O mercado brasileiro de veículos leves somou 1,975 milhão de emplacamentos de janeiro a agosto, alta de 18,4% sobre igual período de 2025, e cruzou a marca de 2 milhões de unidades nos primeiros dias de setembro – um mês antes do que ocorreu no ano passado. Agosto registrou 275,1 mil unidades, queda de 1,6% ante julho, que teve dois dias úteis a mais, e alta de 22,1% na comparação anual. Os eletrificados atingiram recorde de 24,4% de participação, enquanto a produção teve seu melhor agosto desde 2019, com a ressalva de que dois terços do avanço vêm de modelos CKD e SKD.
Coluna Via Digital – Por Lucia Camargo Nunes* – O mercado brasileiro somou 1,975 milhão de emplacamentos de janeiro a agosto, 18,4% acima de igual período de 2025, e ultrapassou a marca de 2 milhões de unidades nos primeiros dias de setembro, um mês antes do que ocorreu no ano passado. Agosto registrou 275,1 mil unidades, queda de 1,6% ante julho, que teve dois dias úteis a mais, e alta de 22,1% na comparação anual.
Pelos cálculos da consultoria K.Lume, o acumulado de carros e comerciais leves avança 19,5% sobre 2025, 3% sobre 2024 e 13,2% sobre 2023. Milad Kalume Neto observa que a concentração de vendas na segunda quinzena chegou a 64,8% do total, sinal de que o consumidor espera o fim do mês para comprar melhor.
As vendas diretas responderam por 49% do volume, movimento que a consultoria associa a compras de grandes locadoras, enquanto o programa oficial para veículos de entrada dá sinais de estabilidade.
Outra tendência firme é a eletrificação: esses modelos bateram recorde de participação, com 24,4%, e somam 372 mil unidades no ano, alta de 125,8%. As importações sustentam parte desse avanço: 406,7 mil autoveículos no acumulado, 29,8% a mais, com a China respondendo por mais da metade.
Fábricantes têm seu melhor agosto desde 2019, com ressalva
A produção de autoveículos alcançou 271,1 mil unidades em agosto, maior volume mensal desde outubro de 2019. Nos leves, foram 215 mil automóveis, 9,5% acima de julho e 10,2% acima de agosto de 2025, além de 42,6 mil comerciais leves, com queda de 2% no mês e alta de 6,2% no ano a ano.
No acumulado, os automóveis somam 1,462 milhão de unidades, 11% a mais, e os comerciais leves, 335 mil, avanço de 3,9%. Igor Calvet, presidente da Anfavea, pondera que dois terços das quase 150 mil unidades adicionais produzidas no ano vêm de modelos em CKD e SKD, e apenas um terço de produção plena no país.
Importadoras oficiais crescem, mas o resultado tem um só dono
As 13 marcas filiadas à Abeifa emplacaram 26.404 unidades em agosto, alta de 3,3% sobre julho e de 124% sobre agosto de 2025. No ano foram 163.122 vendas, 95% mais que em 2025, sendo 91.950 importados e 71.172 de produção nacional, o equivalente a 8,6% do mercado de leves.
A BYD respondeu por 92,66% do volume da entidade em agosto. Os três modelos mais emplacados no mês foram Dolphin Mini (8.299), Dolphin (6.740) e Song Plus (6.724), todos da marca chinesa. Completam o quadro Aston Martin, Denza, Ferrari, JAC, Jaguar, Kia, Lamborghini, Land Rover, McLaren, Porsche, Rolls-Royce e Volvo.
Efeito Avenger 1: Tera ganha reforço mecânico
A Volkswagen ampliou a gama do Tera com a chegada do motor 200 TSI às versões Comfortline e High. O 1.0 turbo de três cilindros entrega 128 cv e 20,4 kgfm e passa a trabalhar com transmissão automática de oito marchas, conjunto que promete retomadas mais consistentes e rotações menores em cruzeiro.
Mês passado, a Jeep lançou o SUV compacto Avenger com motor 1.0 turbo de 130 cv e sistema híbrido-leve, a preços competitivos.
O 200 TSI já equipa T-Cross e Nivus. Lançado em 2025, o Tera é o segundo SUV mais vendido do País, atrás do T-Cross. Mais informações e preços serão divulgados em outubro.
Efeito Avenger 2: corte de preços em Resende
O Nissan Kait chega à linha 2027 com valores reduzidos em até R$ 10 mil. A Active parte de R$ 117.990, a Sense sai por R$ 129.990, a Advance por R$ 136.990 e a Exclusive, topo de gama, por R$ 149.990. A montadora classifica como reposicionamento, e não como desconto.
Não há novidades técnicas. O SUV mantém 4,30 metros de comprimento, 2,62 metros de entre eixos, porta-malas de 432 litros e o conjunto formado pelo motor 1.6 de 113 cv com câmbio CVT. Ricardo Bianchi, diretor de vendas, afirma que a mudança busca tornar o modelo mais competitivo.
*Lucia Camargo Nunes é economista e jornalista especializada no setor automotivo, editora do Via Digital e do canal @viadigitalmotors no YouTube. Acesse: linktr.ee/viadigitalmotors E-mail: [email protected]
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- CKD e SKD: sistemas de produção em que o veículo chega ao país desmontado (CKD) ou parcialmente desmontado (SKD) e é apenas montado localmente. Exigem menos investimento industrial, mas geram menos empregos e conteúdo nacional do que a produção plena.
- Emplacamento: registro oficial de um veículo novo no país de destino. É o principal termômetro de vendas do mercado brasileiro e serve de base para os dados da Anfavea, Abeifa e consultorias como a K.Lume.
- Vendas diretas: modalidade em que o veículo é comprado diretamente de fábrica, geralmente por locadoras, frotistas ou órgãos públicos. Representaram 49% do volume em agosto, mas distorcem a leitura do mercado consumidor final.
- Híbrido-leve (MHEV): sistema que usa um motor elétrico de baixa tensão para auxiliar o motor a combustão em partidas e retomadas, sem tração elétrica plena. É mais barato que um híbrido pleno, mas entrega ganhos limitados de eficiência.

