Um SUV de mais de cinco metros, preparado para enfrentar terrenos difíceis e capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em menos de quatro segundos já seria suficiente para chamar atenção. Mas é a combinação entre preço, potência e procura registrada nas primeiras horas que ajuda a dimensionar o tamanho da aposta da Geely para disputar um dos segmentos mais competitivos do mercado chinês.
O mercado chinês está transformando os SUVs off-road eletrificados em uma nova arena tecnológica, reunindo sistemas híbridos de alta potência, baterias grandes e recursos eletrônicos antes encontrados principalmente em veículos de luxo. É nesse cenário que a Geely Galaxy inicia a pré-venda do Zhanjian (Cruiser) 700, seu primeiro SUV off-road, com seis configurações.
Na China, os preços partem de 199.800 yuans, equivalentes a cerca de US$ 29.400, na Explorer 1.5T 2WD. A Explorer+ custa 209.800 yuans, enquanto as versões Peak-Control com sistema de três motores e tração integral começam em 229.800 yuans.
Acima delas aparece a Summit 2.0T Tri-Motor AWD, por 269.800 yuans (US$ 39.700). A série especial Land Ark, limitada a 700 exemplares, foi anunciada por 389.800 yuans, aproximadamente US$ 57.300.
A resposta inicial foi expressiva segundo os números divulgados pela Geely Galaxy: foram 10 mil pedidos em nove minutos e mais de 43.900 reservas reembolsáveis em uma hora. A fabricante também informou que os 700 exemplares da Land Ark foram esgotados.
Com 5.085 mm de comprimento, 1.999 mm de largura e entre 1.895 e 1.925 mm de altura, dependendo da configuração, o Zhanjian 700 tem entre-eixos de 2.900 mm. Para utilização fora do asfalto, apresenta 233 mm de vão livre, ângulo de ataque de 30°, saída de 31° e capacidade declarada de travessia de água de 800 mm.
O destaque mecânico está no sistema híbrido Thor EM-T, que pode combinar motor 1.5 turbo de 120 kW ou 2.0 turbo de 160 kW com o conjunto elétrico. Nas configurações de maior desempenho, são três motores elétricos e tração integral, chegando a uma potência combinada declarada de 830 kW, equivalentes a 1.113 cv.
A configuração mais potente promete 0 a 100 km/h em 3,95 segundos. A Geely também informa torque máximo de 13.920 Nm nas rodas, dado que não deve ser confundido com o torque diretamente produzido pelos motores, pois considera a multiplicação proporcionada pela transmissão.
A bateria é uma CATL LFP de 47,14 kWh, capacidade elevada para um híbrido plug-in. A autonomia exclusivamente elétrica declarada chega a 305 km pelo ciclo chinês CLTC, enquanto a autonomia combinada supera 1.200 km nas condições informadas pela fabricante. O sistema elétrico trabalha com arquitetura de 800 volts e suporta recarga rápida.
O pacote off-road vai além de medidas e potência. O chassi digital utiliza recursos eletrônicos e oferece 17 modos de condução, incluindo funções chamadas de Caminhada de Caranguejo e Curva de Valsa. Esta última contribui para reduzir o raio mínimo de giro declarado para 3,36 metros.
Há ainda bloqueio mecânico do diferencial traseiro, com acionamento informado em 200 milissegundos. Um dos recursos mais incomuns é o modo emergencial de flutuação, desenvolvido para permitir que o veículo permaneça navegável por até 40 minutos em uma situação na qual seja ultrapassada a profundidade normal de travessia de 800 mm.
Por dentro, a estratégia continua baseada em abundância tecnológica. O SUV recebe interface distribuída por cinco telas, refrigerador de 18,5 litros com abertura dupla e bancos dianteiros com sistema de massagem em 14 pontos.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – O Zhanjian 700 mostra como a indústria chinesa está mudando a própria definição de um SUV off-road eletrificado. Em vez de utilizar a eletrificação apenas para reduzir consumo, a Geely explora a resposta imediata dos motores elétricos, o controle individualizado da tração e uma bateria de grande capacidade para combinar desempenho de esportivo com recursos voltados ao fora de estrada.
Os 1.113 cv certamente funcionam como cartão de visitas, mas tecnicamente há elementos mais interessantes. Um sistema com três motores permite administrar a entrega de força com precisão muito superior à de um conjunto puramente mecânico convencional. Em terreno de baixa aderência, controlar rapidamente quanto torque chega a cada eixo — e, dependendo da arquitetura, a diferentes rodas — pode ser mais importante do que simplesmente oferecer potência máxima.
A bateria de 47,14 kWh também merece atenção. Sua capacidade se aproxima da encontrada em alguns automóveis totalmente elétricos, embora o Zhanjian 700 mantenha um motor a combustão. Isso ajuda a explicar os 305 km elétricos declarados no CLTC, mas esse número precisa ser interpretado dentro do padrão chinês de homologação e não deve ser diretamente comparado aos resultados do PBEV/Inmetro brasileiro.
Outro ponto é o torque anunciado de 13.920 Nm nas rodas. Valores desse tamanho chamam atenção, porém representam uma medição posterior às reduções mecânicas do sistema. Para comparar corretamente diferentes veículos, é essencial verificar se os fabricantes estão divulgando torque dos motores ou torque efetivamente multiplicado nas rodas.
Os recursos Caminhada de Caranguejo e Curva de Valsa mostram outra vantagem potencial da eletrificação: funções que dependem da coordenação rápida entre direção, motores, freios e gerenciamento eletrônico. O veículo deixa de ser apenas um conjunto mecânico comandado eletronicamente e passa a utilizar software para modificar seu comportamento em situações específicas.
Também existe uma questão comercial importante. O preço inicial de 199.800 yuans coloca um SUV de grandes dimensões e elevado conteúdo tecnológico em uma faixa extremamente agressiva dentro da realidade chinesa. Isso ajuda a compreender por que fabricantes locais estão aumentando a pressão competitiva em segmentos tradicionalmente ocupados por SUVs mais caros.
Os 43.900 pedidos reembolsáveis em uma hora, contudo, precisam ser interpretados corretamente: reserva de pré-venda não equivale necessariamente a veículo efetivamente vendido e entregue. Ainda assim, o volume inicial sinaliza o interesse despertado pelo produto e mostra como potência, eletrificação e preço estão sendo combinados para acelerar a disputa pelo consumidor chinês.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
Preço inicial agressivo – O Zhanjian 700 começa em 199.800 yuans na China, enquanto a série especial Land Ark chega a 389.800 yuans.
Procura inicial – A Geely informa 10 mil reservas em nove minutos e mais de 43.900 pedidos reembolsáveis na primeira hora.
Potência elevada – O sistema híbrido mais forte entrega 830 kW, equivalentes a 1.113 cv, com três motores elétricos e tração integral.
Bateria de elétrico – São 47,14 kWh de capacidade, valor elevado para um veículo híbrido plug-in.
Preparação off-road – Vão livre de 233 mm, ângulos de 30° e 31° e travessia de água declarada de até 800 mm reforçam a proposta fora do asfalto.
Arquitetura de 800 V – O sistema elétrico utiliza alta tensão para suportar maior desempenho energético e recarga rápida.
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LFP – Bateria de fosfato de ferro-lítio. Essa química é utilizada por diferentes fabricantes por características como estabilidade térmica e durabilidade.
CLTC – Ciclo chinês utilizado para medir consumo e autonomia. Seus números não podem ser comparados diretamente aos resultados obtidos pelo Inmetro no Brasil.
Torque nas rodas – É o torque depois da multiplicação realizada pelas relações mecânicas. Por isso, pode ser muito maior que o torque informado diretamente para os motores.
Arquitetura de 800 V – Sistema elétrico que trabalha com tensão mais elevada, permitindo administrar grandes níveis de potência e favorecer recargas rápidas quando toda a infraestrutura é compatível.
Para acompanhar como os novos híbridos e elétricos chineses estão elevando potência, autonomia e tecnologia enquanto pressionam preços, siga @tarcisiomecanicaonline.

