Quase 900 cv em um SUV de 5,20 metros já seriam suficientes para chamar atenção, mas o Jetour G700 2027 mostra como os utilitários chineses estão avançando simultaneamente em eletrificação, eletrônica e capacidade fora de estrada. O híbrido plug-in chega ao mercado chinês a partir de 329.900 yuans e, nas versões superiores, troca até a química e praticamente dobra a capacidade da bateria. É justamente essa diferença que transforma significativamente o potencial de utilização elétrica do modelo.
O Jetour G700 2027, comercializado na China como Chery Jetour Zongheng G700, chega ao mercado mantendo a proposta de um grande SUV eletrificado com vocação para enfrentar terrenos difíceis.
Os preços começam em 329.900 yuans, aproximadamente US$ 48.500, na versão Tanye Edition 150 de cinco lugares, e chegam a 442.900 yuans, cerca de US$ 65.100, na configuração Zhijing Qiankun 260 de seis lugares.
Entre os destaques desta atualização está a adoção do Qiankun ADS 5.0 da Huawei nas versões correspondentes.
Apesar do avanço dos sistemas eletrônicos de assistência, a denominação comercial não deve ser confundida com condução autônoma. O material fornecido não informa classificação formal SAE nem condições específicas de funcionamento do sistema, portanto não é possível atribuir ao G700 um nível de autonomia a partir dessas informações.
São 892 cv combinados
A base mecânica continua sendo um sistema híbrido plug-in com motor 2.0 turbo, associado à propulsão elétrica.
A potência combinada informada chega a 665 kW, equivalentes a aproximadamente 892 cv.
Mais do que entregar números elevados no asfalto, a arquitetura foi combinada a recursos destinados ao uso fora de estrada.
O G700 possui bloqueios dos diferenciais dianteiro e traseiro, bloqueio central de energia, diferentes modos para terrenos específicos e suspensão pneumática.
Esse conjunto permite administrar a distribuição da força disponível quando uma ou mais rodas encontram superfícies de baixa aderência.
Existem duas baterias bem diferentes
Uma das características mais interessantes da linha está escondida na nomenclatura das versões.
As três configurações identificadas como 150 utilizam bateria LFP de 34,13 kWh fornecida pela CATL.
A autonomia elétrica divulgada é de 150 km pelo ciclo CLTC.
O material apresenta também 122 km como valor WLTP, embora não esclareça se esse número resulta de homologação oficial pelo ciclo WLTP ou de uma conversão utilizada para comparação. Por isso, os 150 km CLTC são a referência claramente identificada na fonte.
Já as versões 260 recebem uma bateria significativamente maior.
A capacidade sobe para 59,45 kWh, enquanto a química passa de LFP para lítio ternário.
Nesse caso, a autonomia elétrica divulgada alcança 260 km pelo ciclo CLTC.
São 25,32 kWh adicionais de capacidade, um crescimento de aproximadamente 74% em relação à bateria de 34,13 kWh.
Essa diferença ajuda a explicar por que o G700 pode assumir comportamentos bastante distintos dependendo da configuração escolhida.
Um PHEV com bateria de quase 60 kWh
A capacidade da bateria superior merece atenção.
Com 59,45 kWh, as versões 260 possuem uma quantidade considerável de energia armazenada para um híbrido plug-in.
Isso amplia a possibilidade de realizar deslocamentos utilizando prioritariamente eletricidade, desde que exista uma rotina adequada de recarga.
Ao mesmo tempo, uma bateria maior significa mais células, maior massa e maior quantidade de energia que precisa ser reposta na tomada.
O material fornecido não informa potência máxima de carregamento, tempos de recarga ou capacidade útil das duas baterias.
Sem esses dados, não é possível determinar quanto tempo cada versão levará para recuperar sua autonomia elétrica.
LFP e bateria ternária no mesmo carro
Também chama atenção a utilização de duas químicas diferentes dependendo da versão.
As configurações de 150 km recebem células LFP, enquanto as de 260 km utilizam bateria ternária.
As duas tecnologias possuem características diferentes em aspectos como densidade energética, comportamento térmico, custo e gerenciamento da carga, mas a fonte não informa por que a Jetour escolheu cada química nem fornece dados suficientes para comparar diretamente massa ou densidade energética dos packs.
Portanto, não seria correto concluir apenas pela química qual versão terá melhor durabilidade ou desempenho térmico.
O que pode ser afirmado é que a configuração superior utiliza uma bateria 74% maior em capacidade nominal e uma química diferente para atingir o alcance elétrico anunciado.
5,20 metros e até seis lugares
O tamanho ajuda a explicar a presença do G700.
São 5.198 mm de comprimento, 2.050 mm de largura e 1.956 mm de altura, com distância entre eixos de 2.870 mm.
O desenho mantém o estilo robusto do modelo anterior e o compartimento do estepe instalado na traseira.
Para 2027, aparecem mudanças na grade frontal, rodas, para-choques e saias laterais, estas agora acompanhando a cor da carroceria.
O G700 pode ser configurado para cinco ou seis ocupantes.
Uma tela de 35,4 polegadas atravessa o painel
Se por fora a atualização é relativamente discreta, a cabine aposta fortemente na digitalização.
O destaque é a tela panorâmica Horizon de 35,4 polegadas, acompanhada por uma central de 15,6 polegadas com resolução 2.5K.
O processamento utiliza o Qualcomm Snapdragon 8255.
Há ainda dois carregadores sem fio de 50 W na dianteira, refrigerador integrado e sistema de áudio Lexicon.
Os bancos dianteiros possuem aquecimento, ventilação e massagem.
Nas versões de seis lugares, a segunda fileira recebe os chamados assentos de gravidade zero. Nas configurações de cinco lugares, o equipamento citado é uma tela de entretenimento instalada no teto.
Eletrônica passa a dividir espaço com a mecânica off-road
A chegada do sistema Huawei Qiankun ADS 5.0 representa outra camada de tecnologia adicionada ao G700.
É interessante observar como o veículo combina dois mundos.
De um lado existem elementos tradicionais de um veículo voltado ao fora de estrada, como bloqueios de diferenciais e suspensão pneumática.
Do outro aparecem câmeras, sensores, processamento eletrônico e sistemas avançados de assistência ao motorista.
O resultado mostra uma transformação importante nesse segmento: capacidade off-road deixa de depender somente da mecânica e passa a ser administrada também por software e eletrônica.
Ainda assim, os sistemas de assistência à condução não eliminam a responsabilidade do motorista nem transformam automaticamente o veículo em autônomo.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Os 892 cv impressionam, mas existe um número que considero tecnicamente ainda mais interessante: 59,45 kWh.
Há poucos anos, uma bateria desse tamanho seria perfeitamente plausível em um automóvel totalmente elétrico.
Aqui ela aparece em um híbrido plug-in.
Isso mostra como está mudando a própria definição de PHEV.
Em vez de uma bateria relativamente pequena destinada a alguns quilômetros urbanos, começam a aparecer projetos nos quais a parte elétrica ganha capacidade suficiente para assumir parcela muito maior da utilização cotidiana, deixando o motor a combustão como parte de um sistema de alcance ampliado e desempenho.
Mas uma bateria maior também traz compromissos.
Ela precisa ser carregada.
Sem uma infraestrutura adequada e uma rotina de recarga, o proprietário carrega consigo dezenas de kWh de bateria sem explorar plenamente a principal vantagem dessa arquitetura.
Também considero interessante a mistura entre mecânica tradicional e software.
O G700 ainda utiliza bloqueios, suspensão pneumática e sistemas físicos para enfrentar terrenos difíceis, mas cada vez mais a eletrônica decide quanto torque entregar, quando atuar e como coordenar todos esses componentes.
O futuro do off-road provavelmente não será uma escolha entre mecânica ou software.
Será justamente a integração dos dois.
Para acompanhar como eletrificação, software e novas tecnologias estão transformando SUVs e a mecânica 4×4, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- 892 cv combinados – O sistema híbrido plug-in 2.0 turbo entrega 665 kW de potência total informada.
- Duas capacidades de bateria – A linha utiliza packs de 34,13 kWh ou 59,45 kWh, dependendo da versão.
- Químicas diferentes – As versões 150 recebem bateria LFP, enquanto as configurações 260 utilizam células de lítio ternárias.
- Até 260 km elétricos – É o alcance informado pelo ciclo chinês CLTC para a bateria maior; resultados reais dependem das condições de utilização.
- 5,20 metros – O G700 é um SUV de grandes dimensões e oferece configurações para cinco ou seis ocupantes.
- Assistência Huawei – O Qiankun ADS 5.0 equipa versões específicas, mas o material não fornece uma classificação SAE que permita tratá-lo como sistema de condução autônoma.
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- PHEV – Híbrido plug-in utiliza motor a combustão e propulsão elétrica com uma bateria que também pode receber energia diretamente da rede elétrica.
- LFP – Bateria de fosfato de ferro-lítio, química bastante utilizada pela indústria automotiva e diferente das células ternárias empregadas nas versões 260.
- Bloqueio de diferencial – Recurso que limita ou impede diferenças de rotação entre rodas ou eixos, auxiliando a transferência de força em situações de baixa aderência.
- CLTC – Ciclo chinês utilizado para homologação de consumo e autonomia; seus resultados não devem ser comparados diretamente com números obtidos por outros ciclos sem considerar diferenças de metodologia.

