A Lat.Bus 2026, realizada de 11 a 13 de agosto, consolidou o evento como a maior feira de ônibus das Américas e a segunda maior do mundo. A quarta edição reuniu quase 200 expositores e atraiu mais de 30 mil visitantes de 40 nacionalidades, unindo fabricantes, operadores, fornecedores, instituições financeiras e gestores públicos em fóruns sobre inovação e mobilidade.
Mais do que uma vitrine de produtos, esse tipo de evento funciona como termômetro de onde a indústria de ônibus brasileira está de fato investindo — e o denominador comum entre praticamente todos os expositores, neste ano, foi eletrificação e fontes alternativas de energia.
A BYD lançou o BC12HF, primeiro chassi elétrico da marca para ônibus de piso alto com bateria Blade. “A Lat.Bus 2026 foi muito positiva para a BYD. Tivemos uma ótima receptividade e percebemos um interesse relevante pelas soluções apresentadas”, afirma Bruno Paiva, diretor de Vendas de Ônibus e Caminhões da BYD Brasil.
A Caio classificou sua participação como “um grande sucesso”, segundo Maurício Cunha, vice-presidente Industrial. Os destaques foram o Apache VIP VI, o eMillennium e o eApache VIP II (elétricos), e o bMillennium, voltado a aplicações com biometano — mostrando amplitude de portfólio em diferentes fontes de energia.
Na Comil, o diretor comercial Tiago Zanette reforçou que “a Lat.Bus não deve ser avaliada apenas pelos pedidos formalizados durante os três dias, mas também pela quantidade e qualidade das oportunidades geradas”. A empresa, que celebra 40 anos de história, destacou os novos Campione 330, Campione 350 e Versatile V4, reforçando presença nos segmentos de fretamento e rodoviário.
A Eletra, fabricante dedicada a ônibus elétricos, usou o evento para fortalecer relacionamento com clientes e gestores públicos. “A Lat.Bus 2026 mostrou que o Brasil reúne tecnologia, capacidade industrial e conhecimento para acelerar a eletrificação do transporte público”, destaca Milena Braga Romano, CEO da empresa, que já projeta chegar à edição de 2028 com mais inovação nacional.
A Irizar Brasil trouxe uma perspectiva diferente sobre o papel comercial da feira. Segundo Abimael Parejo, diretor comercial, o modelo de vendas da marca não depende de compra pontual em feira: “trabalhamos com carteira ativa e relacionamento contínuo”. Para a Irizar, o evento funciona mais como ponto de fortalecimento de parceria do que balcão de vendas imediatas.
A Iveco apresentou os chassis BUS 17-210 e BUS 17-210G, além de novas configurações do Daily Minibus e da linha Daily Minibus Hi-Matic. “Recebemos centenas de consultas de clientes em nosso estande”, relata Mauricio Yamamoto, head da IVECO BUS para a América Latina.
A Marcopolo fechou a participação com quantidade expressiva de ônibus comercializados entre modelos rodoviários, urbanos e micros. A empresa lançou o Torino 2027 (urbano), a evolução G8 TEC da Geração 8 (rodoviário) e iniciou a comercialização do Volare Attack 10 Híbrido. Segundo Ricardo Portolan, diretor comercial e de marketing, unidades do Torino 2027 já foram vendidas, com entregas previstas ainda este ano.
Na Mascarello, todos os ônibus expostos no estande foram comercializados, segundo Luiz Ferraz do Amaral, diretor de relações internacionais: “muitas vendas começam na feira, mas são concretizadas posteriormente”.
A Mercedes-Benz, que celebra 70 anos de história no Brasil, recebeu mais de 30 mil visitantes em seu espaço e debateu temas como eletromobilidade, inovação, exportação e conectividade, segundo Walter Barbosa, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços de Ônibus da marca.
A Scania apostou em ambiente interativo no estande, com foco na chegada do Super Ônibus. “A Lat.Bus tem sido uma feira muito importante para fazermos negócios, receber clientes e reforçar os laços com nossa rede de concessionárias”, afirma Márcio Furlan, diretor de Marketing, Comunicação e Experiência do Cliente da Scania.
A Volkswagen Caminhões e Ônibus apresentou novidades da família Volksbus e avanços em eletrificação. Segundo Jorge Carrer, diretor de Vendas de Ônibus da VWCO, a feira ajudou a estreitar relacionamento com clientes e concessionários.
Já a Volvo classificou a edição como “excelente, a melhor de todas”, segundo Ricardo Seixas, diretor comercial de Ônibus da marca, citando vendas fechadas nos três dias e boas prospecções para os próximos meses.
Diante do resultado, fabricantes já se preparam para a próxima edição: a Lat.Bus 2028 está marcada para 15 a 17 de agosto de 2028, no mesmo local, o São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O fio condutor de quase todos os depoimentos é eletrificação e fontes alternativas de energia — BYD, Eletra, Caio (elétrico e biometano), VWCO e Scania trataram isso como destaque central, não como item secundário de portfólio. É sinal de que o setor de ônibus brasileiro trata essa transição como já em andamento, não como promessa distante.
Vale notar a diferença de modelo comercial entre os expositores: Irizar trata a feira como relacionamento, não vitrine de venda direta, enquanto Marcopolo e Mascarello relataram unidades efetivamente vendidas no local — dois modelos de negócio legítimos, mas bem diferentes, coexistindo no mesmo evento.
O próprio alerta da Comil — de que o sucesso da feira não deve ser medido só por pedido fechado nos três dias — é um bom lembrete para interpretar qualquer declaração de “sucesso” em evento comercial: são relatos das próprias empresas, favoráveis por natureza, não resultado auditado de forma independente.
O bMillennium da Caio, voltado a biometano, conecta com outra matéria que já cobrimos aqui, sobre a coluna da SAE Brasil defendendo o transporte terrestre como ponto de partida para biocombustíveis rumo à COP31 — mais um sinal de que essa rota energética segue ganhando espaço ao lado da eletrificação, não como substituta dela.
Os aniversários de 40 anos da Comil e 70 anos da Mercedes-Benz no Brasil, mencionados lado a lado nesta mesma edição, reforçam quão consolidada é a base industrial brasileira de ônibus — não é um setor emergente, é indústria madura passando por transição tecnológica.
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Mais de 30 mil visitantes de 40 países: a quarta edição da Lat.Bus reuniu quase 200 expositores no São Paulo Expo.
BYD lança o BC12HF: primeiro chassi elétrico da marca para ônibus de piso alto com bateria Blade.
Eletrificação domina os lançamentos: Caio (eMillennium, eApache VIP II), VWCO e Scania também destacaram avanços elétricos.
Biometano ganha espaço: o bMillennium, da Caio, mostra aposta em fonte alternativa além da eletrificação.
Modelos de venda variam entre expositores: a Irizar trata a feira como relacionamento, enquanto Marcopolo e Mascarello relataram vendas fechadas no local.
Próxima edição confirmada para 2028: de 15 a 17 de agosto, no mesmo local, o São Paulo Expo.
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Chassi (ônibus): estrutura mecânica de base do veículo, incluindo motor, eixos e suspensão, sobre a qual a carroceria é montada posteriormente por uma encarroçadora.
Bateria Blade: tecnologia de bateria de fosfato de ferro-lítio desenvolvida pela BYD, com formato alongado que busca maior segurança e aproveitamento de espaço.
Encarroçador: empresa especializada em construir a carroceria de ônibus e caminhões sobre um chassi fornecido por outra fabricante, comum na indústria brasileira de ônibus.
Biometano: combustível renovável obtido a partir da purificação do biogás, gerado pela decomposição de resíduos orgânicos, usado como alternativa ao diesel e ao GNV fóssil.

