes às características físicas e às necessidades dos usuários.
- Cinto de três pontos – Sistema de retenção que utiliza faixas diagonal e abdominal para ajudar a proteger o ocupante durante uma colisão.
- Pré-tensionador – Dispositivo que reduz rapidamente a folga do cinto em determinadas situações de acidente.
- Limitador de carga – Mecanismo que controla parte da força aplicada pelo cinto ao ocupante durante uma colisão.
- Prototipagem – Processo de criação e avaliação de versões experimentais de um produto antes de sua fabricação definitiva.



