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Crise na Chevrolet? Quais os caminhos da marca junto aos concessionários?

Marca caiu da liderança em 2019 para a terceira posição em 2026, com participação de mercado quase pela metade e ameaça cada vez mais real da BYD, segundo apuração da Autoesporte.

A Chevrolet já foi líder isolada do mercado brasileiro — hoje, disputa posição no pódio com uma fabricante chinesa que nem existia por aqui há poucos anos. Mas o dado mais revelador dessa crise não está nas vendas totais, está em quantos carros cada concessionária realmente consegue vender por dia.

O momento vivido pela Chevrolet no Brasil não é dos melhores. Em 2019, a marca foi líder isolada de mercado — o Onix, sucesso incontestável, vendeu mais que o dobro do segundo colocado, o Ford Ka. Hoje, a marca do grupo GM ocupa a terceira colocação e recentemente deu incentivo à rede para segurar o lugar no pódio.

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As concessionárias Chevrolet têm demonstrado insatisfação com a condução dos negócios no país. Em pesquisa recente da Fenabrave (associação nacional das concessionárias), a rede Chevrolet recebeu a pior resposta entre as marcas para a pergunta “os produtos da minha montadora são o que o cliente quer”. A rede também parece descontente com a remuneração recebida pela venda de veículos e com a percepção de valorização futura da marca, com índice abaixo da média em cada questionamento.

Uma crise que não é recente

O desgaste com a rede não é de hoje. Do ano de 2019 até agora, a marca enfrentou sequência de golpes: a falta de semicondutor durante a pandemia (que fez o Onix perder a liderança de mercado para o Fiat Strada — liderança nunca recuperada), a má fama da correia banhada a óleo dos motores de três cilindros e, mais recentemente, o avanço de marcas chinesas no Brasil.

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Em números: de 2019 para 2025, as vendas da marca caíram 41,2%, saindo de 475.684 entregas anuais (volume que garantiu a liderança) para 275.965 carros vendidos em 2025 — terceira posição do ranking por marca.

A distância para Fiat e Volkswagen, as duas primeiras do ranking, cresceu, e a marca já pode ver a BYD pelo retrovisor: em agosto de 2026, foram apenas 3 mil carros de vantagem sobre os chineses, mas quase 14 mil de distância para os alemães da VW.

Em participação de mercado, a marca caiu de 17,8% em 2019 para 10,8% em 2025. No mesmo período, Fiat e Volkswagen avançaram com força — a Fiat foi líder de vendas no ano passado, com 20,9% de market share; a VW ficou com 17,1%.

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Vale registrar: o tombo aconteceu em mercado que quase não mudou de tamanho. Vendas de automóveis e comerciais leves em 2019 foram de 2.658.923 unidades, contra 2.549.462 emplacamentos em 2025 — não é retração geral de mercado, é perda de espaço específica da marca.

O sofrimento da rede

Se o mercado está estável mas as vendas caem, quem sofre é a rede. A Chevrolet tem mais de 550 lojas, uma das maiores malhas de concessionárias do Brasil, ao lado de Fiat e Volkswagen.

Segundo fonte ouvida pela Autoesporte em condição de anonimato, o negócio mudou totalmente: hoje não cabem mais 500 e poucas lojas Chevrolet no país com 10% de mercado — a conta não fecha, e essa participação ainda inclui venda direta. A rede sabe disso e acompanha de perto o que está acontecendo com a marca no Brasil.

Outros lojistas ouvidos pela reportagem afirmam sofrer para vender no varejo. Na chamada região 1 da rede (São Paulo, ABC Paulista e Baixada Santista), há loja que registrou venda mensal inferior a dez unidades para pessoa física — o resto do volume vai para empresas.

Fazendo a conta completa: dos 197 mil carros vendidos pela Chevrolet em 2026, cerca de 110 mil foram vendas diretas (56,4%). Para o varejo, sobram cerca de 87 mil, média de quase 20 carros mensais por loja — ou seja, cada uma das cerca de 550 concessionárias fecha menos de um negócio por dia com pessoa física.

Nem o Sonic, maior lançamento da Chevrolet em 2026, tem feito as vendas decolarem: o SUV de entrada ficou abaixo de 3 mil emplacamentos mensais nos últimos meses — abaixo do Nissan Kait, também recém-lançado, e muito distante de Fiat Pulse e Volkswagen Tera, líderes do segmento.

O que vem por aí

Lojistas ouvidos pela reportagem acreditam que a solução é reduzir o tamanho da rede. Segundo relato colhido pela Autoesporte, o porte da rede é grande demais para o cenário atual, e algumas lojas precisam fechar — mas a fabricante ainda não sinalizou redução de pontos de venda, preferindo que a solução venha internamente, com grupos de concessionário saindo do negócio e passando o ponto adiante, embora ninguém queira adicionar mais loja ao próprio negócio no momento.

A expectativa dos concessionários é que a Chevrolet negocie com a rede uma proposta de indenização para fechamento de ponto de venda — quem quiser sair, poderia então tomar a decisão. Movimento parecido com o que a Ford fez ao encerrar produção no Brasil e sair de segmentos de entrada; meses depois, a Ford voltou à rentabilidade com modelos importados.

Alguns grupos de lojas já aderiram a marcas chinesas, dividindo pontos de venda. A paulistana Carrera, por exemplo, abriu pontos da GWM — cuja fábrica de Iracemápolis completou um ano recentemente, como já mostramos aqui — e da Omoda Jaecoo ao lado de antigas lojas exclusivas Chevrolet.

A ameaça chinesa cresce

Em agosto, a Chevrolet quase perdeu o terceiro lugar para a BYD. Perto do fechamento do mês, emplacou quase 5 mil carros em dois dias, oferecendo incentivo e bônus a vendedor — o que garantiu manutenção da vantagem sobre a concorrente asiática. A informação foi confirmada pela Autoesporte, que teve acesso ao comunicado enviado à rede sobre os incentivos.

A resposta da GM pode estar na própria China, onde é parceira da Saic — parceria recém-renovada, dando acesso a produto chinês que pode chegar ao Brasil. Já acontece hoje com Spark e Captiva EV. Outros modelos devem vir em breve: o Captiva PHEV, e hatch elétrico compacto que deve se chamar Joy EV (na China, vendido como Wuling Bingo Pro, chegada prevista para 2027). Também está nos planos sedã multienergia em desenvolvimento, com versões elétrica e híbrida plug-in.

Saída alternativa pode ser transformar parte da rede Chevrolet em Buick: a Autoesporte apurou que, em viagem recente à China, concessionários tiveram confirmação de que a marca premium chegaria ao Brasil — mas não antes de 2028, dando à rede mais tempo para buscar dias melhores.

Informações originalmente apuradas por Caio Bednarski e André Paixão, publicadas pela Autoesporte.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A conta do varejo é o coração real dessa crise: menos de um carro vendido por dia, em média, por concessionária, é número que expõe o problema de forma mais direta que qualquer percentual de market share isolado.

Esse cenário conecta diretamente com duas matérias que já publicamos aqui: a liderança da Fiat em agosto (o mesmo crescimento que documentamos ali é, do outro lado da moeda, parte do que está empurrando a Chevrolet para fora do segundo lugar) e a meta de exportação da BYD para 2027 (a pressão chinesa que discutimos em termos globais agora aparece com nome e sobrenome na disputa direta pelo terceiro lugar do ranking brasileiro).

A resposta estratégica da GM via parceria com a Saic segue o mesmo padrão de outras marcas ocidentais sob pressão chinesa: em vez de desenvolver produto do zero, importa tecnologia e modelo já prontos da China sob nome já conhecido do consumidor local — Spark e Captiva EV já fazem isso, e mais modelos vêm a caminho.

O paralelo com a reestruturação da Ford, citado pela própria reportagem, é referência direta e recente do setor: sair de segmento de entrada, fechar ponto de venda com indenização, depois voltar com produto importado e mais rentável — roteiro que a Chevrolet parece estar observando de perto.

Vale notar que a possibilidade de a Buick chegar ao Brasil é informação ainda não confirmada diretamente pela GM — vem de relato de concessionário sobre viagem à China, com prazo de 2028, dando tempo real para a situação evoluir antes de qualquer decisão definitiva sobre o futuro da rede.

Siga @tarcisiomecanicaonline para acompanhar os próximos passos da Chevrolet no Brasil.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

Chevrolet caiu de líder em 2019 para 3ª colocada em 2026: participação de mercado recuou de 17,8% para 10,8%.

Cada concessionária vende, em média, menos de 1 carro por dia no varejo: cerca de 20 unidades mensais por loja.

Chevrolet quase perdeu o 3º lugar para a BYD em agosto: emplacou 5 mil carros em dois dias com incentivo para segurar a posição.

Sonic, maior lançamento de 2026, vende menos que o Nissan Kait: e fica muito atrás de Fiat Pulse e Volkswagen Tera no segmento.

Grupo GM aposta em modelos chineses via parceria com a Saic: Captiva PHEV e hatch elétrico Joy EV devem chegar ao Brasil.

Marca Buick pode chegar ao Brasil a partir de 2028: possível alternativa para parte da rede de concessionárias.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

Venda direta: venda de veículo feita diretamente pela montadora a grandes clientes, como locadoras e frotistas, sem passar pela negociação de varejo numa concessionária comum.

Market share: fatia percentual que uma marca ou modelo representa do total de vendas de um mercado, usada para medir posição competitiva.

Região de concessionária: divisão geográfica usada por montadoras para organizar e distribuir sua rede de lojas, agrupando cidades ou áreas próximas sob mesma gestão de território comercial.

Indenização de ponto de venda: valor pago por uma montadora a um concessionário que encerra a operação, como forma de compensar investimento feito na estrutura da loja.

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