Por fora, a mudança pode parecer uma atualização discreta. Debaixo da carroceria, porém, a Geely praticamente reorganizou seu SUV elétrico: motor mudou de posição, a potência cresceu significativamente e surgiu até um espaço onde antes estavam componentes do sistema de propulsão. É justamente esse novo compartimento dianteiro que ajuda a revelar o tamanho da transformação.
A Geely prepara para esse mês o lançamento de uma nova evolução do EX5 no mercado chinês, com alterações estruturais, mecânicas e eletrônicas muito mais profundas do que as mudanças visuais sugerem.
O modelo, também relacionado ao nome Galaxy E5 no mercado doméstico, passa a utilizar um único motor elétrico instalado no eixo traseiro, desenvolvendo potência máxima de 245 kW, equivalentes a aproximadamente 329 cv.
São 114 cv adicionais em relação à configuração anterior, segundo as informações disponíveis sobre o modelo.
A mudança também acompanha um aumento da velocidade máxima, que passa de 175 km/h para 201 km/h.
Mais importante do que simplesmente aumentar a potência, entretanto, é a mudança da arquitetura.
Com o motor instalado atrás, o EX5 passa a utilizar tração traseira, reorganizando a distribuição dos componentes do sistema elétrico e liberando espaço na parte dianteira.
O resultado mais visível apareceu antes mesmo da apresentação oficial: um porta-malas dianteiro, conhecido como frunk, instalado sob o capô.
A capacidade volumétrica ainda não foi divulgada. As imagens reveladas antecipadamente mostram, entretanto, uma indicação de carga máxima de 50 kg.
É importante não confundir essa informação com volume.
Os 50 kg representam a massa máxima permitida para os objetos colocados no compartimento, enquanto sua capacidade em litros permanece desconhecida.
A existência de um frunk relativamente amplo também mostra uma das vantagens que uma arquitetura dedicada ou reorganizada para propulsão elétrica pode oferecer.
Um automóvel convencional precisa reservar grande parte da dianteira para motor, transmissão, admissão, escapamento, arrefecimento e diferentes sistemas auxiliares.
No elétrico, a distribuição desses componentes pode ser diferente.
Ao instalar o conjunto de tração no eixo traseiro, os engenheiros conseguem utilizar parte do espaço dianteiro para bagagem, embora continuem existindo ali componentes de suspensão, direção, climatização, eletrônica e estruturas de absorção de impactos.
Por isso, simplesmente existir um motor traseiro não garante automaticamente um grande frunk. É necessário que a arquitetura tenha sido planejada para aproveitar o espaço disponível.
A própria Geely indica que essa evolução do EX5 vai além de uma atualização convencional.
Embora o desenho tenha permanecido relativamente próximo ao modelo conhecido, a fabricante realizou uma revisão abrangente da estrutura, dos componentes internos e dos sistemas eletrônicos.
A posição da porta de carregamento reforça essa transformação.
Anteriormente instalada na região dianteira, ela foi deslocada para a parte traseira do veículo, acompanhando a reorganização da arquitetura elétrica.
A bateria continua utilizando química LFP, de lítio-ferro-fosfato, mas sua capacidade ainda não foi divulgada.
Consequentemente, ainda não é possível determinar autonomia, consumo energético ou quanto a potência adicional poderá influenciar a eficiência.
Essas informações serão fundamentais para compreender o resultado da atualização.
A potência máxima de 245 kW ou 329 cv coloca o novo EX5 em outro patamar de desempenho, mas potência isoladamente não determina a capacidade de aceleração ou eficiência de um veículo elétrico.
Massa, gerenciamento eletrônico, relação de redução, capacidade de descarga da bateria, pneus e controle de tração também interferem diretamente no comportamento.
As dimensões mostram poucas alterações externas.
O novo EX5 possui 4.636 mm de comprimento, 1.920 mm de largura e 1.670 mm de altura, com distância entre-eixos de 2.750 mm.
O comprimento aumentou apenas 21 mm em relação ao modelo anterior.
Isso reforça a ideia de que a transformação mais importante aconteceu sob a carroceria, e não necessariamente em seu tamanho.
Visualmente, aparecem novos para-choques e maçanetas semi-ocultas, além de modificações relacionadas aos sistemas de assistência à condução.
O elemento mais evidente está no teto.
O novo EX5 recebeu um sensor LiDAR, equipamento que utiliza pulsos de laser para medir distâncias e produzir uma representação tridimensional do ambiente ao redor do veículo.
Sua presença está relacionada à adoção de uma versão mais avançada do conjunto de assistência à condução da Geely.
O sistema é associado ao G-ASD G-Pilot H5, com recursos desenvolvidos para assistência em rodovias e ambientes urbanos.
O EX5 também utiliza câmeras posicionadas nos para-lamas dianteiros e uma câmera adicional integrada ao spoiler traseiro, ampliando as informações disponíveis para os sistemas eletrônicos de percepção.
Mesmo com esse conjunto, é importante separar assistência à condução de condução autônoma.
Recursos capazes de executar determinadas funções de navegação, mudança de faixa, controle longitudinal ou acompanhamento de rotas continuam dependendo das condições e limitações estabelecidas pelo fabricante, além das exigências de supervisão aplicáveis ao sistema.
A atualização também chega em um momento comercial importante para o modelo.
Entre janeiro e agosto de 2026, foram comercializadas 40.776 unidades do EX5 no mercado chinês, resultado 45,9% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, conforme os dados apresentados no material de referência.
A queda ajuda a explicar a necessidade de uma atualização mais abrangente.
O EX5 possui ainda importância internacional para a Geely, porque faz parte da estratégia de expansão da fabricante em outros mercados.
Por enquanto, entretanto, as especificações apresentadas correspondem à nova configuração destinada ao mercado chinês. Não há, nas informações disponíveis, confirmação de que motor de 329 cv, tração traseira, LiDAR e demais alterações serão automaticamente adotados nas versões comercializadas em outros países.
A apresentação chinesa está prevista para setembro, com 21 de setembro apontado como possível dia do lançamento.
Até lá, algumas informações fundamentais continuam pendentes, principalmente capacidade da bateria, autonomia, potência de recarga, desempenho e capacidade volumétrica do novo porta-malas dianteiro.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A novidade mais interessante do EX5 não são os 329 cv. A mudança realmente importante está na reorganização da arquitetura, porque transferir o motor elétrico para o eixo traseiro interfere em embalagem dos componentes, distribuição de massa, comportamento dinâmico e aproveitamento do espaço.
O frunk é praticamente uma consequência visível dessa decisão. Em um veículo elétrico, a ausência de um grande motor a combustão na dianteira não significa automaticamente que todo aquele espaço estará disponível para bagagem. Climatização, eletrônica de potência, direção, suspensão e estruturas de segurança continuam precisando ocupar algum lugar.
A tração traseira também modifica o comportamento do veículo. Durante uma aceleração, ocorre transferência de carga para trás. Em um automóvel no qual as rodas traseiras são responsáveis pela tração, esse fenômeno pode favorecer a capacidade de transmitir torque ao solo, especialmente quando existe potência elevada.
Ainda precisamos conhecer a bateria. Ganhar 114 cv chama atenção, mas capacidade energética, massa e eficiência determinarão se o novo conjunto também representa avanço em autonomia e consumo. Um elétrico não deve ser avaliado apenas pela potência máxima de seu motor.
O LiDAR representa outra mudança importante, mas exige cuidado na interpretação. Ter sensores mais sofisticados amplia a capacidade de percepção do veículo, porém não transforma automaticamente um sistema avançado de assistência em direção totalmente autônoma.
O ponto decisivo será descobrir quanto dessa engenharia chegará aos mercados internacionais. O EX5 tem importância estratégica para a expansão global da Geely, mas uma especificação registrada para a China não deve ser automaticamente considerada válida para outros países.
A nova arquitetura mostra como os elétricos começam a evoluir não apenas em bateria e potência, mas também na maneira como os componentes são distribuídos pelo automóvel.
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- Tração traseira – O novo EX5 utiliza motor elétrico instalado no eixo traseiro, representando uma mudança importante na arquitetura do veículo.
- 329 cv de potência – O motor entrega 245 kW, equivalentes a aproximadamente 329 cv, 114 cv acima da configuração anterior mencionada.
- Frunk para até 50 kg – O compartimento dianteiro possui limite de carga informado de 50 kg, mas seu volume em litros ainda não foi divulgado.
- Velocidade maior – A máxima passa de 175 km/h para 201 km/h, acompanhando o aumento da potência disponível.
- LiDAR no teto – O sensor integra uma evolução dos sistemas de percepção utilizados pelos recursos avançados de assistência à condução.
- Bateria ainda é incógnita – A química LFP é conhecida, mas capacidade, autonomia e potência de recarga ainda precisam ser divulgadas.
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Frunk – Combinação das palavras inglesas front e trunk, identifica o porta-malas localizado na dianteira, solução possível em alguns veículos elétricos graças à diferente distribuição dos componentes mecânicos.
Tração traseira – Configuração na qual o torque responsável por movimentar o veículo é transmitido às rodas traseiras. No novo EX5, o próprio motor elétrico está instalado nesse eixo.
LFP – Química de bateria de íons de lítio que utiliza lítio-ferro-fosfato no material do cátodo, bastante empregada em veículos elétricos por características como estabilidade térmica e durabilidade.
LiDAR – Sensor que emite pulsos de laser e mede seu retorno para calcular distâncias e construir uma representação do ambiente, complementando informações obtidas por câmeras e outros sensores.

