O carro antigo está deixando de ocupar apenas o espaço da paixão e da preservação histórica para movimentar também restauração, comércio, eventos, colecionismo e serviços especializados. Essa transformação ganhará uma arena própria no Automotive Business Experience 2026, nesta quinta-feira, 1º de outubro. O CARDE participa pelo segundo ano e levará três máquinas dos anos 1990 — mas uma delas chama atenção por um detalhe difícil de encontrar mais de três décadas depois de sua fabricação.
O CARDE participa nesta quinta-feira, 1º de outubro, do Automotive Business Experience (ABX) 2026, evento voltado aos negócios do setor automotivo e de mobilidade.
Esta será a segunda participação do museu no encontro, mas com uma novidade: uma arena dedicada integralmente ao antigomobilismo, discutindo o automóvel clássico também sob a perspectiva econômica.
Precificação, atuação das fabricantes, museus, colecionismo e oportunidades de negócios estarão entre os assuntos abordados.
A iniciativa acompanha uma transformação percebida no segmento: ao redor dos carros históricos existe uma cadeia que envolve comércio especializado, restauração, conservação, peças, eventos, serviços e coleções.
Quanto vale um carro antigo?
Essa é uma das questões que estarão em discussão.
Luiz Goshima, diretor do CARDE e membro honorário da Fundação Lia Maria Aguiar, participará do painel sobre os desafios da precificação de veículos clássicos no Brasil.
O tema é mais complexo do que simplesmente consultar o preço que determinado modelo alcançou em outro país.
Em um automóvel histórico, fatores como originalidade, procedência, conservação, documentação, histórico, especificação e raridade podem interferir significativamente no valor atribuído a um exemplar.
O próprio mercado internacional pode funcionar como referência para determinados modelos, mas isso não significa que todas as cotações estrangeiras possam ser simplesmente transferidas para o Brasil.
Goshima também participará de uma discussão sobre os planos das fabricantes para o mercado de clássicos no País e apresentará o tema “O museu como plataforma de negócios”.
Segundo o executivo, o mercado brasileiro vive um período de maior valorização da cultura automotiva, combinando o componente sentimental dos clássicos com novas oportunidades comerciais e de relacionamento entre colecionadores.
Ferrari F40 representa a abertura de uma nova época
A Arena de Antigomobilismo ficará no Espaço CARDE, onde três automóveis dos anos 1990 serão apresentados.
O primeiro é uma Ferrari F40 1990.
O supercarro italiano tornou-se particularmente simbólico no Brasil durante o período de abertura das importações.
Apresentada originalmente em 1987 para celebrar os 40 anos da Ferrari, a F40 foi o último modelo desenvolvido sob a supervisão direta de Enzo Ferrari.
Seu motor V8 2.9 biturbo desenvolve 478 cv, permitindo velocidade máxima informada de 324 km/h.
Pouco mais de 1.300 exemplares foram produzidos entre 1987 e 1992.
O exemplar do CARDE também esteve entre os destaques do Salão do Automóvel de 2025, no Anhembi, em São Paulo.
Porsche 993 Turbo marcou despedida do boxer refrigerado a ar
Ao lado da Ferrari estará um Porsche 911 (993) Turbo 1997.
Produzida entre 1995 e 1998, essa configuração utiliza motor boxer de seis cilindros e 3,6 litros, sobrealimentado e refrigerado a ar.
São 402 cv associados a um câmbio manual de seis marchas.
O modelo alcança velocidade máxima informada de 290 km/h e marcou também a adoção de tração integral no 993 Turbo.
Estima-se que tenham sido construídos 5.937 exemplares.
A geração 993 ocupa uma posição especial na trajetória do 911 por representar o encerramento da era dos Porsche de produção em série com motor refrigerado a ar.
Gol GTi tem apenas 2.772 quilômetros
O terceiro automóvel pode parecer muito mais familiar aos brasileiros, mas o exemplar escolhido está longe de ser comum.
É um Volkswagen Gol GTi 1993 com apenas 2.772 quilômetros registrados no hodômetro.
O Gol GTi ganhou importância histórica ao se tornar o primeiro automóvel nacional equipado com injeção eletrônica de combustível, apresentado como novidade no Salão do Automóvel de 1988 e disponibilizado nas concessionárias no ano seguinte.
O exemplar que estará no ABX mantém elevado nível de originalidade e conserva a pintura de fábrica Cinza Spectrus.
Sob o capô está o conhecido motor AP 2.0 de quatro cilindros, com 120 cv, combinado ao câmbio manual de cinco marchas.
Sua velocidade máxima informada é de aproximadamente 185 km/h.
Mais do que o desempenho, porém, são a quilometragem extremamente baixa e o estado de conservação que ajudam a explicar por que exemplares desse tipo se tornaram relevantes dentro do colecionismo brasileiro.
Carro clássico cria uma cadeia de serviços
O crescimento do antigomobilismo não movimenta apenas compra e venda.
Manter um automóvel com três, quatro ou cinco décadas em condições adequadas pode exigir mecânicos especializados, funileiros, pintores, tapeceiros, fornecedores de peças, empresas de transporte e profissionais de restauração.
Quanto maior a preocupação com originalidade, maior também pode ser a necessidade de conhecimento técnico específico.
Uma peça simplesmente compatível pode não ser suficiente para determinados projetos.
Acabamento, especificação, período de fabricação e processo utilizado na recuperação podem fazer diferença para quem procura preservar as características históricas do veículo.
É justamente essa estrutura ao redor do automóvel que ajuda a transformar o antigomobilismo em um ecossistema econômico especializado.
CARDE supera 200 mil visitantes
Inaugurado em novembro de 2024 e ligado à Fundação Lia Maria Aguiar, o CARDE utiliza automóveis e obras de arte para contar períodos da história brasileira.
O museu acaba de atingir a marca de 200 mil visitantes.
Agora, ao participar das discussões empresariais do ABX 2026, procura explorar outra dimensão do automóvel histórico: sua capacidade de gerar atividades e negócios ao redor da preservação da memória automotiva.
Mecânica Online® com Tarcisio Dias – Existe uma diferença importante entre dizer que carros clássicos podem movimentar um mercado e tratá-los simplesmente como investimento financeiro.
Um automóvel antigo possui custos.
Precisa ser guardado corretamente, conservado e, dependendo do veículo, pode exigir manutenção extremamente especializada e peças difíceis de encontrar.
Também não existe garantia de valorização.
Por isso, eu considero mais interessante olhar para o crescimento do antigomobilismo pela cadeia que ele consegue movimentar.
Quando aumenta o interesse por carros históricos, cresce a necessidade de bons restauradores, mecânicos especializados, peças corretas, documentação, avaliação, conservação e conhecimento técnico.
E existe outro fenômeno importante acontecendo.
Durante muito tempo, quando falávamos em carro colecionável no Brasil, o imaginário naturalmente caminhava para modelos muito antigos ou exóticos.
Hoje um Gol GTi dos anos 1990 com somente 2.772 quilômetros consegue dividir espaço com uma Ferrari F40 e um Porsche 911 Turbo dentro de uma exposição sobre antigomobilismo.
Isso mostra que a própria definição de clássico está avançando no tempo.
Os carros que estavam nos pôsteres, nas revistas e nas ruas durante a juventude de uma geração começam agora a entrar definitivamente no universo da preservação histórica.
E existe um efeito direto para a mecânica: preservar esses veículos significa também preservar conhecimento sobre como eles funcionavam.
Para acompanhar histórias, engenharia e curiosidades dos carros que estão se tornando clássicos, siga @tarcisiomecanicaonline.
Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia
- Arena inédita – O ABX 2026 terá um espaço integralmente dedicado às discussões sobre antigomobilismo e suas oportunidades de negócios.
- F40 com 478 cv – O supercarro com V8 biturbo representa uma época marcante da abertura brasileira aos automóveis importados.
- 993 Turbo – O Porsche de 1997 combina motor boxer 3.6 sobrealimentado refrigerado a ar, câmbio manual e tração integral.
- 2.772 quilômetros – É a quilometragem registrada pelo Gol GTi 1993 que será exposto pelo CARDE.
- Injeção eletrônica nacional – O Gol GTi entrou para a história como o primeiro automóvel produzido no Brasil equipado com a tecnologia.
- 200 mil visitantes – É a marca recentemente alcançada pelo CARDE, inaugurado em novembro de 2024.
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- Antigomobilismo – Atividade relacionada à preservação, pesquisa, restauração, coleção e utilização de veículos históricos.
- Originalidade – Grau de preservação das características e componentes correspondentes à configuração original de determinado veículo.
- Motor boxer – Arquitetura na qual os cilindros ficam horizontalmente opostos, com os pistões movimentando-se em lados contrários do motor.
- Injeção eletrônica – Sistema que controla eletronicamente a alimentação de combustível do motor, permitindo gerenciamento mais preciso que soluções anteriores baseadas em carburador.

